A mobilidade elétrica tem se consolidado como uma das principais estratégias globais para conter as emissões de carbono e frear os impactos da crise climática. Com políticas públicas de incentivo, avanço tecnológico e maior oferta de modelos, os carros elétricos ganharam espaço nas ruas, nas concessionárias e no imaginário coletivo como símbolos de inovação e sustentabilidade. No entanto, junto ao crescimento da frota e da infraestrutura de recarga, surge uma ameaça silenciosa, mas crescente: os furtos de cabos de carregamento.
Carros elétricos enfrentam problema maior do que falta de carregador: cabos roubados em massa
Furtos de cabos de carros elétricos disparam em vários países, ameaçando a expansão da mobilidade sustentável.
Este problema, que inicialmente parecia pontual, tem se alastrado por grandes cidades da Europa, América do Norte e América Latina, provocando atrasos na expansão da infraestrutura, gerando prejuízos milionários e alimentando o temor de que a mobilidade elétrica perca força antes mesmo de se consolidar.
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Por que os cabos de carros elétricos viraram alvo de criminosos?
O principal fator por trás da onda de furtos está no material utilizado na fabricação dos cabos de recarga: o cobre, metal altamente valorizado no mercado internacional e com demanda crescente devido à transição energética global. Usado em motores, fiações e conectores, o cobre se tornou um dos insumos estratégicos mais procurados no contexto da eletrificação.
Motivos que explicam o interesse dos criminosos
- Alto valor do cobre: Com cotação internacional em alta, o cobre presente nos cabos pode ser revendido com lucro imediato no mercado ilegal.
- Facilidade de retirada: Estações de carregamento instaladas em áreas públicas ou com pouca vigilância tornam-se alvos fáceis.
- Mercado paralelo de reciclagem: Muitos ferros-velhos e recicladoras compram cobre sem exigir comprovação de origem, facilitando a revenda de material furtado.
- Baixo risco penal: Em muitos países, os furtos de cabos não são tipificados como crimes graves, o que reduz o efeito dissuasório das penas previstas.
Além disso, os cabos de recarga rápida, com maior diâmetro e potência, possuem quantidades maiores de cobre, o que os torna ainda mais atrativos para furtos em larga escala.
O impacto global: o que está acontecendo em outros países?
Cidades como Berlim, Londres, Seattle, Toronto e Barcelona já enfrentam uma crise de infraestrutura de recarga por conta dos ataques frequentes às estações públicas. Na Alemanha, por exemplo, a EnBW, uma das principais operadoras do setor, registrou mais de 900 incidentes de furto em apenas alguns meses de 2025.
Os danos vão além do prejuízo material:
- Interrupção de estações por dias ou semanas
- Perda de confiança dos usuários na confiabilidade da rede de recarga
- Aumento dos custos operacionais com substituições e reparos
- Risco de incêndio ou choque elétrico em estações danificadas
- Desincentivo à compra de veículos elétricos, especialmente entre novos consumidores
Em países em que a mobilidade elétrica ainda está em fase de popularização, como o Brasil, o México e a África do Sul, casos pontuais já estão sendo registrados, indicando que o problema pode se tornar um desafio global nos próximos anos.
Quais são as soluções adotadas internacionalmente?
Para conter a onda de furtos e garantir a expansão segura da infraestrutura de recarga, operadoras, governos e fabricantes têm apostado em táticas tecnológicas, físicas e legislativas.
Iluminação e vigilância ativa
A instalação de sistemas de iluminação intensa em áreas de recarga e a adoção de câmeras de alta resolução com monitoramento remoto têm sido as primeiras medidas implementadas. Estudos mostram que estacionamentos bem iluminados reduzem em até 60% os crimes patrimoniais.
Cabos com rastreamento GPS
Uma inovação em testes em países como Suécia e Holanda são os cabos com dispositivos de rastreamento embutidos, que enviam alertas em tempo real caso sejam desconectados de forma não autorizada. Os sinais de GPS permitem que a polícia identifique o local exato do roubo e recupere o material com mais agilidade.
Marcações químicas e tintas de identificação
Algumas empresas estão aplicando marcadores invisíveis ou tintas químicas permanentes nos cabos, que permitem identificar a origem do produto mesmo após derretimento ou modificação. Essa medida dificulta a revenda clandestina e serve como prova legal em investigações.
Cabos reforçados e estruturas blindadas
Em parceria com fabricantes, algumas operadoras têm desenvolvido cabos revestidos com materiais quase impossíveis de cortar, como ligas metálicas reforçadas e estruturas em espiral. Além disso, postes blindados e sistemas de travamento digital dificultam o acesso não autorizado aos componentes internos.
O seguro cobre furto de cabos de carregamento?
A questão da cobertura de seguros em casos de furto de cabos varia conforme o tipo de apólice, o local do incidente e o perfil do segurado. No geral:
Seguros empresariais
Empresas que operam estações de recarga públicas ou privadas costumam contar com seguros patrimoniais específicos, que incluem danos por furto qualificado (com indícios de arrombamento ou vandalismo). Algumas seguradoras já oferecem produtos dedicados ao setor de mobilidade elétrica, com coberturas que incluem:
- Danos à infraestrutura de recarga
- Roubo de cabos e conectores
- Interrupções de operação
- Responsabilidade civil por acidentes
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Seguros para veículos particulares
Em casos em que o proprietário do carro elétrico possui um carregador residencial, o furto do cabo pode ou não estar coberto, dependendo do contrato. É essencial verificar as cláusulas da apólice residencial ou veicular.
Recomendação
A recomendação para consumidores e empresas é sempre consultar um corretor de seguros e revisar as coberturas existentes, ajustando ou contratando proteções adicionais conforme a realidade da operação.
O papel da legislação no combate aos furtos
A ausência de legislação específica sobre furto de cabos de carregamento elétrico limita a eficácia das ações de repressão e julgamento. Em alguns países, o crime é tratado como furto simples de material metálico, sem considerar seu papel essencial na mobilidade urbana sustentável.
Propostas em andamento
Vários países e estados já iniciaram discussões legislativas para incluir os cabos de recarga como parte da infraestrutura pública crítica, o que pode resultar em:
- Penas mais severas para os criminosos
- Tipificação penal específica para furtos que comprometam a mobilidade elétrica
- Facilitação de acordos entre polícia, operadores e municípios para resposta rápida
No Brasil, embora não exista ainda uma legislação federal específica sobre o tema, estados como São Paulo e Rio de Janeiro já discutem iniciativas para regularizar a compra e venda de sucata de cobre, obrigando empresas recicladoras a exigirem nota fiscal de origem.
O futuro da mobilidade elétrica depende da confiança na infraestrutura
O sucesso da mobilidade elétrica não está atrelado apenas à venda de veículos e à instalação de postos de recarga. Ele depende da confiança do usuário em encontrar estações funcionais, seguras e disponíveis. Quando essa confiança é abalada por atos de vandalismo e furtos recorrentes, o impacto pode ser profundo.
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Imagem: Reprodução
