O frio chegou com força à cidade de São Paulo no fim de semana do Dia das Mães e deve continuar predominando ao longo desta semana. A Defesa Civil Municipal decretou estado de atenção para baixas temperaturas em toda a capital no domingo (11), e a tendência, segundo a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), é de que os termômetros se mantenham abaixo da média histórica para o mês de maio.
São Paulo enfrenta semana fria e seca avança no Centro-Sul do Brasil
São Paulo segue com tempo frio e mínimas de 14°C nesta semana. Enquanto isso, seca preocupa no Centro-Sul e chuvas intensas colocam Norte do país em alerta.
A cidade deve registrar mínimas em torno de 14°C e máximas de até 20°C nos próximos dias. A sensação térmica mais intensa ocorre principalmente durante as madrugadas e nas primeiras horas da manhã, o que exige atenção especial da população em situação de rua e grupos vulneráveis.
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Tempo nublado e chuvas isoladas

Perspectiva para os próximos dias em São Paulo
Apesar do frio persistente, a capital paulista não deve registrar grandes volumes de chuva. O tempo nublado continua sendo a característica predominante desta semana, com possibilidade de chuvas isoladas, especialmente no período da noite.
A partir da quinta-feira (15), há previsão de uma leve elevação nas temperaturas, com máximas podendo atingir até 26°C antes do fim de semana. Ainda assim, a sensação de frio deve se manter, especialmente nas madrugadas.
Frio fora de época surpreende paulistanos
Impacto na rotina e aumento na demanda por abrigo
O frio antecipado surpreendeu os moradores da capital e provocou uma rápida mobilização da Prefeitura e da rede de assistência social. A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social intensificou a Operação Baixas Temperaturas, que oferece abrigo, alimentação e roupas para pessoas em situação de rua.
Segundo dados da Defesa Civil, a temperatura média histórica de maio na cidade gira em torno de 17°C, e a persistência de mínimas inferiores a esse patamar acende o sinal de alerta para riscos à saúde da população mais vulnerável.
Seca preocupa Centro-Sul do Brasil
CEMADEN aponta aumento da seca moderada
Se por um lado o frio surpreende São Paulo, por outro, a seca preocupa diversas regiões do Centro-Sul do Brasil. De acordo com o último relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), houve um aumento expressivo no número de municípios sob condições de seca moderada.
O Índice Integrado de Seca de abril mostra que, embora a quantidade de cidades em situação de seca severa e extrema tenha diminuído, o avanço da seca moderada é preocupante, sobretudo por sua persistência ao longo do tempo.
Impactos na agricultura e pastagens
A estiagem prolongada tem impactos diretos sobre a agricultura, a pecuária e o uso da terra. Com menos água disponível para irrigação e para o consumo animal, muitas lavouras já apresentam sinais de estresse hídrico. A produção de milho e feijão, por exemplo, pode sofrer perdas consideráveis caso o quadro se mantenha.
“Essa mudança sinaliza uma tendência de intensificação das condições de seca em pelo menos 400 municípios, que, embora não estejam em cenário crítico, exigem monitoramento contínuo”, afirmou o informe técnico do CEMADEN divulgado na última semana.
Chuvas fortes atingem o Norte do Brasil
INMET declara estado de perigo potencial
Em contraste com a seca no Centro-Sul, a região Norte do Brasil está sob alerta para chuvas intensas nos próximos dias. O INMET emitiu um aviso de “perigo potencial” para os estados de Roraima, Amapá e o norte do Amazonas e Pará.
As chuvas volumosas, típicas do período de transição entre estações na região, aumentam os riscos de alagamentos, deslizamentos de terra e elevação de rios, principalmente nas áreas urbanas mais vulneráveis.
O alerta serve também como sinal para a Defesa Civil e prefeituras reforçarem planos de contingência e comunicação com a população.
Clima imprevisível pressiona preços e inflação

Estiagem pode influenciar inflação dos alimentos
O impacto climático começa a ser refletido também nos indicadores econômicos. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) aponta a imprevisibilidade do tempo como um dos fatores que contribuem para a volatilidade nos preços dos alimentos.
Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma inflação de 0,82% para o grupo de alimentos e bebidas, com destaque para itens como arroz, feijão, leite e carne. Especialistas alertam que a combinação de seca prolongada no Centro-Sul e excesso de chuvas no Norte pode agravar ainda mais esse cenário.
Governo monitora cenário com atenção
O governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar, acompanha de perto os efeitos do clima sobre a produção agrícola. Há preocupação com o aumento dos custos de produção e a necessidade de ampliar políticas de apoio aos pequenos produtores atingidos pela seca.
A ministra Simone Tebet, do Planejamento, declarou recentemente que o cenário inflacionário dos alimentos será acompanhado “com lupa”, especialmente diante de um ano marcado por instabilidades climáticas.
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Perspectivas para os próximos meses
Inverno pode ser mais seco e irregular
Especialistas em climatologia apontam que o inverno de 2025 poderá ser marcado por um padrão irregular de chuvas, com tendência de seca prolongada nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste. Esse cenário está atrelado à transição entre os fenômenos El Niño e La Niña, que influenciam diretamente o regime de chuvas no Brasil.
Segundo o meteorologista Marcelo Schneider, do INMET, a estação mais fria do ano deve apresentar um comportamento atípico: “Há uma expectativa de inverno seco em grande parte do país, o que pode acentuar os efeitos da estiagem registrada desde o fim do verão”, afirmou.
Regiões mais afetadas pela seca em abril
Estados em estado de alerta
O relatório do CEMADEN destacou quatro estados como os que mais preocupam neste momento:
- Rio Grande do Sul: após enchentes no início do ano, o estado enfrenta agora irregularidade hídrica no campo.
- Bahia: o semiárido baiano continua com baixos índices de chuva.
- Alagoas: parte do agreste alagoano já registra perdas na lavoura.
- Sergipe: agricultores enfrentam dificuldades com pastagem e abastecimento.
Ações de prevenção e mitigação
Defesa Civil e órgãos federais mobilizados
Para enfrentar os efeitos do clima adverso, a Defesa Civil Nacional vem reforçando ações de apoio aos estados e municípios. Entre as medidas estão o envio de carros-pipa, liberação de recursos emergenciais e apoio logístico às prefeituras mais afetadas.
Além disso, o governo federal deve lançar, ainda em maio, um novo plano de monitoramento climático integrado, com dados cruzados entre INMET, CEMADEN, ANA (Agência Nacional de Águas) e IBGE, com o objetivo de prever e reagir mais rapidamente a eventos extremos.
Considerações Finais

A combinação entre frio atípico em São Paulo, seca prolongada no Centro-Sul e chuvas intensas no Norte desenha um panorama climático complexo para o Brasil neste mês de maio. O impacto na saúde, na agricultura e na economia exige atenção das autoridades e da população.
Enquanto São Paulo se protege do frio, o restante do país precisa lidar com as incertezas de um clima cada vez mais instável, cujas consequências se desdobram não apenas no cotidiano, mas também na segurança alimentar e nos preços que chegam à mesa dos brasileiros.
