Investigação
“Por que tem que auditar? Porque esses dados não são confiáveis. Teve todos esses problemas, e uma coleta de seis meses é tudo que a demografia reclama. Não pode ser assim”, afirmou.
Dessa forma, o ex-presidente do IBGE defende que haja uma investigação para responsabilizar eventuais culpados pelas falhas na realização do Censo. “Quando você faz um Censo e decide que não vai fazer propaganda [para a população colaborar], isso vai contra uma regra. Isso foi doloso, não foi doloso?”, questiona.
Erros no Censo
Assim, entre os erros vistos por Olinto, está o fato da coleta dos dados levar mais tempo do que o necessário. Além disso, ele também ressaltou a falta de recenseadores preparados.
“O Censo é para ser levantado em dois meses (a coleta começou em 1º de agosto de 2022), e nós estamos no meio de janeiro e não terminou. Tem só metade dos recenseadores. O IBGE pedindo para a prefeitura do Rio de Janeiro botar agente municipal de saúde para coletar o Censo. O cara não foi treinado, ele não sabe o que está fazendo. Tragédia absoluta.”
Ademais, o ex-presidente do IBGE questionou a falta de divulgação do Censo, lembrando que em 2010, a publicidade foi massiva.
“No Censo de 2010, você tinha recenseador na novela das 9. Você colocava faixa em campo de futebol. Isso é o bê-á-bá de um Censo. Se não esclarecer a população, não consegue resposta. Por que isso não foi feito? Por que não teve publicidade? Por que atrasou operacionalmente seis meses a coleta? Foi tudo desorganizado. Tem indícios de que houve decisões da direção erradas e que talvez mereçam uma investigação. completou, Roberto Olinto.
O que diz o IBGE
No entanto, por meio de nota, o IBGE afirmou que as contestações não procedem. De acordo com o órgão, a metodologia da estimativa divulgada foi aprovada pelo conselho consultivo do Censo, constituído por economistas, demógrafos e estatísticos como representantes da sociedade civil.
De acordo com o IBGE, o que foi divulgado até o momento representa um esforço “para entregar os dados populacionais devidamente atualizados dentro da melhor técnica estatística disponível com maior precisão e confiabilidade”.
As informações são da Folha de S. Paulo.
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