Em um movimento inédito, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) anunciou que, pela primeira vez, irá aceitar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como critério de ingresso para o curso de Medicina. A decisão marca uma mudança significativa no processo seletivo da instituição portuguesa, tornando o sonho de estudar Medicina na Europa mais próximo de estudantes brasileiros.
Faculdade de Medicina de Lisboa aceita brasileiros com nota do Enem pela primeira vez
Brasileiros agora podem usar nota do Enem para cursar Medicina na Universidade de Lisboa.
Com início previsto para setembro de 2025, o ano letivo da FMUL já está com inscrições abertas para a segunda fase do processo seletivo, que vai até o dia 23 de maio. A expectativa é atrair um público diverso e qualificado do Brasil, incentivando a internacionalização do ensino médico em Portugal.
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Processo seletivo inclui Enem e entrevista virtual

Ao contrário dos vestibulares tradicionais, o novo processo da FMUL avalia as notas obtidas no Enem, especificamente nas áreas de Ciências da Natureza e Matemática. São aceitas as pontuações das três últimas edições do exame nacional.
Outro diferencial é a realização de uma entrevista individual por videoconferência, que complementa a análise das notas. A instituição optou por não exigir o histórico escolar do ensino médio, focando exclusivamente nos critérios mencionados.
Vagas limitadas e alto custo de anuidade
Foram disponibilizadas 15 vagas para estudantes estrangeiros, o que inclui os brasileiros. Segundo o diretor da FMUL, João Eurico Cabral da Fonseca, a instituição está preparada para receber os novos alunos com uma abordagem inclusiva:
“Temos uma faculdade muito grande, muito eclética, com um espírito de inclusão e de receber muita diversidade”, afirmou ao jornal Diário de Notícias.
Contudo, os custos são elevados para quem não possui cidadania portuguesa ou europeia. A anuidade para estudantes internacionais é de € 18 mil (aproximadamente R$ 113 mil), o que equivale a cerca de € 1,5 mil (R$ 9,4 mil) por mês. Já os estudantes portugueses pagam apenas € 697 anuais (cerca de R$ 4.400), ou € 58 mensais (R$ 363).
Curso reconhecido como graduação no Brasil
O curso oferecido é o Mestrado Integrado em Medicina, com duração de seis anos, conforme o modelo do Acordo de Bolonha. Ao concluir os estudos, o aluno recebe os títulos de licenciado e mestre em Medicina.
No Brasil, esse modelo é equivalente à graduação em Medicina. Para facilitar o reconhecimento do diploma, a FMUL estabeleceu parcerias com universidades brasileiras renomadas, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), facilitando a revalidação do título junto ao MEC.
Mudança legislativa abriu caminho para estudantes estrangeiros
A abertura das vagas foi possível após o governo português revogar a proibição da presença de estudantes internacionais em cursos de Medicina em universidades públicas do país. A nova política educacional visa aumentar a diversidade e atrair talentos de diferentes origens para o ensino superior português.
Essa medida foi considerada histórica, já que, por anos, os cursos de Medicina em Portugal eram restritos aos cidadãos locais ou da União Europeia.
Segunda fase do processo seletivo
A fase atual de inscrições corresponde à segunda etapa do processo, que acontece com base nas vagas não preenchidas da primeira fase, encerrada em 1º de abril.
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Os resultados serão divulgados em 20 de junho, e os aprovados deverão confirmar a matrícula até 4 de julho.
Outros cursos com ingresso via Enem
Além da Medicina, a FMUL e outras faculdades associadas à Universidade de Lisboa também aceitam brasileiros nos seguintes cursos:
- Farmácia
- Nutrição
- Medicina Dentária
- Medicina Veterinária
- Ciências do Desporto
- Gestão do Desporto
- Dança
- Geografia
- Planeamento e Gestão do Território
Essas oportunidades fazem parte da política de internacionalização da universidade, que pretende tornar-se uma referência para estudantes da América Latina, em especial do Brasil.
Um novo horizonte para estudantes brasileiros

A decisão da FMUL pode representar uma transformação significativa para os estudantes brasileiros que desejam uma formação médica internacional. Embora o valor da anuidade seja alto, a possibilidade de cursar Medicina em uma universidade europeia reconhecida internacionalmente, com diploma revalidável no Brasil, atrai muitos jovens dispostos a investir no sonho da carreira médica.
Essa abertura também é um reflexo de uma tendência mais ampla nas universidades europeias: a valorização do Enem como um exame de entrada e a busca por alunos estrangeiros com potencial acadêmico elevado.
