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Fila e burocracia travam acesso ao BPC, denunciam entidades em seminário na Câmara

BPC: Entidades denunciam fila de espera e burocracia no BPC. Governo anuncia medidas, mas críticas a decreto persistem.

Talita FerreiraPor Talita Ferreira5 min de leitura
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Entidades da sociedade civil, defensores públicos e especialistas em assistência social denunciaram, na última terça-feira (8), uma série de entraves e demoras excessivas para concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), durante seminário promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência na Câmara dos Deputados.

Com uma fila de espera que já soma 656 mil requerentes – sendo 585 mil pessoas com deficiência (PCDs) e 71 mil idosos, o sistema de análise do INSS vem sendo duramente criticado por sua lentidão, burocracia excessiva e mudanças recentes nas regras de elegibilidade.

O que é o BPC?

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Imagem: Freepik e Canva

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um direito garantido pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Ele prevê o pagamento de um salário mínimo mensal a:

  • Pessoas com deficiência de qualquer idade que comprovem não ter meios de se sustentar
  • Idosos com 65 anos ou mais em condição de baixa renda

Importante: O BPC não exige contribuição prévia ao INSS e não dá direito ao 13º salário ou pensão por morte.

Principais denúncias: demora, falta de estrutura e burocracia

Segundo entidades presentes no seminário:

  • A demora no agendamento e realização da perícia médica é o principal gargalo
  • Exigências documentais complexas, como atualizações no CadÚnico e comprovantes de renda, dificultam o acesso ao benefício
  • A biometria obrigatória e o uso do sistema “gov.br” criam barreiras tecnológicas para populações vulneráveis
  • A inclusão de programas sociais como o Bolsa Família na renda familiar tem causado indeferimentos indevidos

Fila de espera e falta de peritos

A coordenadora-geral de perícia médica do Ministério da Previdência Social, Marília Gava, reconheceu a crise. Segundo ela, a falta de peritos e o aumento dos pedidos de BPC desde a pandemia são os principais motivos da fila:

  • Crescimento de 283% nos pedidos de BPC por pessoas com deficiência nos últimos 4 anos
  • Aumento de 81% nos pedidos de idosos
  • Apenas 250 novos peritos foram contratados após concurso recente

Ações anunciadas pelo governo:

  • Perícia conectada: modalidade de avaliação médica remota para acelerar o atendimento
  • Pagamento de horas extras para peritos e assistentes sociais envolvidos no processo
  • Gestão integrada com os CRAS para otimizar a análise de casos prioritários

Avaliação biopsicossocial e disputa com o Judiciário

Outro ponto de tensão é o modelo de avaliação utilizado para concessão do BPC. A legislação brasileira e convenções internacionais determinam que a análise seja feita por meio do modelo biopsicossocial, que envolve:

  • Avaliação médica
  • Avaliação social
  • Consideração da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) e não apenas do CID

No entanto, o Judiciário tem aplicado majoritariamente o modelo biomédico, o que gera:

  • Concessões judiciais fora do padrão administrativo
  • Judicialização excessiva: já são mais de 410 mil processos ativos relacionados ao BPC

A diretora de benefícios do INSS, Márcia de Souza, informou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou que o Judiciário adote o mesmo modelo biopsicossocial. Mas a mudança ainda não foi implementada na prática.

Críticas ao decreto 12.534/25

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Um dos focos de insatisfação foi o Decreto 12.534/25, editado pelo Executivo no final de junho, que passou a incluir o Bolsa Família e outros programas sociais no cálculo da renda familiar para análise do BPC.

Reações ao decreto:

  • Deputado Duarte Jr. (PSB-MA): autor do PDL 352/25, que visa anular o decreto
  • Patrícia Chaves (DPU): considerou a medida um retrocesso social
  • Felipe Bocayuva (Iprev): alertou que mais ações judiciais serão movidas contra a medida

“Cada um desses 410 mil processos são pessoas com deficiência que sofrem, idosos que sofrem. A caminhada ainda é muito longa”, disse Bocayuva.

Críticas a leis recentes e exigência de biometria

Outras críticas partiram de representantes da base da assistência social. Segundo a psicóloga Olga Jacobina de Souza, que atua em um CRAS no Distrito Federal:

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“A gente não tem porta aberta. A porta é entreaberta: precisamos ter senha do ‘gov.br’, e-mail, cadastro, senha. Tudo é dificuldade.”

Leis contestadas:

  • Lei 14.973/24 e Lei 15.077/24: criam novas exigências como:
    • Biometria
    • Atualização cadastral periódica
    • Revalidação frequente da deficiência

Essas medidas estão sendo contestadas no Supremo Tribunal Federal (STF) por aumentarem a burocracia e dificultarem o acesso ao benefício.

Ponto de equilíbrio: controle x acesso

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O secretário de controle externo do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Lima, disse que algum controle é necessário para evitar fraudes, mas alertou:

“Controles precisam ser eficientes para não intensificar a burocracia.”

As entidades pedem que o foco da política pública volte à inclusão social e à dignidade, sem criar obstáculos desnecessários para os mais pobres.

Como solicitar o BPC?

Para quem pretende entrar com o pedido de BPC, o processo passa por várias etapas:

  • Cadastro no CadÚnico: deve ser feito no CRAS mais próximo
  • Solicitação via Meu INSS: https://meu.inss.gov.br
  • Perícia médica e avaliação social: realizada pelo INSS
  • Análise de renda familiar: é necessário comprovar renda per capita inferior a 1/4 do salário mínimo

Documentos obrigatórios:

  • RG, CPF e comprovante de residência
  • Laudos médicos e exames atualizados
  • Documentos dos membros da família

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Talita Ferreira

Autor

Talita Ferreira

Talita Ferreira é redatora no portal Seu Crédito Digital, onde aplica seu rigor acadêmico e experiência em linguagem para tornar conteúdos econômicos, sociais e informativos mais claros e acessíveis. Doutoranda e Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), possui também pós-graduação em Revisão Textual e em Educação, Gêneros e Sexualidade pela UniVitória. É graduada em Letras pela UFJF e tem sólida atuação em revisão, produção de conteúdo e pesquisa em linguagem.

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