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Exchange sofre ataque e tem R$ 150 milhões roubados de suas carteiras

Exchange BigONE é invadida e perde R$ 150 milhões em criptoativos. Investigação revela falha no sistema; empresa promete reembolsar clientes.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Exchange BigONE

A exchange de criptomoedas BigONE, sediada nas Ilhas Seychelles, foi alvo de um ataque cibernético de grandes proporções. O incidente, ocorrido nas primeiras horas de 16 de julho de 2025, resultou no roubo de cerca de US$ 27 milhões, o equivalente a R$ 150 milhões em ativos digitais.

O ataque comprometeu a hot wallet da empresa — carteira digital conectada à internet usada para liquidez diária — e resultou na perda de diversos criptoativos, incluindo BTC, ETH, SOL e USDT.

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O que foi roubado e como o ataque aconteceu

Bitcoin
Imagem: Freepik

Criptomoedas drenadas

Segundo comunicado oficial da empresa, os hackers conseguiram desviar os seguintes valores:

  • 120 BTC (Bitcoin)
  • 350 ETH (Ethereum)
  • 1.800 SOL (Solana)
  • 8,54 milhões de USDT (Tether)
  • Fundos adicionais em DOGE (Dogecoin), SHIB (Shiba Inu), CELR (Celer Network) e outras cinco criptomoedas menores.

O ataque foi detectado nas primeiras horas do dia, quando o sistema da exchange identificou movimentações anormais. A empresa acionou imediatamente sua equipe de segurança e notificou os usuários através de canais oficiais.

Dinâmica do ataque

De acordo com a empresa de cibersegurança SlowMist, responsável pela investigação técnica do caso, os hackers exploraram falhas internas na lógica operacional dos servidores.

A rede de produção foi comprometida, e os invasores conseguiram modificar códigos responsáveis pela autenticação de contas e controle de riscos.

“Importante destacar: as chaves privadas não foram expostas, o que indica que o ataque não foi uma simples invasão por phishing ou malware, mas sim uma alteração de sistema via backdoor sofisticado”, informou a SlowMist em publicação no X (antigo Twitter).

Investigação em andamento e rastreamento de fundos

Endereços já identificados

A equipe da SlowMist conseguiu rastrear os endereços de carteira utilizados pelo invasor, e as transações seguem sendo monitoradas para tentar localizar os fundos desviados.

Embora as criptomoedas sejam difíceis de recuperar após esse tipo de ataque, a rastreabilidade do blockchain permite que os ativos fiquem “marcados”, dificultando sua conversão por meios legais.

Colaboração com outras exchanges

A BigONE disse estar cooperando com outras exchanges e protocolos descentralizados (DeFi) para bloquear quaisquer tentativas de liquidação dos fundos roubados. A prática é comum em grandes hacks, como medida para mitigar o dano e, eventualmente, recuperar os ativos desviados.

Empresa promete reembolso e estabilidade do sistema

Comprometimento com os usuários

Em nota oficial, a BigONE garantiu que reembolsará integralmente todos os usuários afetados, utilizando reservas próprias para cobrir os prejuízos e estabilizar os pools de liquidez. A exchange também assegurou que as operações de negociação deverão retornar à normalidade em poucas horas.

“As reservas da empresa foram ativadas para garantir a liquidez e a continuidade das operações”, declarou a BigONE.

Reforço na segurança

A empresa afirmou que está realizando uma auditoria completa do sistema e implementando melhorias nos protocolos de segurança, incluindo redução da exposição das hot wallets, aumento do uso de cold wallets (carteiras offline) e verificação multiassinatura para grandes transferências.

Reações no mercado: críticas à conduta da BigONE

Críticas de analistas on-chain

O analista ZachXBT, conhecido por investigações de fraudes e rastreamento de golpes na blockchain, foi categórico em sua crítica à exchange. Em postagem feita logo após a divulgação do incidente, ele declarou:

“Não sinto pena da equipe, já que esta CEX processou um bom volume vindo de esquemas como ‘pig butchering’, golpes românticos e fraudes de investimento.”

Segundo o analista, a BigONE tem um histórico questionável e seria usada com frequência para lavagem de dinheiro e movimentações ilícitas ligadas a fraudes financeiras.

Históricos de operação da BigONE

A BigONE não é uma das exchanges mais populares no Brasil, mas possui significativa penetração em países da Ásia, África e em comunidades de criptoativos com menos regulação.

Especialistas apontam que a empresa tem pouca transparência operacional, o que levanta dúvidas sobre sua governança e políticas internas de compliance.

Como funcionam os ataques a exchanges

Hot wallets: conveniência com risco

Hot wallets são carteiras conectadas à internet e usadas para facilitar o saque e a negociação rápida. Apesar da praticidade, esse tipo de carteira é mais vulnerável a ataques, especialmente se os sistemas de autenticação não forem robustos ou se houver exposição do código operacional.

Vetores comuns de ataque

Ataques como o sofrido pela BigONE geralmente se aproveitam de vulnerabilidades nos seguintes pontos:

  • Códigos maliciosos em atualizações de software
  • Credenciais comprometidas de funcionários internos
  • Backdoors implantados por meio de ferramentas de terceiros
  • Falhas na arquitetura de controle de risco

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Casos semelhantes no mercado

Outros ataques de grande impacto

O caso da BigONE remete a outros ataques famosos que abalaram o mercado cripto, como:

  • Mt. Gox (2014) – Cerca de US$ 450 milhões perdidos
  • Bitfinex (2016) – US$ 72 milhões roubados
  • Coincheck (2018) – US$ 530 milhões em NEM desaparecidos
  • Poly Network (2021) – US$ 610 milhões (parte devolvida)

Apesar da evolução da segurança blockchain, as exchanges centralizadas continuam sendo alvos preferenciais por concentrarem grandes volumes de ativos em poucos servidores.

Como o investidor pode se proteger

Evite deixar grandes quantias em exchanges

A principal recomendação de especialistas em segurança digital é: não mantenha grandes quantias em exchanges, especialmente em hot wallets. O ideal é transferir os fundos para cold wallets, como dispositivos físicos (ex: Ledger, Trezor), sempre que possível.

Verifique a reputação da exchange

Antes de utilizar qualquer corretora de criptoativos, verifique:

  • Histórico de segurança
  • Política de reembolso em caso de incidentes
  • Transparência da governança
  • Certificações de auditoria externas

Habilite autenticação de dois fatores (2FA)

Outro ponto fundamental é ativar a autenticação de dois fatores (2FA) e evitar o uso do mesmo e-mail/senha em múltiplas plataformas. Isso reduz o risco de acessos não autorizados em caso de vazamento de dados.

O que esperar daqui para frente

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Imagem: Hi my name is Jacco / shutterstock

Regulação mais rígida no horizonte

Casos como o da BigONE podem servir como gatilho para reforçar a discussão sobre regulação do mercado cripto. Em países como os Estados Unidos, Europa e mesmo no Brasil, projetos de lei avançam para aumentar as exigências de compliance e segurança cibernética para exchanges.

Confiança do investidor em xeque

Enquanto isso, o setor de criptomoedas enfrenta mais um teste de confiança. A imagem do mercado como um ambiente inseguro e desregulado pode afastar investidores menos experientes ou conservadores.

Conclusão

O roubo de R$ 150 milhões da BigONE expõe, mais uma vez, a fragilidade de exchanges que não investem em segurança robusta e práticas de compliance.

Embora a empresa tenha prometido reembolsar os clientes, a credibilidade do setor sofre. Para o investidor, fica o alerta: segurança digital é prioridade — e a responsabilidade de proteger seus ativos é, em grande parte, pessoal.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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