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Legacy e Itaú criam alternativas à queda de ativos isentos com novos fundos

Mudanças regulatórias estão limitando LCIs, CRIs e CRAs. Em resposta, Itaú e Legacy lançam fundos incentivados com isenção fiscal e mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
itau legacy

As recentes decisões do Conselho Monetário Nacional (CMN) estão transformando o mercado de renda fixa no Brasil. Com restrições à emissão de títulos isentos, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA), investidores e instituições financeiras precisaram se adaptar rapidamente. O resultado foi o lançamento de novos fundos incentivados de infraestrutura, que mantêm o benefício fiscal e oferecem maior segurança estrutural para quem aplica.

Dentre os destaques, estão os fundos ISEN11 e ISET11 do Itaú, com uma meta de captação combinada de R$ 13 bilhões, e o XP Legacy Credit Horizon Sênior, da gestora Legacy em parceria com a XP, com um volume inicial de R$ 500 milhões. Esses fundos surgem como alternativas diretas às LCIs e LCAs, oferecendo isenção de imposto de renda, baixo risco e retorno atrelado ao CDI.

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Imagem: casa.da.photo / shutterstock.com

Entenda o que mudou nas regras para investimentos isentos

Novas restrições do CMN afetam diretamente CRIs, CRAs, LCIs e LCAs

Em 2024, o CMN impôs uma série de limitações ao mercado de títulos isentos. Entre as principais mudanças estão:

  • Redução do prazo de carência das LCIs e LCAs de nove para seis meses;
  • Restrições ao lastro dos CRIs e CRAs, proibindo que os créditos emitidos tenham como devedor ou garantidor uma empresa de capital fechado fora do setor imobiliário ou do agronegócio.

Essas medidas dificultam a emissão de papéis isentos, principalmente por empresas de outros setores que utilizavam esses instrumentos como fontes de financiamento, como hospitais e prestadores de serviços de saúde.

A resposta do mercado: novos fundos incentivados com proteção estrutural

Fundos ISEN11 e ISET11 do Itaú

O Itaú lidera esse movimento com o lançamento de dois fundos listados em bolsa:

  • ISEN11: com meta de captação de R$ 6 bilhões, retorno estimado de 96% do CDI, vencimento em março de 2029.
  • ISET11: com captação-alvo de R$ 7 bilhões, retorno de 95% do CDI, com vencimento em setembro de 2028.

Ambos os fundos são estruturados com cotas sêniores e subordinadas, sendo que a Itaú Holding detém as cotas subordinadas, equivalentes a 20% da carteira. Essa configuração cria uma proteção adicional para os cotistas sêniores, que são os investidores em geral — caso haja perdas, os primeiros impactos são absorvidos pelas cotas subordinadas.

Além disso, os fundos oferecem recompra das cotas no mercado secundário, com retorno mínimo garantido de 93% do CDI, o que confere mais liquidez e previsibilidade ao investidor.

Fundo XP Legacy Credit Horizon Sênior

Em paralelo, a gestora Legacy lançou, junto à XP, o XP Legacy Credit Horizon Sênior, com captação inicial de R$ 500 milhões. Esse fundo também adota a estrutura de cotas sêniores e subordinadas, com a própria Legacy assumindo o risco das cotas subordinadas, que equivalem a 10% do fundo.

O fundo busca entregar um retorno alvo de 97% do CDI, com prazo de resgate de 30 dias, posicionando-se como uma alternativa ainda mais atrativa frente às tradicionais LCIs e LCAs, especialmente após a redução do volume de emissão desses papéis no mercado.

Comparativo entre os produtos

FundoRetorno alvoVencimentoProteção estruturalIsenção de IRLiquidez
ISEN11 (Itaú)96% do CDIMarço de 202920% em cotas subordinadasSimRecompra secundária (mín. 93%)
ISET11 (Itaú)95% do CDISetembro de 202820% em cotas subordinadasSimRecompra secundária (mín. 93%)
XP Legacy Horizon (Legacy)97% do CDIResgate em 30 dias10% em cotas subordinadasSimD+30

Por que os fundos incentivados são a nova aposta dos investidores?

Imagem de uma pessoa digitando e ilustração com gráficos e casas em miniatura, representando fundos imobiliários.
Imagem: Song_about_summer / shutterstock.com

Isenção fiscal com mitigação de risco

A principal vantagem dos fundos incentivados de infraestrutura é que, assim como as LCIs, LCAs, CRIs e CRAs, eles são isentos de Imposto de Renda para pessoa física, tornando-se atrativos em um cenário de alta demanda por renda fixa com rentabilidade líquida elevada.

Além disso, a estrutura com cotas subordinadas oferece um colchão de segurança adicional. O investidor comum compra a cota sênior, que tem prioridade no recebimento e é protegida contra os primeiros impactos de inadimplência ou perdas do portfólio.

Baixa volatilidade e previsibilidade

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Os fundos são compostos por ativos de infraestrutura com contratos de longo prazo, como concessões, debêntures incentivadas e outros instrumentos que possuem garantias robustas e risco controlado. Isso garante ao investidor previsibilidade de fluxo de caixa e menor exposição à volatilidade de mercado.

Substituição às LCIs e LCAs, em escassez

A limitação regulatória sobre os títulos bancários isentos fez com que o volume de novas emissões de LCIs e LCAs despencasse. Isso gerou um descompasso entre demanda e oferta, o que elevou o interesse por instrumentos com vantagens fiscais similares, como os fundos incentivados.

O que esperar do mercado nos próximos meses

imposto de renda b3
Imagem: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

Maior participação de fundos listados na B3

A tendência é de crescimento expressivo desses produtos na B3. O modelo de fundo listado em bolsa facilita o acesso do investidor pessoa física, com transparência, liquidez e governança, seguindo os moldes dos fundos imobiliários (FIIs), mas com o diferencial do benefício fiscal mantido.

Aumento da competição entre gestoras

Com a entrada de gigantes como Itaú, XP e Legacy, é natural que outras gestoras lancem seus próprios fundos estruturados para captar parte da demanda reprimida por ativos isentos. Isso deve impulsionar a inovação nos modelos de proteção e rentabilidade, beneficiando o investidor final.

Possível revisão futura da tributação

Embora hoje os fundos incentivados sejam isentos de IR, há discussões no governo sobre a reforma tributária, e o mercado monitora possíveis mudanças que afetem esse tipo de produto no médio prazo. Ainda assim, no cenário atual, esses fundos são uma das poucas opções isentas ainda amplamente disponíveis.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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