EUA anunciam isenção de tarifas para quase 700 produtos
Apesar do tarifaço de 50%, EUA isentam 697 produtos brasileiros. Setores como aeronáutico e agrícola respiram aliviados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quarta-feira (30) a imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos importados do Brasil, elevando o total das tarifas a 50%. No entanto, uma extensa lista com 697 itens foi poupada da nova alíquota, trazendo algum alívio a setores estratégicos da economia brasileira.
A medida, formalizada por meio de uma ordem executiva publicada no site da Casa Branca, tem efeitos imediatos e representa mais um capítulo nas tensões comerciais entre os dois países. A decisão foi acompanhada da declaração de uma nova emergência nacional para justificar a ação.
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Setores estratégicos poupados
A lista de exceções inclui desde produtos agrícolas até equipamentos industriais e aeronaves civis. O destaque vai para a Embraer, cujas vendas para os Estados Unidos representam cerca de 45% dos jatos comerciais e 70% dos jatos executivos. As ações da empresa subiram 10% após a divulgação da isenção para o setor aeronáutico.
Entre os produtos que não serão afetados pelo tarifaço estão:
- Artigos de aeronaves civis: Incluem motores, peças, subconjuntos e até simuladores de voo.
- Veículos de passageiros e peças específicas: Isenção para sedans, SUVs, caminhões leves e componentes.
- Eletrônicos: Como smartphones, aparelhos de som e vídeo, antenas e refletores.
- Metais e minerais: Como silício, ferro-gusa, estanho, alumina, ouro, prata, ferroníquel e ferronióbio.
- Fertilizantes e produtos agrícolas: Incluindo suco e polpa de laranja, castanha-do-brasil e madeira tropical.
- Energia e combustíveis: Petróleo, gás natural, carvão, querosene, parafina e energia elétrica.
- Bens em trânsito e de uso pessoal: Produtos já em transporte antes da medida e bagagem acompanhada.
- Donativos e materiais informativos: Livros, medicamentos e alimentos doados também estão isentos.
Impacto ainda será significativo
Apesar das isenções, o impacto da nova tarifa será relevante para o comércio exterior brasileiro. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o cenário é “mais benigno do que poderia ser”, mas não isento de efeitos severos.
“Representa um cenário mais benigno do que poderia ser, numa tarifa mais ampla. Não quer dizer que tenha impactos pequenos”, destacou Ceron.
O governo brasileiro já preparou um plano de mitigação dos impactos do tarifaço, que agora aguarda a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o momento oportuno para seu anúncio. A expectativa é de que o plano, por ser flexível, consiga atender de forma proporcional os setores mais afetados.
Motivações políticas e críticas à democracia brasileira
A ordem executiva norte-americana vai além da economia. No documento, o governo Trump faz duras críticas ao Brasil, especialmente à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto menciona alegadas violações de direitos humanos, perseguições políticas e censura de discursos conservadores.
Trump acusa o Brasil de ameaçar a segurança nacional dos EUA e cita o caso de Paulo Figueiredo, residente nos Estados Unidos, que estaria sendo processado criminalmente por declarações feitas em solo americano.
Além das tarifas, o presidente também determinou o cancelamento dos vistos de Moraes, de outros ministros do STF e de seus familiares, em uma decisão tomada em 18 de julho.
Análise econômica
Especialistas afirmam que, embora o Brasil tenha conseguido manter importantes produtos fora do escopo da nova tarifa, o impacto sobre setores como o agrícola, o de carnes e de frutas será inevitável. Estes itens foram incluídos na tarifa extra e agora enfrentam uma taxação total de 50% para entrarem nos Estados Unidos.
As exceções, no entanto, sinalizam um esforço dos EUA para preservar cadeias produtivas integradas, onde produtos brasileiros desempenham papel estratégico para a própria economia americana — como o fornecimento de peças para a indústria aeronáutica ou o uso de fertilizantes na agricultura dos EUA.
Com informações de: G1