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Ex-presidente do IBGE diz que novo Censo não é confiável

Roberto Olinto, afirmou que os dados preliminares do Censo Demográfico 2022 mostram a "tragédia absoluta" que foi a pesquisa do IBGE. Confira

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins3 min de leitura
Recenseador com colete do IBGE segurando dispositivo de coleta de informações do Censo

Em entrevista à Folha, o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Olinto, afirmou que os dados preliminares do Censo Demográfico 2022 mostram a “tragédia absoluta” que foi a pesquisa.

Dessa forma, para Olinto é necessário que haja uma ampla auditoria dos dados para averiguar se eles são válidos, se é necessário realizar um trabalho adicional ou, em último caso, se é preciso realizar um novo Censo.

Investigação

“Por que tem que auditar? Porque esses dados não são confiáveis. Teve todos esses problemas, e uma coleta de seis meses é tudo que a demografia reclama. Não pode ser assim”, afirmou.

Dessa forma, o ex-presidente do IBGE defende que haja uma investigação para responsabilizar eventuais culpados pelas falhas na realização do Censo. “Quando você faz um Censo e decide que não vai fazer propaganda [para a população colaborar], isso vai contra uma regra. Isso foi doloso, não foi doloso?”, questiona.

Erros no Censo

Assim, entre os erros vistos por Olinto, está o fato da coleta dos dados levar mais tempo do que o necessário. Além disso, ele também ressaltou a falta de recenseadores preparados.

“O Censo é para ser levantado em dois meses (a coleta começou em 1º de agosto de 2022), e nós estamos no meio de janeiro e não terminou. Tem só metade dos recenseadores. O IBGE pedindo para a prefeitura do Rio de Janeiro botar agente municipal  de saúde para coletar o Censo. O cara não foi treinado, ele não sabe o que está fazendo. Tragédia absoluta.”

Ademais, o ex-presidente do IBGE questionou a falta de divulgação do Censo, lembrando que em 2010, a publicidade foi massiva.

“No Censo de 2010, você tinha recenseador na novela das 9. Você colocava faixa em campo de futebol. Isso é o bê-á-bá de um Censo. Se não esclarecer a população, não consegue resposta. Por que isso não foi feito? Por que não teve publicidade? Por que atrasou operacionalmente seis meses a coleta? Foi tudo desorganizado. Tem indícios de que houve decisões da direção erradas e que talvez mereçam uma investigação. completou, Roberto Olinto.

O que diz o IBGE

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No entanto, por meio de nota, o IBGE afirmou que as contestações não procedem. De acordo com o órgão, a metodologia da estimativa divulgada foi aprovada pelo conselho consultivo do Censo, constituído por economistas, demógrafos e estatísticos como representantes da sociedade civil.

De acordo com o IBGE, o que foi divulgado até o momento representa um esforço “para entregar os dados populacionais devidamente atualizados dentro da melhor técnica estatística disponível com maior precisão e confiabilidade”.

As informações são da Folha de S. Paulo.

Imagem: rafapress/shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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