Desde o lançamento do Pix, em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos tem facilitado a vida dos brasileiros, mas também tem se tornado um meio cada vez mais explorado por criminosos. Promessas de lucros rápidos e elevados, conhecidas como “golpes de multiplicação de dinheiro” ou “Pix multiplicador”, têm enganado milhares de pessoas, com prejuízos que chegam, em média, a R$ 3.600 por vítima.
Um levantamento recente da Silverguard, empresa de proteção financeira digital, mostra como esses golpes vêm crescendo e atingem vítimas de diferentes faixas etárias e classes sociais.
Como Funciona o Pix e sua Popularidade no Brasil

O Pix é um sistema de pagamento instantâneo lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020. Desde então, a adesão foi massiva e rápida: atualmente, mais de 70% da população utiliza o Pix, tanto para transferências pessoais quanto para pagamentos de compras em estabelecimentos comerciais. A praticidade de enviar e receber valores em segundos, a qualquer hora do dia ou da noite, contribuiu para que o Pix superasse rapidamente métodos tradicionais de pagamento como TED, DOC e até mesmo cartões de crédito.
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Esse sucesso, contudo, chamou a atenção dos golpistas. Eles utilizam a rapidez e a simplicidade do sistema para enganar vítimas, com táticas de “engenharia social”, ou seja, técnicas de manipulação psicológica que exploram a confiança e a desatenção dos usuários. Entre os principais golpes associados ao Pix, destacam-se o golpe do falso emprego, pedidos de ajuda para tratamento de saúde e, com grande frequência, o golpe da “multiplicação de dinheiro”.
Os Principais Golpes de Pix e Suas Características
1. O Golpe da Multiplicação de Dinheiro
Esse golpe, também conhecido como “Urubu do Pix”, “Pix Multiplicador” ou “Robô do Pix”, começa geralmente por meio de mensagens em redes sociais, como WhatsApp e Instagram. O golpista promete multiplicar o valor transferido pela vítima, oferecendo retornos absurdos, de até 300% em poucos minutos. Para convencer as vítimas, são criados perfis falsos e até mesmo perfis hackeados de pessoas conhecidas, aumentando a sensação de legitimidade.
Muitas vezes, os golpistas começam pedindo transferências de valores baixos, que são devolvidos com lucro para conquistar a confiança da vítima. Após essa primeira transação bem-sucedida, eles solicitam transferências maiores, que nunca são devolvidas. Esse golpe é especialmente perigoso pois engana pela promessa de retorno financeiro rápido, uma tentação que atinge diversas faixas etárias e classes sociais.
2. Compra em Loja ou Perfil Falso
Outro golpe muito comum é o de perfis falsos de lojas em redes sociais, que oferecem produtos a preços tentadores. Esses perfis se passam por lojas confiáveis e aceitam apenas pagamentos via Pix, alegando, por exemplo, que isso garante descontos maiores. No entanto, após a transferência, a vítima nunca recebe o produto. Esse golpe afeta especialmente jovens entre 18 e 29 anos, que frequentemente fazem compras online e podem ser atraídos por preços muito baixos.
3. Golpe do Falso Empréstimo e Saldo Prometido
Essa modalidade envolve a promessa de um empréstimo rápido ou o pagamento de um saldo pendente para a vítima. Os golpistas pedem um depósito inicial para “liberar” o valor prometido, mas, após receberem o Pix, desaparecem. Esse tipo de golpe é particularmente comum entre pessoas que estão com dificuldades financeiras e buscam soluções rápidas para dívidas.
Por que as Pessoas Caem nos Golpes de Pix?
Os golpes de Pix são baseados em princípios de manipulação psicológica que fazem com que as vítimas ajam impulsivamente. As técnicas utilizadas pelos criminosos envolvem criar um senso de urgência e uma falsa sensação de oportunidade única. Além disso, a confiança no Pix, que é considerado um método seguro, faz com que muitas pessoas não desconfiem dos pedidos de pagamento.
Segundo o estudo da Silverguard, pessoas entre 18 e 29 anos e menores de 18 anos estão entre as faixas etárias mais afetadas pelo golpe da multiplicação de dinheiro. No entanto, mesmo adultos entre 30 e 49 anos foram identificados como alvos frequentes desse tipo de fraude. Em termos de classe social, as vítimas estão espalhadas por todas as faixas, com destaque para a classe AB, onde o prejuízo médio chega a R$ 28.700.
Como Evitar Fraudes e Golpes no Pix

Para se proteger de golpes envolvendo o Pix, é importante seguir algumas orientações básicas e adotar uma postura de cautela ao lidar com solicitações de pagamento, especialmente aquelas que envolvem promessas de ganhos rápidos.
1. Desconfie de Promessas de Retornos Elevados
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Golpes que prometem lucro rápido e multiplicação de dinheiro são, quase sempre, tentativas de fraude. Nenhuma operação de investimento segura oferece retornos garantidos em questão de minutos.
2. Verifique a Legitimidade de Lojas e Serviços
Sempre pesquise a reputação da loja ou do vendedor antes de efetuar um pagamento. Evite realizar transferências para contas pessoais de pessoas que não conhece bem e prefira meios de pagamento com proteção ao consumidor, como cartões de crédito.
3. Utilize o Mecanismo Especial de Devolução (MED)
O Banco Central disponibiliza o MED, uma ferramenta que permite que as vítimas de golpes solicitem a devolução dos valores enviados por engano. Caso perceba que foi vítima de um golpe, entre em contato com seu banco e peça a ativação desse mecanismo.
4. Ative Configurações de Segurança no App do Banco
Ativar a autenticação em dois fatores e utilizar um PIN para aprovar transações pode impedir que criminosos acessem sua conta e realizem transferências fraudulentas.
Considerações finais
Os golpes de Pix são uma preocupação crescente no Brasil, e proteger-se dessas fraudes requer atenção e cautela. A popularidade do Pix não só transformou a maneira como os brasileiros fazem pagamentos, mas também abriu portas para novos tipos de crimes. Para evitar cair em armadilhas, é fundamental desconfiar de promessas que parecem “boas demais para serem verdadeiras” e adotar práticas de segurança ao utilizar o sistema.
