A GenZ (Geração Z), formada por jovens nascidos entre meados de 1995 e 2010, tem sido alvo de críticas por seus hábitos de consumo considerados excessivos e impulsivos. Ingressos para shows, viagens internacionais, baladas e gastos com experiências são prioridades para esse grupo.
Por que a GenZ culpa as escolas pelos seus hábitos de consumo?
GenZ culpa escolas por não ensinarem educação financeira, dificultando hábitos saudáveis de consumo e aumentando a dependência familiar.
No entanto, um novo estudo revela que, por trás do comportamento consumista, há uma percepção generalizada de que o sistema educacional falhou em prepará-los para lidar com o dinheiro de forma responsável.
De acordo com uma pesquisa realizada pela organização Young Enterprise em parceria com o banco HSBC, quase dois terços dos jovens de 19 a 28 anos da Geração Z sentem que são julgados negativamente por sua relação com o dinheiro. Para muitos, as críticas vêm principalmente da família. Cerca de 39% dos entrevistados afirmam que seus parentes são os maiores críticos, enquanto 17% apontam as redes sociais como fontes constantes de julgamento.
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Jovens admitem dificuldades para economizar

Apesar das críticas, os próprios jovens admitem que tentam economizar — mas simplesmente não sabem como. Quase metade dos entrevistados culpa a ausência de uma formação financeira adequada nas escolas como a razão para não conseguirem desenvolver bons hábitos financeiros. Um quinto dos jovens declarou que jamais aprendeu a lidar com finanças pessoais durante o ensino fundamental ou médio. A consequência direta dessa lacuna educacional é a busca por orientação em fontes alternativas, como os chamados “finfluenciadores” — influenciadores digitais especializados em finanças.
A confiança depositada por esse público em criadores de conteúdo nas redes sociais para aprender sobre poupança, investimentos e orçamento pessoal aponta para uma tentativa de preencher o vácuo deixado pelo sistema educacional. No entanto, especialistas alertam que nem sempre essas fontes oferecem informações confiáveis ou adequadas ao perfil de cada jovem.
Realidade econômica pressiona os jovens
Alta do custo de vida e insegurança no mercado de trabalho impactam finanças da Geração Z
A crítica da Geração Z às instituições educacionais também está relacionada a um cenário econômico desafiador. A inflação, o aumento do custo de vida e as dificuldades de inserção no mercado de trabalho tornam a situação ainda mais delicada para esses jovens. Segundo o mesmo estudo, um quarto da geração afirma que sua renda não cobre as despesas mensais básicas — índice superior à média da população, que é de 17%.
A instabilidade financeira tem levado muitos jovens a manterem uma dependência significativa de seus pais. Isso se reflete na popularização do termo “mesada estendida”, onde adultos jovens ainda são apoiados financeiramente mesmo após os 18 anos. De acordo com um relatório recente, cerca de 50% dos pais continuam financiando ao menos um filho adulto, cobrindo gastos como mercado, plano de saúde, contas telefônicas e até aluguel.
O custo médio mensal dessa assistência gira em torno de US$ 1.813 por filho — valor que, segundo o estudo, é 2,3 vezes superior ao que os pais destinam à própria aposentadoria. Essa inversão de prioridades, embora compreensível em um contexto de dificuldades econômicas, gera tensões nas famílias e questionamentos sobre a autonomia financeira da nova geração.
Consumo ostentatório e julgamentos sociais
Críticas familiares e culturais acentuam a pressão sobre jovens
A tensão geracional fica mais evidente quando se observa os gastos considerados supérfluos por parte da Geração Z. Um exemplo simbólico é a disposição em gastar valores expressivos para assistir a shows de artistas como Taylor Swift, mesmo que isso implique utilizar parte do dinheiro destinado ao aluguel ou recorrer ao cartão de crédito.
Esses comportamentos são frequentemente criticados pelos pais, que não apenas observam os gastos, mas muitas vezes também os financiam. Para muitos adultos, é incongruente sustentar os filhos e, ao mesmo tempo, vê-los priorizar luxos e experiências. Esse contraste entre o apoio oferecido e as escolhas de consumo feitas pelos jovens acentua a percepção de irresponsabilidade e falta de preparo financeiro.
O papel das escolas e universidades na formação financeira

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Ausência de disciplinas práticas contribui para fragilidade econômica
A crítica mais contundente da Geração Z não recai apenas sobre os pais, mas principalmente sobre o sistema educacional. Para os jovens, a escola os preparou para resolver equações e escrever redações, mas não para administrar um orçamento, calcular juros ou entender a importância de investimentos e previdência.
Essa lacuna na formação tem sido reconhecida também por educadores e especialistas. Em um mundo cada vez mais dinâmico e digital, com acesso facilitado ao crédito e ao consumo online, a ausência de uma base sólida de educação financeira pode ter impactos duradouros. Pais e filhos, inclusive, concordam que essa preparação deveria fazer parte do currículo escolar obrigatório.
Rumo a uma geração mais rica, mas ainda despreparada
Heranças e progressão de carreira podem mudar o cenário — mas não sem riscos
Apesar dos desafios atuais, as projeções econômicas indicam que a Geração Z pode se tornar a mais rica da história. Estima-se que, nas próximas décadas, o grupo acumule até US$ 36 trilhões em patrimônio, fruto de heranças e do avanço em suas carreiras. No entanto, especialistas alertam que esse crescimento financeiro pode ser comprometido caso os jovens não desenvolvam habilidades básicas de gestão financeira.
A falta de educação formal na área, aliada ao consumo impulsivo e à dependência familiar, representa um risco para a sustentabilidade econômica dessa geração no futuro. Com a responsabilidade de administrar fortunas e manter estabilidade em um cenário global incerto, o conhecimento prático e o planejamento financeiro se tornam cruciais.
Imagem: Freepik

