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EUA aumentam tarifas para barras de ouro da Suíça e metal registra alta inédita

EUA aplicam tarifas sobre barras de ouro suíças, impulsionando preço do metal a máxima histórica.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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Os Estados Unidos (EUA) adotaram uma nova medida que altera o tratamento tarifário das barras de ouro suíças, impactando diretamente o comércio internacional do metal precioso e provocando uma alta inédita no mercado futuro do ouro. A decisão da alfândega norte-americana ameaça o papel da Suíça como maior centro mundial de refino de ouro e eleva a incerteza no setor.

Segundo reportagem do Financial Times divulgada nesta sexta-feira (8), a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) determinou que as barras de ouro de 1 kg e de 100 onças devem ser classificadas sob o código tributário 7108.13.5500, sujeito a tarifas de importação. Até então, essas barras eram enquadradas no código 7108.12.10, que isentava tais produtos de taxas, uma expectativa mantida por operadores do setor.

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Detalhes da medida e impacto imediato no mercado

Tarifa EUA boicote
Imagem: Freepik

As barras de 1 kg, com tamanho aproximado ao de um smartphone, são o formato mais comum e negociado na Comex, principal mercado futuro de ouro do mundo, e representam a maior parte das exportações suíças de ouro para os EUA. Com a mudança na classificação tarifária, esses produtos passam a ter tarifas adicionais, o que aumenta o custo para os importadores norte-americanos e pode gerar efeitos disruptivos no comércio bilateral.

O anúncio provocou uma reação imediata nos mercados futuros. Os contratos futuros de ouro para dezembro atingiram, no início do pregão, o recorde intradiário de US$ 3.534,20 por onça-troy, para depois recuar ligeiramente e fechar em US$ 3.490,80, o que representa uma alta diária de 1,1%. Este é o maior valor já registrado para o ouro em negociações intradiárias, indicando a força do impacto da medida.

Contexto comercial e tarifário

Essa nova tarifa integra um movimento mais amplo de restrições comerciais por parte do governo dos EUA, que, na semana anterior, já havia imposto uma tarifa de 39% sobre outras importações suíças. Dados alfandegários indicam que a Suíça exportou cerca de US$ 61,5 bilhões em ouro para os Estados Unidos nos 12 meses até junho, valor que agora pode sofrer um acréscimo de até US$ 24 bilhões em tarifas.

Christoph Wild, presidente da Associação Suíça de Fabricantes e Comerciantes de Metais Preciosos, manifestou preocupação com as consequências da medida para o setor. Em entrevista ao Financial Times, Wild classificou a decisão como “mais um golpe” para o comércio de ouro suíço com os EUA, destacando que a medida dificulta o atendimento à demanda americana. “Algumas refinarias já reduziram ou suspenderam embarques diante da incerteza sobre quais produtos podem ser isentos”, afirmou.

O fluxo global do ouro e o papel da Suíça

O mercado global de ouro possui um fluxo peculiar e altamente integrado. Tradicionalmente, barras de 400 onças circulam entre Londres e Nova York via Suíça, onde são recortadas em formatos menores, adequados às demandas específicas de cada mercado. Nos Estados Unidos, o formato de 1 kg é o mais popular, sendo amplamente utilizado em operações comerciais e investimentos.

A imposição de tarifas sobre esses formatos mais comuns pode desequilibrar essa dinâmica, afetando não apenas a Suíça, mas também mercados internacionais conectados. Com o aumento dos custos de importação, consumidores e investidores norte-americanos poderão enfrentar preços mais altos, o que também pode alterar a demanda e a liquidez.

Alta histórica do ouro: causas e perspectivas

O ouro já acumula uma valorização significativa de 27% desde o final de 2024. Essa alta foi impulsionada por diversos fatores econômicos globais, entre os quais se destacam:

  • Temores com a inflação crescente em várias economias;
  • Preocupações sobre o aumento da dívida pública dos Estados Unidos;
  • A perda gradual de força do dólar como moeda de reserva global;
  • Recentes expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve.

A combinação desses elementos fortalece a atratividade do ouro como ativo seguro, estimulando a demanda e pressionando os preços para níveis inéditos.

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Influência do Federal Reserve e do dólar no preço do ouro

investir em ouro
Imagem: Freepik

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, tem sinalizado uma possível redução nas taxas de juros nos próximos meses. Essa expectativa faz com que investidores busquem proteção em ativos considerados seguros e de preservação de valor, como o ouro.

Além disso, a desvalorização do dólar diante de incertezas econômicas globais torna o ouro uma alternativa interessante para investidores que desejam proteger seu patrimônio contra a perda de poder aquisitivo da moeda americana.

Implicações para investidores e mercados

A imposição das tarifas sobre as barras de ouro suíças deve ser monitorada atentamente pelos investidores, especialmente aqueles com exposição a mercados futuros e metais preciosos. A alta no preço do ouro pode representar oportunidades de ganhos, mas também pode aumentar a volatilidade e os custos de transação.

Para o comércio bilateral entre EUA e Suíça, a medida pode provocar uma realocação das operações, com possíveis impactos na cadeia global de suprimentos e no posicionamento da Suíça como principal centro de refino.

Com informações de: InfoMoney

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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