O avanço da tecnologia vem facilitando a vida de consumidores e comerciantes. Mas, infelizmente, também está sendo aproveitado por criminosos para aplicar golpes cada vez mais sofisticados.
Golpe da maquininha adulterada finge ser táxi, um deslize e a conta pode ser esvaziada
Golpe da maquininha adulterada se espalha pelo Brasil: criminosos usam táxi falso para clonar cartões e roubar senhas.
Um dos esquemas mais alarmantes atualmente é o golpe da maquininha adulterada, que tem ganhado uma nova e preocupante variação: a simulação de serviço de táxi por golpistas nas ruas e em eventos.
Esse novo golpe vem se espalhando pelas principais capitais e cidades do interior do Brasil, colocando em risco a segurança financeira de milhares de brasileiros.
Com um simples deslize na hora de pagar a corrida, a vítima pode ter sua conta bancária completamente esvaziada — muitas vezes em poucos minutos.
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Como funciona o golpe da maquininha adulterada

O disfarce perfeito: um táxi que não é táxi
O golpe começa ainda antes da cobrança. O criminoso circula pela cidade em carros disfarçados de táxi, com adesivos e equipamentos visuais que dão a falsa impressão de um serviço regularizado.
Ele escolhe locais estratégicos — saídas de eventos, bares, casas noturnas ou pontos de transporte — onde encontra potenciais vítimas cansadas, distraídas ou com pressa.
Ao final da corrida, o passageiro é surpreendido com a informação de que o pagamento por aproximação não está funcionando e que também não é possível realizar um PIX no momento.
O golpista exige o cartão físico e pede que a vítima digite a senha em uma maquininha que, na verdade, está adulterada.
Maquininha alterada para capturar dados bancários
Essas maquininhas são manipuladas para capturar informações sensíveis. Entre as alterações mais comuns estão:
- Registro da senha digitada
- Simulação de erro de transação para a vítima digitar a senha novamente
- Tela falsa que exibe valores incorretos ou oculta o verdadeiro valor cobrado
- Botões camuflados que ativam a exibição da senha digitada
Após a digitação da senha, o criminoso finge estar com algum problema de conexão e pede para que o cliente “aguarde”. Em um momento de distração, ele substitui o cartão original por um idêntico, porém falso.
Com o cartão original e a senha em mãos, o estelionatário passa a realizar compras de alto valor, transferências e saques — muitas vezes em redes varejistas que não exigem autenticação adicional.
Os números por trás do golpe
Prejuízo bilionário e vítimas em todo o país
Dados de 2024 mostram que o golpe da maquininha adulterada causou quase R$ 5 bilhões em prejuízos em apenas um ano, segundo estimativas do setor bancário. Em 2025, os números devem ser ainda maiores, com o crescimento acelerado do uso de cartões e PIX no Brasil.
Crescimento do estelionato com uso de tecnologia
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os crimes de estelionato cresceram mais de 80% nos últimos dois anos, sendo grande parte deles ligados a fraudes eletrônicas e golpes digitais.
O golpe do táxi com maquininha adulterada representa uma evolução nas estratégias criminosas, combinando engenharia social, tecnologia e oportunismo.
O alerta do Procon e das autoridades
Procon orienta: desconfie de limitações técnicas e exija segurança
O Procon de Pará de Minas, por meio do coordenador Bruno Souza, emitiu um alerta preventivo à população, diante da crescente circulação do golpe em cidades próximas. A recomendação é clara: desconfie de qualquer conduta suspeita, especialmente pedidos para inserir cartão e digitar senha em maquininhas que o consumidor não conhece.
“Se a pessoa pressiona por uma forma de pagamento específica, como cartão físico, e impede o uso de aproximação ou PIX, já é motivo para suspeitar”, afirma Bruno.
Além disso, o Procon destaca que, em caso de suspeita de golpe, é fundamental que o consumidor:
- Anote a placa do veículo, se possível
- Guarde comprovantes e registros da transação
- Bloqueie imediatamente o cartão bancário
- Registre boletim de ocorrência
- Entre em contato com a operadora do cartão para contestar as compras
Como se proteger desse tipo de golpe
Medidas práticas para evitar cair no golpe da maquininha
Prefira apps oficiais de transporte
Sempre que possível, utilize aplicativos de mobilidade com sistema de pagamento integrado, como Uber, 99 ou similares. Nesses apps, o pagamento é feito dentro da plataforma, evitando a exposição do cartão físico.
Evite entregar o cartão na mão de terceiros
Nunca entregue o cartão para que outra pessoa insira na maquininha. Exija que o equipamento seja apresentado de forma clara e que você mesmo insira o cartão ou utilize a função de aproximação.
Use o pagamento por aproximação sempre que possível
A função de pagamento por aproximação (contactless) evita que o cartão seja inserido no aparelho, dificultando a ação de dispositivos adulterados.
Ative alertas no aplicativo do banco
Configure o recebimento de notificações instantâneas para qualquer movimentação bancária. Assim, será possível identificar e bloquear movimentações não reconhecidas imediatamente.
Confira o valor na tela antes de confirmar
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Antes de digitar a senha, confira o valor exibido na tela da maquininha. Se o valor estiver errado ou o visor estiver pouco visível, não prossiga com a transação.
Cadastre o cartão no celular ou smartwatch
Hoje, muitos bancos permitem o cadastro de cartões em wallets digitais, como Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay. Esses sistemas adicionam uma camada extra de segurança.
O papel dos bancos e operadoras de cartão
Responsabilidade compartilhada e desafios na contestação de compras
Muitas vítimas relatam dificuldades em obter reembolso ou cancelamento das compras realizadas após o golpe. Isso acontece porque, tecnicamente, a transação foi autorizada com cartão e senha — o que, para algumas operadoras, elimina a responsabilidade da empresa.
Contudo, especialistas em direito do consumidor reforçam que é dever das operadoras investigarem indícios de fraude e que a vítima tem o direito de contestar formalmente as cobranças indevidas.
“Se a senha foi obtida por meio de fraude, há abuso de confiança e má-fé. A responsabilidade pelo prejuízo não deve ser exclusivamente do consumidor”, destaca a advogada Camila Monteiro, especialista em direito digital.
Golpes semelhantes em circulação
Variedade de fraudes com maquininhas
O golpe do falso táxi é apenas uma variação de um esquema mais amplo. Veja outros tipos de fraudes com maquininhas que estão em alta:
- Cobrança dupla ou valor alterado: o operador altera o valor depois que a vítima já conferiu.
- Maquininha com visor danificado: dificulta a visualização do valor real da transação.
- Maquininha conectada a sistemas clandestinos: registra senha e número do cartão.
O que fazer se for vítima

Ação rápida pode reduzir os prejuízos
Se você suspeitar que foi vítima do golpe da maquininha adulterada, siga estes passos imediatamente:
- Ligue para o banco ou operadora do cartão e solicite o bloqueio do cartão.
- Verifique o extrato bancário para identificar transações suspeitas.
- Conteste as compras fraudulentas e registre a reclamação formal.
- Registre um boletim de ocorrência com o maior número de detalhes possível.
- Entre em contato com o Procon ou um advogado especializado, se necessário.
Conclusão
O golpe da maquininha adulterada com disfarce de táxi é um exemplo claro de como a tecnologia, quando mal utilizada, pode se tornar uma arma poderosa nas mãos de criminosos. O disfarce inocente de um carro de transporte pode esconder uma armadilha financeira silenciosa e devastadora.
Mais do que nunca, informação e atenção são as melhores armas de defesa. Com atitudes preventivas e uma dose saudável de desconfiança, é possível escapar das armadilhas modernas e manter a segurança dos seus dados e do seu dinheiro.
Desconfie, verifique, e proteja-se. Um simples cuidado pode evitar grandes prejuízos.
