Marca famosa de roupas declara falência e fecha todas as lojas
A Forever 21, uma das redes mais icônicas do varejo de moda nos Estados Unidos, declarou oficialmente falência e anunciou o fechamento de todas as suas mais de 300 lojas espalhadas pelo país. O comunicado marca o fim de uma era que começou em 1984 e se destacou durante décadas como uma das principais referências em moda acessível para o público jovem.
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A decisão de encerrar operações nos EUA

Custos operacionais em alta e concorrência implacável
Segundo o comunicado divulgado pela própria empresa, os principais fatores para o pedido de falência foram o aumento dos custos operacionais das lojas físicas e a crescente concorrência de plataformas de comércio eletrônico, especialmente as chinesas, como a Shein.
Essas plataformas conquistaram o público oferecendo roupas com preços muito baixos e alta rotatividade de estoque, além de forte presença digital, principalmente nas redes sociais. Enquanto isso, a Forever 21 se viu presa a um modelo tradicional de lojas físicas, com custos fixos altos e dificuldades para inovar.
O papel da Shein e do varejo digital
A Shein, por exemplo, tem se destacado no cenário global com sua estratégia de produção rápida e customização baseada em dados, criando coleções quase em tempo real de acordo com a demanda do consumidor. Isso representa um desafio quase insuperável para redes como a Forever 21, que operam com logística e decisões de compra bem mais lentas.
O que acontece com a marca agora?
Operações internacionais continuam por enquanto
Embora o fechamento atinja todas as lojas da Forever 21 nos Estados Unidos, a medida não se aplica às unidades internacionais. O site da empresa continua em funcionamento, e os consumidores ainda podem fazer compras online enquanto as lojas físicas realizam liquidações de estoque.
Possível venda e licenciamento da marca
O Authentic Brands Group (ABG), que detém a propriedade intelectual internacional da Forever 21, pode licenciar a marca para outros operadores globais. De acordo com informações da Forbes, a empresa busca um comprador para parte ou totalidade de seus ativos, o que pode garantir a continuidade da marca sob nova gestão.
Crise anunciada: os sinais desde 2019
Pedido de proteção contra falência
Esta não é a primeira vez que a Forever 21 enfrenta turbulências financeiras. Em 2019, a empresa já havia entrado com um pedido de proteção contra falência, uma medida judicial que permite reestruturação de dívidas. Na ocasião, o objetivo era reorganizar as operações e tentar uma recuperação.
Modelo de negócios defasado
A rede sempre foi conhecida por seu modelo de “fast fashion”, oferecendo tendências da moda a preços baixos. No entanto, o modelo começou a dar sinais de desgaste nos anos 2010, com a ascensão do e-commerce e a mudança no comportamento do consumidor, cada vez mais preocupado com sustentabilidade, transparência e velocidade de entrega.
Breve histórico da Forever 21
Dos anos 1980 ao auge nos anos 2000
Fundada em 1984 por Do Won e Jin Sook Chang, imigrantes sul-coreanos, a Forever 21 começou como uma pequena loja em Los Angeles. Rapidamente, a marca ganhou popularidade entre os jovens por oferecer moda acessível e descolada. Em 2005, a empresa já faturava US$ 1 bilhão. Dez anos depois, o faturamento ultrapassava US$ 4 bilhões, e a rede contava com centenas de lojas ao redor do mundo.
Crescimento agressivo e problemas estruturais
Durante os anos 2000, a Forever 21 investiu em uma expansão acelerada, abrindo lojas em grandes shoppings e pontos comerciais importantes. Porém, a falta de foco digital e os custos altos dessa estratégia acabaram comprometendo sua sustentabilidade financeira. A empresa também foi alvo de críticas por práticas trabalhistas controversas e pela falta de responsabilidade ambiental.
A Forever 21 no Brasil
Passagem rápida e encerramento em 2022
A Forever 21 chegou ao Brasil com grande expectativa, abrindo unidades em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. No entanto, sua permanência no mercado brasileiro foi breve. Em 2022, todas as 15 lojas da marca foram encerradas, sinalizando os problemas que já se acumulavam no cenário internacional.
Falta de adaptação ao consumidor local
Entre os motivos do insucesso da marca no Brasil, destacam-se a dificuldade de adaptação ao gosto e ao poder de compra do público brasileiro, além de preços considerados elevados em comparação com outras marcas locais e internacionais presentes no país.
O que o fechamento da Forever 21 revela sobre o setor?
Transformações no varejo de moda
O caso da Forever 21 é mais um exemplo das profundas mudanças no setor de varejo de moda. Empresas que não conseguem acompanhar a evolução digital e os novos hábitos de consumo tendem a perder espaço rapidamente.
Sustentabilidade e experiência de marca
Hoje, os consumidores priorizam marcas que oferecem transparência, responsabilidade ambiental, boa experiência de compra e presença digital sólida. A Forever 21, que por muitos anos foi sinônimo de moda rápida, não conseguiu se adaptar totalmente a essa nova realidade.
Expectativas para o futuro da marca

Reestruturação ou extinção?
Com o processo de falência em curso e a busca por compradores, o futuro da Forever 21 nos EUA é incerto. Uma possibilidade é que a marca continue existindo no ambiente digital, sob nova gestão ou licenciada para terceiros. Outra é que se torne apenas uma lembrança de uma era do varejo que já não existe mais.
Sobrevivência no exterior depende de gestão local
As operações internacionais podem sobreviver, mas isso dependerá da capacidade dos operadores locais em renovar o modelo de negócio, incorporando práticas mais modernas, sustentáveis e digitalizadas.
Conclusão
O fim das operações da Forever 21 nos Estados Unidos simboliza mais do que o encerramento de uma marca popular: representa a transformação profunda do varejo de moda diante da digitalização, da mudança nos hábitos de consumo e da ascensão de concorrentes ágeis e globalizados. Embora a marca ainda tenha fôlego em outros países, seu futuro dependerá da capacidade de adaptação a um mercado cada vez mais exigente, sustentável e digital.