Tecnologia de proteção vira arma dos criminosos digitais; entenda como isso ocorre
Em 2025, o pagamento por aproximação consolidou‑se como uma das modalidades favoritas dos brasileiros, respondendo por 67 % das transações com cartões Visa no País.
A conveniência, porém, veio acompanhada de um aumento de 21,5 % nas tentativas de fraude bancária só no primeiro trimestre do ano. Entre esses golpes, o do cartão com tecnologia contactless é hoje uma ameaça cotidiana em ônibus, metrôs, shoppings e até calçadas movimentadas de grandes capitais.
Este artigo detalha o funcionamento da fraude, mostra números inéditos, traz exemplos reais registrados em São Paulo na última semana e reúne boas práticas para consumidores, bancos e autoridades. Leia até o fim para descobrir como blindar suas finanças contra essa nova geração de criminosos digitais.
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O que é o golpe do cartão por aproximação?
Como a tecnologia contactless evoluiu até 2025
Em pouco mais de cinco anos, a tecnologia Near Field Communication (NFC) passou de novidade a padrão nos meios de pagamento. Limites sem senha saltaram de R$ 50 para R$ 200 por transação, enquanto o suporte a celulares, relógios e pulseiras inteligentes popularizou o recurso em todo o varejo.
Mecanismo da fraude: do RFID ao NFC malicioso
Criminosos carregam maquininhas programadas para debitar valores aleatórios sem necessidade de senha. Basta aproximar o terminal de bolsas ou bolsos para que a transação seja concluída em segundos, muitas vezes abaixo do teto que dispensa autenticação.
Camadas exploradas pelo golpista
- Sinal invisível – o campo da tecnologia NFC atravessa tecidos finos;
- Limite baixo – compras pequenas não disparam desconfiança imediata;
- Dificuldade de rastreio – maquininhas pré‑pagas podem ser descartadas após poucas horas de uso.
Cenário atual: por que o risco aumentou em 2025?
Adoção massiva e novos ambientes de pagamento
Além do varejo, o transporte público das grandes metrópoles passou a aceitar a tecnologia contactless, ampliando a exposição dos usuários em locais lotados.
Estatísticas de fraudes e prejuízos crescentes
O monitoramento da Golden Cloud Tech mostra 1.871.979 tentativas de fraude bancária entre janeiro e março de 2025, alta de 21,5 % sobre 2024. Especialistas atribuem boa parte dessa escalada a ataques envolvendo cartões e dispositivos NFC.
Exemplos reais de atuação dos golpistas
Ação no transporte público paulistano
Reportagem exibida em 18 de julho mostrou criminosos circulando com maquininhas escondidas em mochilas, cobrando valores de R$ 4,40 (tarifa de ônibus) a R$ 49,90 por “toque” em passageiros distraídos.
Truques em shoppings e locais turísticos
Em shoppings da zona sul de São Paulo, golpistas simulam pesquisas de opinião com pranchetas que escondem terminais com tecnologia NFC ligados a contas laranja.
Caso recente em São Paulo
A Polícia Civil investiga quadrilha que arrecadou R$ 128 mil em 48 horas usando sete maquininhas cadastradas em nome de terceiros.
Como identificar práticas suspeitas
Sinais de alerta no dia a dia
- Proximidade física injustificada em ambientes cheios;
- Objetos rígidos empurrando discretamente bolsas ou mochilas;
- Notificações de compras de baixo valor fora do padrão de consumo.
Ferramentas de monitoramento em apps bancários
Todos os grandes bancos permitem ativar notificações “push” instantâneas. Configure também limites diários e bloqueio temporário de contactless quando não estiver usando o cartão físico.
Medidas de proteção para consumidores
Carteiras e estojos anti‑RFID
Capas metálicas ou carteiras com material bloqueador de sinal impedem a leitura de chips NFC a menos de 5 cm do cartão.
Configurações de limite e bloqueio temporário
No aplicativo do banco, reduza o teto sem senha para algo entre R$ 20 e R$ 50, ou desative completamente a função quando for viajar.
Ativação de notificações instantâneas
Receber alertas em tempo real é a maneira mais rápida de contestar cobranças e reverter o valor antes mesmo do fechamento da fatura.
Papel dos bancos e das fintechs
Algoritmos de detecção de fraude em tempo real
Instituições como Itaú, Bradesco e Nubank usam modelos de IA que combinam geolocalização do celular, histórico de gastos e padrão de horários para barrar transações suspeitas.
Processo de contestação e reembolso
As bandeiras seguem a política de chargeback prevista pelo Conselho Monetário Nacional. Quanto mais cedo o cliente reclamar, maior a chance de ressarcimento integral.
Legislação e responsabilidade
Direitos do consumidor
Jurisprudência do STJ indica que a responsabilidade por transações irregulares recai sobre a instituição financeira quando o cliente comprova não ter fornecido cartão ou senha a terceiros.
Debate regulatório
Projetos em análise no Congresso propõem obrigar emissoras de cartão a exigir autenticação biométrica em qualquer transação contactless acima de R$ 50.
Erros comuns que expõem o consumidor
Falta de revisão de extratos
Deixar de conferir o histórico de compras por mais de 48 horas reduz drasticamente a possibilidade de bloqueio preventivo ou estorno rápido.
Compartilhamento de cartões
Emprestar o cartão, mesmo para um familiar, abre brecha para clonagem, perda ou uso indevido em transações de aproximação.
Dicas rápidas de segurança
- Guarde o cartão em estojo anti‑RFID;
- Reduza ou zere o limite sem senha;
- Habilite alertas no aplicativo e no smartwatch;
- Revise extratos diariamente;
- Desconfie de qualquer contato físico em locais lotados;
- Use cartões virtuais em compras online;
- Ative a exigência de senha para qualquer valor quando possível;
- Denuncie maquininhas suspeitas à administradora;
- Mantenha o app bancário e o sistema do celular sempre atualizados.
Conclusão
O golpe do cartão por aproximação resume a lógica da inovação criminal: toda tecnologia criada para facilitar a vida do consumidor pode se tornar arma nas mãos de golpistas se a educação digital não acompanhar o ritmo.
Com informação, ferramentas oferecidas pelos próprios bancos e pequenas mudanças de hábito, é possível continuar aproveitando a rapidez do NFC sem virar estatística nas próximas pesquisas sobre fraudes financeiras.
Imagem: fizkes / shutterstock.com