A exchange de criptomoedas BigONE, sediada nas Ilhas Seychelles, foi alvo de um ataque cibernético de grandes proporções. O incidente, ocorrido nas primeiras horas de 16 de julho de 2025, resultou no roubo de cerca de US$ 27 milhões, o equivalente a R$ 150 milhões em ativos digitais.
Exchange sofre ataque e tem R$ 150 milhões roubados de suas carteiras
Exchange BigONE é invadida e perde R$ 150 milhões em criptoativos. Investigação revela falha no sistema; empresa promete reembolsar clientes.
O ataque comprometeu a hot wallet da empresa — carteira digital conectada à internet usada para liquidez diária — e resultou na perda de diversos criptoativos, incluindo BTC, ETH, SOL e USDT.
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O que foi roubado e como o ataque aconteceu

Criptomoedas drenadas
Segundo comunicado oficial da empresa, os hackers conseguiram desviar os seguintes valores:
- 120 BTC (Bitcoin)
- 350 ETH (Ethereum)
- 1.800 SOL (Solana)
- 8,54 milhões de USDT (Tether)
- Fundos adicionais em DOGE (Dogecoin), SHIB (Shiba Inu), CELR (Celer Network) e outras cinco criptomoedas menores.
O ataque foi detectado nas primeiras horas do dia, quando o sistema da exchange identificou movimentações anormais. A empresa acionou imediatamente sua equipe de segurança e notificou os usuários através de canais oficiais.
Dinâmica do ataque
De acordo com a empresa de cibersegurança SlowMist, responsável pela investigação técnica do caso, os hackers exploraram falhas internas na lógica operacional dos servidores.
A rede de produção foi comprometida, e os invasores conseguiram modificar códigos responsáveis pela autenticação de contas e controle de riscos.
“Importante destacar: as chaves privadas não foram expostas, o que indica que o ataque não foi uma simples invasão por phishing ou malware, mas sim uma alteração de sistema via backdoor sofisticado”, informou a SlowMist em publicação no X (antigo Twitter).
Investigação em andamento e rastreamento de fundos
Endereços já identificados
A equipe da SlowMist conseguiu rastrear os endereços de carteira utilizados pelo invasor, e as transações seguem sendo monitoradas para tentar localizar os fundos desviados.
Embora as criptomoedas sejam difíceis de recuperar após esse tipo de ataque, a rastreabilidade do blockchain permite que os ativos fiquem “marcados”, dificultando sua conversão por meios legais.
Colaboração com outras exchanges
A BigONE disse estar cooperando com outras exchanges e protocolos descentralizados (DeFi) para bloquear quaisquer tentativas de liquidação dos fundos roubados. A prática é comum em grandes hacks, como medida para mitigar o dano e, eventualmente, recuperar os ativos desviados.
Empresa promete reembolso e estabilidade do sistema
Comprometimento com os usuários
Em nota oficial, a BigONE garantiu que reembolsará integralmente todos os usuários afetados, utilizando reservas próprias para cobrir os prejuízos e estabilizar os pools de liquidez. A exchange também assegurou que as operações de negociação deverão retornar à normalidade em poucas horas.
“As reservas da empresa foram ativadas para garantir a liquidez e a continuidade das operações”, declarou a BigONE.
Reforço na segurança
A empresa afirmou que está realizando uma auditoria completa do sistema e implementando melhorias nos protocolos de segurança, incluindo redução da exposição das hot wallets, aumento do uso de cold wallets (carteiras offline) e verificação multiassinatura para grandes transferências.
Reações no mercado: críticas à conduta da BigONE
Críticas de analistas on-chain
O analista ZachXBT, conhecido por investigações de fraudes e rastreamento de golpes na blockchain, foi categórico em sua crítica à exchange. Em postagem feita logo após a divulgação do incidente, ele declarou:
“Não sinto pena da equipe, já que esta CEX processou um bom volume vindo de esquemas como ‘pig butchering’, golpes românticos e fraudes de investimento.”
Segundo o analista, a BigONE tem um histórico questionável e seria usada com frequência para lavagem de dinheiro e movimentações ilícitas ligadas a fraudes financeiras.
Históricos de operação da BigONE
A BigONE não é uma das exchanges mais populares no Brasil, mas possui significativa penetração em países da Ásia, África e em comunidades de criptoativos com menos regulação.
Especialistas apontam que a empresa tem pouca transparência operacional, o que levanta dúvidas sobre sua governança e políticas internas de compliance.
Como funcionam os ataques a exchanges
Hot wallets: conveniência com risco
Hot wallets são carteiras conectadas à internet e usadas para facilitar o saque e a negociação rápida. Apesar da praticidade, esse tipo de carteira é mais vulnerável a ataques, especialmente se os sistemas de autenticação não forem robustos ou se houver exposição do código operacional.
Vetores comuns de ataque
Ataques como o sofrido pela BigONE geralmente se aproveitam de vulnerabilidades nos seguintes pontos:
- Códigos maliciosos em atualizações de software
- Credenciais comprometidas de funcionários internos
- Backdoors implantados por meio de ferramentas de terceiros
- Falhas na arquitetura de controle de risco
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Casos semelhantes no mercado
Outros ataques de grande impacto
O caso da BigONE remete a outros ataques famosos que abalaram o mercado cripto, como:
- Mt. Gox (2014) – Cerca de US$ 450 milhões perdidos
- Bitfinex (2016) – US$ 72 milhões roubados
- Coincheck (2018) – US$ 530 milhões em NEM desaparecidos
- Poly Network (2021) – US$ 610 milhões (parte devolvida)
Apesar da evolução da segurança blockchain, as exchanges centralizadas continuam sendo alvos preferenciais por concentrarem grandes volumes de ativos em poucos servidores.
Como o investidor pode se proteger
Evite deixar grandes quantias em exchanges
A principal recomendação de especialistas em segurança digital é: não mantenha grandes quantias em exchanges, especialmente em hot wallets. O ideal é transferir os fundos para cold wallets, como dispositivos físicos (ex: Ledger, Trezor), sempre que possível.
Verifique a reputação da exchange
Antes de utilizar qualquer corretora de criptoativos, verifique:
- Histórico de segurança
- Política de reembolso em caso de incidentes
- Transparência da governança
- Certificações de auditoria externas
Habilite autenticação de dois fatores (2FA)
Outro ponto fundamental é ativar a autenticação de dois fatores (2FA) e evitar o uso do mesmo e-mail/senha em múltiplas plataformas. Isso reduz o risco de acessos não autorizados em caso de vazamento de dados.
O que esperar daqui para frente

Regulação mais rígida no horizonte
Casos como o da BigONE podem servir como gatilho para reforçar a discussão sobre regulação do mercado cripto. Em países como os Estados Unidos, Europa e mesmo no Brasil, projetos de lei avançam para aumentar as exigências de compliance e segurança cibernética para exchanges.
Confiança do investidor em xeque
Enquanto isso, o setor de criptomoedas enfrenta mais um teste de confiança. A imagem do mercado como um ambiente inseguro e desregulado pode afastar investidores menos experientes ou conservadores.
Conclusão
O roubo de R$ 150 milhões da BigONE expõe, mais uma vez, a fragilidade de exchanges que não investem em segurança robusta e práticas de compliance.
Embora a empresa tenha prometido reembolsar os clientes, a credibilidade do setor sofre. Para o investidor, fica o alerta: segurança digital é prioridade — e a responsabilidade de proteger seus ativos é, em grande parte, pessoal.
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