Gasolina pode ficar ainda mais barata: veja o que disse a presidente da Petrobras!
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira, 26 de maio de 2025, que os preços dos combustíveis vendidos pela estatal às distribuidoras estão atualmente abaixo do valor de paridade de importação (PPI).
A declaração foi feita durante o evento “Nova Indústria Brasil”, realizado na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.
Chambriard sinalizou ainda que, caso os preços internacionais do petróleo sigam em queda, a estatal pode realizar novos cortes nos valores da gasolina, diesel e querosene de aviação (QAV) nos próximos dias.
Leia mais:
Gasolina não vale a pena em SP; confira onde o etanol é mais vantajoso no Brasil
O que é o preço de paridade de importação (PPI)?

O preço de paridade de importação é um referencial de mercado que considera quanto custaria trazer um produto do exterior para o Brasil, incluindo:
- Preço internacional do petróleo ou do derivado, como a gasolina ou o diesel;
- Custo de frete marítimo e portuário;
- Taxas alfandegárias;
- Custos internos de transporte até as bases de distribuição.
Durante anos, a Petrobras utilizou o PPI como base para precificar seus combustíveis. Essa política foi adotada em 2016 e, até 2023, orientava os ajustes automáticos de preços. Desde então, o governo Lula promoveu mudanças na política de preços da estatal, abrindo margem para desvinculação do PPI sempre que for considerado benéfico ao mercado interno.
Nova política de preços da Petrobras
A gestão de Magda Chambriard dá continuidade à política iniciada em 2023, que busca maior previsibilidade e menor volatilidade nos preços, protegendo o consumidor brasileiro de oscilações bruscas no mercado internacional. Em vez do repasse automático das variações do petróleo e do câmbio, a companhia avalia condições internas e externas para definir os reajustes.
“Tanto gasolina quanto diesel, estamos abaixo do preço de paridade. Então, por enquanto, estamos acompanhando. E se cair mais o preço do petróleo, é certo que vamos reduzir os preços dos combustíveis”, disse Chambriard no evento.
Reduções recentes no preço do diesel A
Desde o dia 1º de abril de 2025, a Petrobras realizou três reduções no preço médio do diesel A comercializado com as distribuidoras. Os cortes somaram R$ 0,45 por litro, refletindo o recuo no preço internacional do petróleo tipo Brent nas últimas semanas.
Histórico das reduções
- 1ª queda: início de abril, redução de R$ 0,18 por litro;
- 2ª queda: segunda quinzena de abril, redução de R$ 0,12 por litro;
- 3ª queda: início de maio, nova redução de R$ 0,15 por litro.
O movimento é visto como um esforço da estatal para reduzir o impacto dos combustíveis no orçamento dos brasileiros e conter pressões inflacionárias, ao mesmo tempo em que mantém sua rentabilidade operacional.
Impacto no consumidor final
Apesar da redução nos preços cobrados das distribuidoras, nem sempre o repasse é imediato aos consumidores nos postos de gasolina. Isso ocorre porque outros fatores influenciam os preços nas bombas, como:
- Margem de lucro dos revendedores;
- Impostos estaduais e federais;
- Custo de transporte e armazenamento;
- Políticas regionais de ICMS.
Ainda assim, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel e da gasolina apresentou leve recuo nas últimas semanas, indicando que parte das reduções vem sendo sentida pelos motoristas.
Expectativas para os próximos dias
Magda Chambriard reiterou que a Petrobras está confortável com a atual política de preços, mas que novas reduções não estão descartadas. A condição é que o preço do petróleo Brent continue em queda, o que poderia abrir espaço para novos ajustes.
“Não é só gasolina, não. Diesel e QAV também. Mas, nesse momento, estamos confortáveis”, disse a presidente.
A fala reforça o compromisso da gestão atual em alinhar competitividade e responsabilidade social, sem prejudicar a sustentabilidade financeira da estatal.
Situação atual do petróleo no mercado internacional
O barril do petróleo tipo Brent, referência para o mercado internacional, vem operando em queda desde o fim de abril, após semanas de instabilidade geopolítica e sinais de desaceleração econômica global.
Fatores que influenciam a cotação
- Redução da demanda na China;
- Estoque elevado nos EUA;
- Produção estável dos países da Opep+;
- Expectativas de menor crescimento global em 2025.
Essa combinação de fatores tem levado o preço do barril para abaixo dos US$ 80, o que representa uma margem de alívio para importadores e refinadores, como a Petrobras.
Combustíveis e a inflação no Brasil
Os combustíveis têm peso significativo no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no país. A redução nos preços de gasolina e diesel contribui diretamente para a desaceleração dos preços ao consumidor, além de impactar indiretamente setores como transporte e alimentos.
A expectativa é que os cortes feitos pela Petrobras ao longo do segundo trimestre de 2025 ajudem o Banco Central em seu esforço de manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
QAV também está no radar
O querosene de aviação (QAV), usado por aeronaves comerciais, também está abaixo da paridade, segundo Magda Chambriard. Esse fator pode beneficiar empresas aéreas e contribuir para uma possível redução nas tarifas de passagens, um dos pontos de atenção do governo federal em sua política de combate à alta de preços no setor aéreo.
Desdobramentos políticos e econômicos

A atuação da Petrobras nesse contexto é acompanhada de perto pelo Palácio do Planalto, que tem defendido uma estatal forte, mas que atue em favor do desenvolvimento nacional.
A política de preços abaixo da paridade, quando sustentável, é vista como um instrumento de equilíbrio econômico e social, especialmente diante de um cenário ainda instável.
Pressão de setores produtivos
Entidades do agronegócio, transporte e indústria têm elogiado os cortes recentes e defendem a manutenção de preços internos abaixo da média internacional como forma de aumentar a competitividade nacional.
Por outro lado, especialistas alertam que a Petrobras precisa preservar sua lucratividade, especialmente diante da previsão de novos investimentos em exploração e transição energética.
Considerações finais
A decisão da Petrobras de manter os preços dos combustíveis abaixo do preço de paridade de importação demonstra a estratégia da estatal de conciliar responsabilidade social com estabilidade financeira.
A queda no petróleo internacional criou um ambiente propício para a redução de preços, e a companhia vem aproveitando essa janela para oferecer alívio aos consumidores e setores produtivos.
A expectativa é que, caso o barril continue em queda, novas reduções ocorram nas próximas semanas, beneficiando diretamente o bolso do consumidor e colaborando com o controle da inflação.
Enquanto isso, a Petrobras se posiciona como agente ativo no processo de desenvolvimento nacional, mantendo seu protagonismo não apenas no setor energético, mas também na política econômica do país.