O planejamento financeiro, ferramenta essencial para a estabilidade econômica, ainda é negligenciado por boa parte dos brasileiros. Uma pesquisa recente da Nexus, intitulada “A relação dos brasileiros com dinheiro”, revela que 55% dos cidadãos das classes A, B e C não possuem nenhum tipo de organização financeira.
O dado chama atenção, sobretudo, pelo fato de incluir famílias de alta renda, que teoricamente teriam mais recursos para administrar. A seguir, entenda os principais achados do levantamento, as diferenças por faixa etária, renda e região, além dos impactos sociais dessa realidade.
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Cenário nacional do planejamento financeiro

Mais da metade sem controle das finanças
Segundo a pesquisa, a ausência de planejamento financeiro atinge mais da metade da população (55%) das classes A, B e C. O número evidencia uma fragilidade cultural no trato com o dinheiro, que não se limita às camadas de menor renda.
Disparidade entre classes sociais
Embora o índice seja alto, a realidade varia conforme a classe social.
- Classe A: 86% afirmam ter planejamento financeiro.
- Classe B e C: a proporção de pessoas sem organização financeira é bem maior, refletindo desigualdades de renda e educação.
Essa discrepância reforça a necessidade de políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à educação financeira acessível.
Planejamento financeiro por faixa etária
Jovens lideram a organização
Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, 72% disseram planejar suas finanças. Esse resultado pode estar relacionado a um maior contato com informações digitais sobre economia, além do apoio familiar.
Adultos em transição
Na faixa entre 25 e 40 anos, há equilíbrio: 51% planejam e 49% não planejam. Esse período da vida costuma ser marcado por gastos com moradia, família e carreira, o que explica a divisão equilibrada.
Idosos menos engajados
Entre pessoas com mais de 60 anos, apenas 23% afirmam manter um planejamento. Esse dado revela uma lacuna histórica na educação financeira das gerações anteriores, além de possíveis dificuldades para lidar com ferramentas digitais.
Hábitos de poupança dos brasileiros
A pesquisa também investigou a capacidade de guardar dinheiro com regularidade:
- Nunca poupam: 24%;
- Raramente poupam: 26%;
- Às vezes conseguem poupar: 16%;
- Maioria dos meses: 19%;
- Todos os meses: 15%.
Esses números mostram que metade dos entrevistados não tem o hábito de poupar, o que compromete a construção de reservas emergenciais e investimentos de longo prazo.
Diferenças regionais no Brasil
A análise por região também revelou contrastes significativos:
- Sul: 79% planejam suas finanças.
- Nordeste: 45%.
- Sudeste: 43%.
- Norte e Centro-Oeste: 40%.
O destaque positivo para o Sul pode estar ligado a fatores como maior escolaridade média e renda per capita. Já em outras regiões, as disparidades econômicas e sociais contribuem para índices mais baixos.
Impactos da falta de planejamento financeiro
Riscos individuais
A ausência de controle financeiro gera vulnerabilidade diante de crises, imprevistos e desemprego. Sem poupança ou organização, famílias podem se endividar com facilidade.
Consequências sociais
Quando grande parte da população não planeja suas finanças, o efeito atinge também a economia nacional:
- Maior inadimplência.
- Dificuldade de acesso a crédito.
- Redução no consumo sustentável.
Papel da educação financeira
Importância da conscientização
Especialistas apontam que a educação financeira deve ser introduzida desde cedo, preferencialmente no ambiente escolar, para que novas gerações cresçam com maior consciência sobre dinheiro.
Iniciativas já existentes
Nos últimos anos, o tema começou a ganhar espaço em políticas públicas, mas ainda de forma tímida. Bancos, fintechs e consultorias privadas têm oferecido conteúdos e ferramentas digitais, mas o acesso desigual continua sendo um desafio.
Entrevista com especialista
Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, há uma forte relação entre escolaridade, renda e capacidade de poupança:
“Quem tem menos estudo costuma ocupar cargos que ganham menos, daí o alto índice desses brasileiros nas classes A, B ou C com muita dificuldade em poupar. Já entre os mais jovens, que usualmente ainda possuem algum tipo de auxílio financeiro da família, mais da metade consegue economizar, pelo menos, na maioria dos meses.”
A declaração reforça a necessidade de unir educação, cultura financeira e incentivo à poupança para mudar o cenário.
Caminhos para reverter o quadro
Medidas individuais
- Elaborar orçamento mensal.
- Definir metas de curto, médio e longo prazo.
- Priorizar a formação de uma reserva de emergência.
- Evitar dívidas de alto custo, como cartão de crédito e cheque especial.
Medidas coletivas
- Inclusão da educação financeira nas escolas.
- Campanhas públicas de conscientização.
- Incentivos a investimentos de baixo risco para iniciantes.
Metodologia da pesquisa

A pesquisa da Nexus foi realizada nos dias 8 e 9 de agosto de 2025, com 1.010 entrevistas online. Participaram brasileiros das classes A, B e C, a partir de 16 anos, em todos os estados e no Distrito Federal.
- Margem de erro: 3 pontos percentuais.
- Intervalo de confiança: 95%.
- Critério de classificação: Critério Brasil, da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep).
Somadas, essas classes representam cerca de 120 milhões de brasileiros, com rendas médias que variam de R$ 2.403,04 (classe C2) a R$ 26.811,68 (classe A).
Conclusão
O estudo evidencia que a falta de planejamento financeiro não é exclusividade das classes mais baixas, mas um problema estrutural que atinge todas as camadas sociais do Brasil. Embora haja avanços entre os mais jovens, o desafio ainda é enorme para consolidar uma cultura de organização financeira.
O futuro dependerá da ampliação da educação financeira, do acesso a informações claras e de políticas públicas eficazes. Só assim será possível transformar o hábito de planejar as finanças em uma prática comum para todos os brasileiros.
Imagem: Andrey_Popov / shutterstock

