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“Faraó do Bitcoin” vai a júri popular por homicídio de rival em guerra de pirâmides de criptomoedas

Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó do Bitcoin", vai a júri popular acusado de mandar matar Wesley Pessano, seu rival em esquemas de pirâmide com criptomoedas.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
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A trajetória de Glaidson Acácio dos Santos, ex-pastor e fundador da GAS Consultoria, tornou-se símbolo de um dos maiores escândalos envolvendo criptomoedas no Brasil.

Autodenominado o “Faraó do Bitcoin”, Glaidson construiu um império de promessas de lucros exorbitantes com trading de criptoativos, que, segundo o Ministério Público, se revelou um esquema de pirâmide financeira bilionário.

Mas agora, além de enfrentar acusações de crimes financeiros e lavagem de dinheiro, Glaidson responderá no banco dos réus por um crime ainda mais grave: o assassinato do empresário Wesley Pessano, morto a tiros em 2021, em São Pedro da Aldeia, no estado do Rio de Janeiro.

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Decisão da Justiça: júri popular confirmado

Recurso negado por unanimidade

A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) rejeitou, por unanimidade, um recurso apresentado por Glaidson e outros seis réus que buscavam impedir o envio do caso para julgamento por júri popular.

Com isso, o grupo — que inclui integrantes de uma suposta milícia — será submetido a julgamento pela acusação de homicídio qualificado.

A decisão representa uma virada de peso no processo judicial que há anos ronda o nome do “Faraó”. O julgamento promete trazer à tona novos detalhes sobre o submundo violento que cercava os bastidores da GAS Consultoria.

O crime: rivalidade e sangue no mundo das pirâmides

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Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

Wesley Pessano: alvo da disputa cripto

O jovem Wesley Pessano, de 19 anos, era considerado uma promessa do mercado de criptomoedas na Região dos Lagos. Dono da Ares Traders, Pessano atuava com um modelo de negócios semelhante ao da GAS: prometer rendimentos fixos mensais com base em operações com criptoativos — o que também levantava suspeitas de pirâmide financeira.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Pessano teria começado a atrair investidores que antes aportavam capital na GAS, oferecendo rendimentos superiores aos prometidos por Glaidson.

O sucesso crescente do concorrente teria incomodado o “Faraó”, motivando a contratação de criminosos para executar o rival.

Execução em plena luz do dia

O crime ocorreu em 4 de agosto de 2021, quando Wesley foi alvejado dentro de seu carro, um Porsche de luxo, enquanto dirigia em São Pedro da Aldeia. O ataque foi brutal: diversos tiros atingiram o veículo. Ao lado dele estava o sócio Adeilson Junior, que conseguiu escapar com vida, embora tenha sido também alvo da tentativa de homicídio.

O caso teve grande repercussão nacional, não apenas pela ostentação envolvida no estilo de vida das vítimas, mas principalmente pelo contexto de guerra entre grupos de pirâmides de criptomoedas no Brasil.

A estrutura do crime: uma rede de execuções

Quem são os 11 réus junto com Glaidson?

O Ministério Público sustenta que Glaidson foi o mandante do homicídio, e que o crime foi organizado com apoio de uma rede que inclui milicianos e operadores logísticos. A denúncia descreve uma estrutura em camadas:

  • Mandante: Glaidson Acácio dos Santos;
  • Intermediários: Irmãos Daniel e Felipe Aleixo Guimarães, que buscaram pistoleiros para o crime;
  • Executor principal: Ananias da Cruz Vieira, que contratou um coordenador operacional;
  • Coordenador: Fábio Natan, responsável por reunir a equipe executora;
  • Equipe executora:
    • Roberto Campanha;
    • Luiz Cherfan Tavares;
    • Bruno Luzardo Sabages;
    • Chingler Lopes Lima;
    • Thiago Gladino;
    • Valder Janilson dos Santos;
    • Edson da Costa Marinho.

Essa estrutura aponta para características de atuação miliciana, com organização hierárquica, divisão de tarefas e histórico de execuções encomendadas.

Reincidência: outro atentado com sequelas permanentes

Ataque a Nilson Alves da Silva

O nome de Glaidson também aparece em outro processo criminal, desta vez por tentativa de homicídio qualificado, ocorrida em março de 2021, poucos meses antes do assassinato de Pessano.

A vítima, Nilson Alves da Silva, era um ex-colaborador da GAS que teria começado a espalhar rumores sobre uma possível prisão de Glaidson. Essa atitude teria irritado o empresário, que novamente teria recorrido a pistoleiros para eliminar a ameaça.

O atentado ocorreu quando o carro de Nilson foi interceptado por outro veículo. Seis disparos foram efetuados, e Nilson ficou cego e paraplégico, consequência direta do ataque.

O império da GAS Consultoria: promessas, bilhões e ruína

Do púlpito ao esquema bilionário

Antes de fundar a GAS Consultoria, Glaidson era pastor evangélico em Cabo Frio, no interior do Rio de Janeiro. A empresa prometia retornos mensais de até 10% sobre investimentos, com base em operações com Bitcoin e outras criptomoedas.

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Com esse modelo, a GAS atraiu mais de 67 mil investidores e movimentou, segundo a Polícia Federal, mais de R$ 38 bilhões em três anos.

O esquema funcionava sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e desmoronou com uma operação da PF e do Ministério Público Federal em 2021, batizada de Operação Kryptos.

Glaidson foi preso preventivamente e responde por:

  • Crimes contra o sistema financeiro;
  • Organização criminosa;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Estelionato;
  • Agora, homicídio qualificado.

Julgamento poderá marcar novo capítulo jurídico no Brasil cripto

Precedente para crimes ligados a criptoativos

O julgamento do “Faraó do Bitcoin” e sua suposta milícia poderá estabelecer jurisprudência relevante no combate ao crime organizado associado ao mercado cripto.

Embora os esquemas de pirâmide financeira com criptomoedas sejam amplamente investigados, casos de homicídio associados a disputas entre operadores são raros e alarmantes. O caso Glaidson expõe os riscos reais por trás do colapso de estruturas ilegais que envolvem bilhões de reais e milhares de investidores.

Reações da sociedade e da comunidade cripto

Comunidade pede regulação mais rígida

O assassinato de Wesley Pessano e as acusações contra Glaidson levantaram um debate amplo na comunidade de ativos digitais do Brasil. Líderes do setor e especialistas em finanças descentralizadas passaram a exigir medidas regulatórias mais duras e fiscalização intensificada para evitar novos casos envolvendo promessas falsas, lavagem de dinheiro e agora, violência mortal.

Além disso, a credibilidade dos projetos sérios de criptomoedas é abalada por escândalos como este, que associam o setor a fraudes e criminalidade.

Conclusão: julgamento pode redefinir fronteiras da justiça cripto no Brasil

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O júri popular de Glaidson Acácio dos Santos representa não apenas a responsabilização de um homem acusado de crimes gravíssimos, mas também a oportunidade de o Judiciário brasileiro firmar posição contra a criminalidade associada às criptomoedas.

À medida que o mercado cripto amadurece e ganha espaço institucional, o enfrentamento de práticas ilícitas e violentas torna-se essencial para garantir segurança, transparência e confiança dos investidores.

O caso do “Faraó do Bitcoin” poderá entrar para a história como um marco no combate às pirâmides cripto no Brasil — não apenas pelas cifras envolvidas, mas pelas vidas ceifadas no caminho da ganância.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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