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Esquema Ponzi com mineração de criptomoedas leva ex-atleta à prisão nos EUA

Ex-jogador de Rugby é condenado nos EUA por operar esquema Ponzi milionário disfarçado de mineração de criptomoedas. Saiba como funcionava o golpe.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Criptomoedas

A Justiça dos Estados Unidos condenou Shane Donovan Moore, ex-jogador semi-profissional de Rugby, a 30 meses de prisão por liderar um esquema Ponzi que prometia altos retornos em mineração de criptomoedas, mas se revelou uma fraude que lesou cerca de 40 investidores em mais de US$ 900 mil — cerca de R$ 5 milhões.

Moore, de 37 anos, angariou fundos entre janeiro de 2021 e outubro de 2022, garantindo lucros diários de 1% aos investidores. No entanto, uma investigação do FBI revelou que o dinheiro captado não foi investido em equipamentos de mineração, como prometido, e sim utilizado para pagar rendimentos dos primeiros investidores e custear uma vida de luxo.

Este caso serve como mais um alerta para o crescente número de golpes relacionados ao mercado cripto, que se aproveitam da popularização das moedas digitais para enganar investidores desprevenidos.

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Como funcionava o esquema Ponzi de Shane Donovan Moore?

A promessa irreal de lucros garantidos

O principal atrativo do esquema operado por Moore era a promessa de um rendimento fixo de 1% ao dia, o que equivale a aproximadamente 465% ao ano, um valor extremamente acima dos padrões reais de qualquer investimento legítimo, especialmente na área de mineração de criptomoedas.

Para exemplificar, um investimento de US$ 1.000 prometia se transformar em cerca de US$ 4.650 ao final de um ano — um retorno tão irreal que deveria servir como alerta imediato para qualquer investidor.

A criação da Quantum Donovan LLC: fachada para o golpe

Para dar legitimidade ao esquema, Moore chegou a registrar uma empresa chamada Quantum Donovan LLC, sediada no estado de Washington. Essa formalização empresarial foi usada para criar confiança entre os investidores, fazendo com que parecesse um empreendimento sério e regulamentado.

No entanto, conforme as apurações, a Quantum Donovan LLC serviu apenas para mascarar a fraude, já que os fundos captados nunca foram realmente investidos na compra de equipamentos para mineração de criptomoedas, como prometido.

O funcionamento típico do esquema Ponzi

O modelo fraudulento consistia em usar o dinheiro dos novos investidores para pagar os rendimentos prometidos aos investidores mais antigos. Enquanto isso, o operador do esquema levava uma vida de ostentação, adquirindo apartamentos de luxo, malas caras, roupas de grife, eletrônicos e custeando viagens caras.

Esse tipo de golpe depende da constante entrada de novos recursos para se manter sustentável, até que o fluxo de novos aportes se esgota e o esquema entra em colapso, deixando centenas de vítimas no prejuízo.

A investigação e condenação de Moore

criptomoedas
Imagem: Freepik

O trabalho do FBI e a descoberta da fraude

A investigação foi conduzida pelo FBI após relatos de vítimas e denúncias. Agentes conseguiram comprovar que Moore desviou os valores captados para uso pessoal e para o pagamento dos rendimentos ilusórios, sem nenhum investimento real em mineração.

Em declarações oficiais, a procuradora interina Teal Luthy Miller afirmou:

“Sr. Moore usou a novidade das criptomoedas para cometer uma fraude antiga — um esquema Ponzi. Ele arrecadou mais de US$ 900 mil de cerca de 40 investidores alegando que o dinheiro seria usado para ‘mineração de criptomoedas’. Em vez disso, o dinheiro foi usado para bancar um estilo de vida luxuoso e para pagar os primeiros investidores e manter o golpe funcionando. Ele deixou um rastro de relacionamentos destruídos.”

Impacto social: amizades e famílias destruídas

Parte da estratégia usada por Moore para manter o esquema ativo foi estimular a propaganda boca a boca, em que as primeiras vítimas, após receberem os pagamentos prometidos, indicavam amigos e familiares para investir.

Quando o esquema desmoronou, muitos desses relacionamentos pessoais foram abalados, causando perdas financeiras e rupturas familiares, um triste efeito colateral comum em golpes desse tipo.

A sentença e a punição

Após o julgamento, Moore foi condenado a 30 meses de prisão e deverá responder por fraude financeira e outros crimes correlatos.

A sentença é um alerta importante para o mercado, mostrando que a Justiça está atenta e pronta para agir contra criminosos que se aproveitam da popularização das criptomoedas para lesar investidores.

Mineração de criptomoedas: realidade vs promessa falsa

Como funciona a mineração de criptomoedas?

A mineração é o processo pelo qual novas moedas digitais são criadas e as transações são validadas na blockchain. Para isso, são utilizados equipamentos especializados, chamados de mineradores, que realizam cálculos complexos que demandam alta potência computacional e consumo energético.

Os números reais por trás do investimento em mineração

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Segundo dados da Nicehash e fabricantes de equipamentos como a Bitmain, o investimento necessário para adquirir uma máquina de última geração, como a Bitmain AntMiner S21 XP Hyd, é da ordem de US$ 14.521.

Com base no custo médio de energia elétrica estimado em US$ 0,06 por kWh, esse equipamento gera um rendimento aproximado de US$ 626 por mês, o que significa que levaria cerca de 23 meses para o investimento inicial chegar ao ponto de equilíbrio (zero a zero), desconsiderando variações no preço do Bitcoin, custos de manutenção e a entrada constante de novas máquinas mais eficientes no mercado.

Rendimento real e promessas fraudulentas

Este rendimento mensal corresponde a cerca de 4,3% ao mês. Assim, qualquer promessa de ganhos acima disso, principalmente tão elevados quanto 1% ao dia (aproximadamente 30% ao mês), deve ser encarada com extrema desconfiança.

O caso de Moore ilustra perfeitamente essa armadilha: promessas de lucros irreais são usadas para atrair e enganar investidores.

O crescimento dos golpes de mineração no contexto da alta do Bitcoin

Alta histórica do Bitcoin estimula fraudes

À medida que o Bitcoin e outras criptomoedas atingem novas máximas, o interesse por mineração e investimentos relacionados cresce, assim como o número de golpistas que exploram essa popularidade para aplicar fraudes.

Casos como o de Shane Donovan Moore demonstram que os golpistas se aproveitam do desconhecimento do público sobre a complexidade e os riscos reais do mercado de mineração.

Como se proteger de golpes no mercado cripto?

  • Desconfie de promessas de retorno fixo e garantido: Nenhum investimento legítimo pode assegurar ganhos fixos diários tão elevados.
  • Pesquise a empresa: Verifique o histórico, registro, reputação e relatos de outros investidores.
  • Avalie o modelo de negócio: Entenda como o retorno é gerado e se o rendimento prometido é compatível com a realidade do setor.
  • Prefira plataformas reguladas: Utilize corretoras e serviços autorizados por órgãos financeiros reconhecidos.
  • Cuidado com pressões para indicar amigos e familiares: Esquemas que estimulam recrutamento costumam ser sinais claros de pirâmide financeira.

Conclusão: atenção redobrada ao investir em mineração de criptomoedas

Mineradoras de Bitcoin
Imagem: Acervo do Unsplash (Creative Commons)

O esquema Ponzi de Shane Donovan Moore é um exemplo emblemático dos perigos que rondam o universo das criptomoedas, principalmente quando se fala em mineração.

Embora o setor seja legítimo e possa ser rentável para investidores e empresas que atuam com transparência, a complexidade técnica e a necessidade de investimentos elevados tornam o terreno fértil para fraudes.

A conscientização, educação financeira e cautela são essenciais para evitar prejuízos e proteger o patrimônio. Investir sempre com responsabilidade e buscar informações confiáveis são passos fundamentais para navegar com segurança no mercado cripto.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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