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Globo e SBT querem entrar no mercado de apostas; entenda como

Globo e SBT estão expandindo para o mercado de apostas esportivas, utilizando parcerias internacionais para contornar restrições legais.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
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Os conglomerados de mídia por trás da Globo e SBT estão interessados em participar do lucrativo mercado de apostas esportivas no Brasil.

Recentemente, ambas as empresas solicitaram autorização ao Ministério da Fazenda para operar no setor, uma ação que traz à tona questões sobre a regulamentação e possíveis conflitos de interesse.

No entanto, a legislação em vigor no país, criada para regulamentar o mercado de apostas, estabelece uma série de limitações.

A principal delas é a proibição para que empresas que adquiram, licenciem ou financiem direitos de transmissão e reprodução de eventos esportivos atuem também como operadoras de apostas. Ainda assim, as emissoras encontraram maneiras de contornar essa restrição.

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Parcerias estratégicas com multinacionais

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Imagem: Marko Aliaksandr / Shutterstock.com

Para entrar no mercado sem violar as normas, Globo e SBT adotaram uma estratégia de parcerias com empresas internacionais.

O Grupo Globo, por exemplo, fechou um acordo com a Leo Vegas, subsidiária da gigante MGM, uma das maiores operadoras de cassinos do mundo. Para isso, utilizaram os CNPJs de suas subsidiárias Cartola e Globo Ventures, mantendo assim uma participação minoritária no negócio de apostas.

Já o SBT apostou em uma parceria com a britânica OpenBet, uma empresa consolidada no setor de apostas esportivas. A nova marca de apostas do canal será chamada “TQJ — Todos Querem Jogar” e terá à frente Patrícia Abravanel, herdeira da emissora.

Como funciona a regulamentação para apostas

A legislação brasileira, por meio da Lei 14.790, limita a atuação de empresas que possuam controle direto sobre eventos esportivos no mercado de apostas. Isso inclui não apenas as próprias emissoras, mas também suas controladas e controladoras.

A intenção da regra é evitar que conglomerados de mídia se beneficiem de informações exclusivas sobre eventos que transmitem, desequilibrando o mercado de apostas.

Segundo especialistas, essa medida visa proteger as empresas de mídia da concorrência desleal e do aumento dos custos dos direitos de transmissão, que poderiam inflacionar com a entrada de grandes operadores de apostas no mercado esportivo.

Modelos internacionais de regulação

Em países como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, empresas de mídia podem atuar no mercado de apostas, desde que cumpram certas restrições, principalmente relacionadas à publicidade. Nessas nações, a legislação busca garantir a transparência e a separação entre a operação de apostas e a transmissão de eventos esportivos.

Já na Europa continental, países como França e Alemanha possuem regras mais rígidas, impedindo completamente que uma empresa de mídia se envolva no setor de apostas.

No Brasil, embora o cenário ainda esteja em desenvolvimento, especialistas acreditam que a estratégia adotada por Globo e SBT — de manter participações minoritárias em consórcios com multinacionais — é um caminho viável para que essas empresas entrem no mercado sem ferir as regulamentações em vigor.

Investimentos das emissoras no setor

Pessoas apontando o controle para TV
Imagens: Tomas Urbelionis/shutterstock.com

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A entrada da Globo e do SBT no mercado de apostas envolve cifras significativas. O Grupo Globo, por exemplo, investiu R$ 54,2 milhões em sua parceria com a Leo Vegas, correspondendo a 49,97% do capital da empresa, que foi registrada com um capital social de R$ 108,45 milhões.

A gestão do negócio ficará a cargo de Alessandra Catran Lewit, atual diretora do Cartola, um dos principais produtos de futebol da Globo.

No caso do SBT, a parceria com a OpenBet marca uma nova fase para a emissora, que também detém os direitos de transmissão de grandes competições esportivas, como a Libertadores e a Liga dos Campeões. A emissora busca diversificar suas fontes de receita em meio ao crescente mercado de apostas no Brasil.

Expectativas para o futuro

Tanto Globo quanto SBT esperam obter a licença da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) para operar legalmente no setor. Segundo o advogado Luiz Felipe Maia, especializado em regulamentação de apostas, as empresas de mídia têm condições de cumprir os requisitos legais devido à participação minoritária nos empreendimentos, o que evita conflitos diretos com as regras vigentes.

A tendência é que o mercado brasileiro de apostas continue a crescer, impulsionado pelo interesse das grandes emissoras e pelas parcerias com multinacionais já consolidadas no setor. Resta acompanhar como as autoridades reguladoras lidarão com essa nova realidade e garantirão a transparência e competitividade do mercado.

A entrada de Globo e SBT no mercado de apostas representa um marco importante para o setor no Brasil. Com parcerias internacionais e estratégias que contornam as restrições legais, essas emissoras demonstram sua capacidade de adaptação e inovação em busca de novas fontes de receita.

Contudo, o desafio será garantir que a expansão desse mercado seja realizada de forma justa e transparente, sem comprometer a ética e a independência editorial das emissoras.

Imagem: Joédson Alves / Agência Brasil

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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