Um investidor sofreu uma perda milionária de US$ 91 milhões (aproximadamente R$ 493 milhões) em bitcoin após cair em um golpe de engenharia social. O caso, ocorrido na terça-feira, 19, chamou atenção do mercado de criptomoedas pela sofisticação dos criminosos e pela dificuldade de rastrear os ativos.
Segundo especialistas, este episódio reforça a vulnerabilidade de investidores, mesmo experientes, diante de técnicas de manipulação psicológica e sociais, que não exigem conhecimento técnico avançado.
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Como aconteceu o golpe de engenharia social
De acordo com ZachXBT, investigador de renome no setor de criptomoedas, o ataque envolveu uma combinação de técnicas de persuasão e manipulação.
- Número de bitcoins roubados: 783 unidades;
- Valor estimado: US$ 91 milhões, cerca de R$ 493 milhões;
- Método de ataque: engenharia social, sem invasão técnica;
- Carteira usada pelos criminosos: Wasabi Wallet, conhecida por ferramentas de privacidade e anonimização de transações.
Estratégia dos criminosos
Os golpistas se passaram por equipe de suporte de empresas de carteira digital e corretoras de criptomoedas, convencendo o investidor a fornecer credenciais de acesso à sua carteira.
Com os dados obtidos, eles transferiram todos os bitcoins para uma carteira controlada por eles e, em seguida, enviaram os ativos para a Wasabi Wallet, dificultando o rastreio e a recuperação.
ZachXBT destacou que muitas informações pessoais ficam expostas online, permitindo que criminosos identifiquem quais plataformas o investidor utiliza, facilitando golpes desse tipo.
Engenharia social: o perigo invisível no mercado cripto
A engenharia social não requer habilidades técnicas complexas, como invasão de sistemas ou ataques de malware. O principal objetivo é enganar o usuário para que este forneça dados críticos voluntariamente, como senhas e chaves privadas.
Como os golpes são aplicados
Golpistas podem utilizar:
- Chamadas telefônicas se passando por suporte técnico;
- Emails falsos com links de phishing;
- Mensagens em aplicativos e redes sociais que aparentam ser de corretoras ou exchanges;
- Manipulação psicológica, como senso de urgência, medo ou oportunidade imperdível.
Essas práticas têm se tornado cada vez mais comuns, especialmente entre investidores iniciantes ou desatentos, mas também afetam traders experientes.
2025: um ano crítico para golpes em criptomoedas

O golpe do investidor milionário se soma a um ano marcado por grandes roubos no setor de criptoativos. Dados recentes indicam que, apenas no primeiro semestre de 2025, foram roubados US$ 3,1 bilhões em bitcoin e outras criptomoedas.
Comparação com anos anteriores
- 2024: perdas anuais abaixo de US$ 3 bilhões;
- 2025 (1º semestre): US$ 3,1 bilhões roubados, já superando 2024;
- Tendência: aumento de golpes envolvendo engenharia social, phishing e ataques direcionados a carteiras digitais.
Analistas apontam que a crescente valorização das criptomoedas e a expansão de investidores individuais contribuem para o aumento de fraudes.
Wasabi Wallet e anonimização de transações
Uma das características que dificultam a recuperação dos ativos roubados é o uso de carteiras com foco em privacidade, como a Wasabi Wallet.
Funcionalidades da Wasabi Wallet
- Mistura de transações (coinjoin), dificultando rastrear origem e destino dos bitcoins;
- Forte anonimato para usuários;
- Proteção contra análise forense de blockchain.
Especialistas afirmam que, embora útil para proteger a privacidade, esse tipo de ferramenta também facilita atividades ilícitas, como lavagem de criptomoedas e ocultação de golpes.
Reações do mercado de criptomoedas
O caso ganhou destaque no setor, provocando alerta entre investidores e corretoras digitais.
Recomendações de segurança
- Verificação em duas etapas (2FA) em todas as contas;
- Não fornecer credenciais de acesso a terceiros;
- Confirmar identidade de qualquer pessoa que se declare suporte técnico;
- Evitar clicar em links de emails ou mensagens suspeitas;
- Revisar configurações de privacidade e segurança de carteiras digitais.
Especialistas também recomendam congelar grandes quantidades de ativos em carteiras offline (cold wallets), que não estão conectadas à internet, para reduzir riscos de ataques.
Perfil da vítima e impacto psicológico
Apesar de a identidade do investidor não ter sido revelada, ZachXBT comentou que vítimas de engenharia social sofrem não apenas perdas financeiras, mas também impactos psicológicos consideráveis.
- Medo e desconfiança em relação ao mercado;
- Relutância em realizar novas transações;
- Possível retração de investimentos futuros.
Esses fatores reforçam a importância de educação financeira e treinamento em segurança digital, especialmente em mercados de alta volatilidade como o de criptomoedas.
Tecnologias de rastreio e investigação de golpes
Embora o uso de ferramentas como Wasabi Wallet dificulte a identificação dos criminosos, especialistas utilizam técnicas de blockchain analytics para rastrear transações e identificar padrões suspeitos.
Ferramentas utilizadas
- ZachXBT e outros investigadores analisam o fluxo de moedas para encontrar endereços intermediários;
- Monitoramento de exchanges para detectar depósitos ou saques suspeitos;
- Colaboração com autoridades para identificar contas vinculadas a fraudes.
Apesar disso, a recuperação de fundos é raramente 100% bem-sucedida, especialmente quando se lida com carteiras que utilizam anonimização avançada.
Prevenção e educação como armas contra golpes
O aumento de fraudes em 2025 evidencia que segurança no mercado cripto depende principalmente do usuário.
Medidas preventivas recomendadas
- Educação contínua sobre engenharia social;
- Verificação dupla de identidade de quem contata para suporte;
- Uso de cold wallets para grandes quantidades de criptoativos;
- Auditorias e revisões periódicas das credenciais de acesso;
- Plataformas confiáveis e reguladas, reduzindo risco de contato com golpistas.
Especialistas alertam que a combinação de conhecimento técnico e consciência sobre golpes é a forma mais eficiente de evitar perdas milionárias.
O papel das autoridades e regulamentação
Com o aumento de golpes, governos e órgãos reguladores começam a intensificar medidas de proteção, como:
- Criação de normas de segurança para exchanges;
- Monitoramento de transações suspeitas de lavagem de dinheiro;
- Parcerias entre órgãos internacionais para rastrear ativos desviados.
No Brasil, a regulamentação do setor de criptomoedas ainda é incipiente, mas casos como este reforçam a necessidade de leis mais rígidas e fiscalização eficaz para proteger investidores.
Golpes de engenharia social: tendência global
Embora o caso destaque perdas no Brasil, golpes de engenharia social são um fenômeno global.
- Nos EUA e Europa, investidores também perdem milhões ao fornecer dados a golpistas;
- O crescimento das DeFi e carteiras descentralizadas aumenta o número de vítimas potenciais;
- O anonimato da blockchain cria ambiente propício para crimes complexos.
Analistas alertam que a conscientização do usuário é tão importante quanto ferramentas técnicas de segurança.
Considerações finais

O roubo de R$ 490 milhões em bitcoin demonstra a vulnerabilidade do mercado de criptomoedas a golpes de engenharia social. Mesmo investidores experientes podem ser enganados, principalmente em um cenário de exposição digital elevada e crescente valorização de ativos.
Medidas preventivas, educação em segurança digital, uso de cold wallets e ferramentas de monitoramento são essenciais para proteger ativos. Ao mesmo tempo, a regulamentação e a fiscalização de plataformas de criptomoedas podem ajudar a reduzir perdas e aumentar a confiança no mercado.
O caso serve como alerta para todos os investidores: no universo das criptomoedas, a maior ameaça não vem apenas de hackers ou falhas técnicas, mas do próprio comportamento humano e da exposição de informações pessoais.

