Nos últimos meses, diversos consumidores têm se deparado com uma prática crescente nas farmácias do Brasil: a exigência do CPF antes de fornecer os preços com desconto. A justificativa das farmácias é que a solicitação do CPF é necessária para gerar cupons e incluir os clientes em programas de fidelidade. No entanto, essa prática é ilegal e fere o Código de Defesa do Consumidor (CDC). O consumidor tem o direito de conhecer os preços originais e promocionais de forma clara e antecipada, sem a obrigação de fornecer dados pessoais como o CPF.
Farmácias não podem exigir CPF antes de mostrar descontos, alerta Procon
Exigir CPF para informar preços com desconto em farmácias é ilegal. Saiba como agir e denunciar essa prática ao Procon.
O gerente do Procon de Vitória, Breno Panetto, esclarece que o cliente deve primeiro ter acesso aos preços antes de decidir se deseja ou não aderir ao programa de descontos, o que reflete uma violação da legislação vigente. Além disso, a obrigatoriedade de fornecimento do CPF para obter preços com desconto pode resultar em multas e sanções contra os estabelecimentos comerciais.
Neste artigo, vamos abordar as implicações dessa prática e os direitos do consumidor em relação a essa questão, além de esclarecer o que fazer caso essa situação ocorra.
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Exigência de CPF antes da informação do desconto: Prática ilegal
A prática de exigir o CPF do cliente antes de informar os preços promocionais é considerada uma infração do Código de Defesa do Consumidor. De acordo com a legislação, o consumidor tem direito à informação clara e precisa sobre os preços, sem a necessidade de fornecer dados pessoais, como o CPF, para ter acesso a esses valores.
Os programas de fidelidade oferecidos pelas farmácias são uma opção válida para quem deseja receber descontos e promoções personalizadas. No entanto, a exigência de dados pessoais, como o CPF, antes da divulgação do preço do produto fere a transparência que o CDC exige.
A transparência exigida pela legislação
O Código de Defesa do Consumidor determina que os estabelecimentos comerciais devem exibir, de forma visível e legível, os preços originais e promocionais dos produtos, sem condicionar o acesso a essas informações ao fornecimento de dados pessoais. Essa exigência visa garantir que o consumidor tenha liberdade para comparar os preços e decidir se deseja ou não participar de programas de fidelidade ou outras promoções.
No caso das farmácias, a informação sobre o preço promocional deve ser acessível a todos os consumidores, independentemente de cadastro, sem a necessidade de fornecer o CPF para ter acesso aos preços praticados.
O que fazer em caso de abuso: Como denunciar ao Procon
Se uma farmácia se recusar a informar o preço promocional sem o fornecimento do CPF, o consumidor tem o direito de registrar uma denúncia junto ao Procon, o órgão responsável pela fiscalização de práticas comerciais abusivas.
A denúncia pode ser feita de forma simples e rápida por meio dos seguintes canais:
- Presencialmente: O consumidor pode comparecer ao Procon de sua cidade para registrar a queixa.
- Pelo site oficial: O Procon de cada estado possui um site onde é possível fazer a denúncia online.
- Via aplicativo: Muitos Procons estaduais disponibilizam aplicativos móveis para facilitar o processo de registro de queixas.
Ao denunciar a prática ilegal, o consumidor contribui para fortalecer a fiscalização e garantir que o mercado funcione de maneira justa e transparente.
O que deve ser feito durante a compra?
Se uma farmácia insistir na exigência do CPF para fornecer o preço promocional, o consumidor tem o direito de exigir que o preço esteja visível e acessível sem a necessidade de cadastro ou fornecimento de dados pessoais. Caso o preço promocional não esteja visível, a farmácia estará descumprindo o Código de Defesa do Consumidor.
Além disso, o consumidor pode exigir que a informação sobre os preços promocionais seja apresentada de forma clara, para garantir que o acesso ao desconto não seja condicionado ao fornecimento de dados pessoais.
Outras questões que o Procon está monitorando

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Além da exigência ilegal de CPF, o Procon está atento a outras questões de atendimento ao cliente que violam os direitos do consumidor, como dificuldades no acesso a atendimento humano e a falta de opções para cancelamento imediato de serviços essenciais.
O uso de robôs para o suporte inicial de clientes é uma tendência crescente em muitas empresas. No entanto, o Procon exige que as empresas garantam o atendimento humano em serviços essenciais, como planos de saúde, telefonia, internet e serviços bancários. Além disso, menus de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) devem oferecer a opção de cancelamento imediato logo na primeira tela, sem que o cliente tenha que passar por múltiplos menus ou procedimentos.
Se uma empresa não oferecer essas opções, ela estará violando a legislação e pode ser multada por práticas comerciais abusivas.
A importância da transparência nas relações de consumo

A transparência nas relações comerciais é fundamental para garantir que os consumidores possam fazer escolhas informadas, especialmente em compras com preços promocionais. A informação clara sobre os preços e as condições de desconto deve ser fornecida antes de qualquer exigência de dados pessoais.
De acordo com o Procon, a exigência de CPF antes de informar os preços representa uma forma de manipulação da informação, prejudicando o consumidor e dificultando o acesso aos descontos de forma transparente.
Protegendo os direitos do consumidor
A legislação brasileira de defesa do consumidor visa proteger os direitos do cidadão e garantir que ele não seja enganado ou pressionado a fornecer dados pessoais sem a devida necessidade. O Código de Defesa do Consumidor estabelece que as empresas devem fornecer informações claras sobre os preços dos produtos, sem impor condições que prejudiquem o consumidor, como a exigência de CPF para obter descontos.
Imagem: gorodenkoff / iStock