Após a recente alta das bolsas americanas, que retomaram máximas históricas mesmo após o “tarifaço” imposto pelo governo Trump em abril, cresce o debate sobre a possibilidade de uma bolha tecnológica.
Muitos analistas comparam o cenário atual ao estouro da bolha da internet nos anos 1990, apontando múltiplos elevados e uma valorização exagerada.
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Entretanto, Thiago Kapulskis, gestor do fundo global de ações de tecnologia da São Pedro Capital, mantém uma visão contrária.
Em entrevista exclusiva ao Brazil Journal, ele afirma com convicção que Google, Nvidia e outras grandes companhias do setor continuam “baratas” em relação ao potencial de geração de caixa e crescimento sustentável. “Não estamos numa bolha”, reforça.
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Quem é Thiago Kapulskis e o que é a São Pedro Capital?

Trajetória do gestor e foco do fundo
Thiago Kapulskis deixou recentemente o Itaú, onde atuava como analista-chefe de tecnologia, para se juntar à São Pedro Capital, gestora comandada por Alex Dias, ex-presidente do Google no Brasil.
O fundo global que Kapulskis gere é especializado em empresas de tecnologia com forte geração de caixa, alto potencial de crescimento e exposição a mercados em expansão.
O fundo, com aplicação mínima de R$ 1 milhão, é focado em investidores institucionais, family offices e clientes high net worth, não sendo comercializado no varejo.
A carteira conta com entre 15 e 20 ações, geridas em parceria com José Medeiros, profissional baseado no Vale do Silício, com mais de 20 anos de experiência.
Filosofia de investimento
Segundo Kapulskis, o fundo busca temas estruturais de longo prazo que atravessam setores como e-commerce, segurança cibernética, saúde e inteligência artificial (AI). O foco está em empresas que já possuem um modelo de negócio sólido e cuja escala pode crescer consideravelmente nos próximos anos.
“O sweet spot que procuramos é uma empresa que atua em mercados cujo crescimento já foi definido, mas que ainda está longe de ser plenamente realizado”, explica.
Mercado americano em máximas históricas: bolha ou oportunidade?
Visão crítica ao pessimismo
Com os índices americanos batendo recordes, o medo de uma bolha, especialmente na área de AI, tem sido amplamente discutido. Muitos mencionam múltiplos inflados comparáveis aos da bolha da internet. Kapulskis, porém, é categórico ao negar a existência de uma bolha atual.
“Essas empresas geram muito caixa — Meta, Microsoft, Google, Nvidia — e isso sustenta o valuation”, argumenta.
A avaliação das Big Techs
Kapulskis destaca que, apesar do valor de mercado astronômico, o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) dessas companhias está em níveis razoáveis.
Por exemplo, a Nvidia, que recentemente atingiu um valor de mercado de US$ 4 trilhões, negocia a cerca de 25 vezes lucro — um patamar “natural”, que já chegou a 70x em outras épocas.
“Microsoft, por sua vez, costuma ser atraente quando o múltiplo fica abaixo de 30 vezes o lucro”, complementa.
Empresas que se assemelham a utilities
O gestor lembra que essas grandes empresas tecnológicas passaram a ter um papel quase “utility” na infraestrutura digital mundial. “Se essas empresas deixassem de operar amanhã, a internet e muitos serviços essenciais simplesmente parariam”, observa.
Principais apostas do fundo São Pedro Capital
Alphabet (Google) – o papel mais barato entre as Magnificent Seven
O fundo tem forte convicção na Alphabet, dona do Google, que Kapulskis classifica como o papel mais subvalorizado entre as maiores Big Techs.
Apesar dos receios em torno da inteligência artificial e das mudanças no comportamento dos usuários, ele acredita que a ameaça maior está em áreas que não impactam o core comercial da empresa.
“A ameaça do AI está principalmente em consultas informacionais, que geram pouca receita publicitária. Já a parte comercial do Google permanece sólida”, explica.
Além disso, a reestruturação interna da companhia e uma melhor comunicação com os clientes reforçam o otimismo da gestora.
Microsoft – um gigante em fase de colheita
Microsoft é outra aposta do fundo, que prevê um ciclo positivo nos próximos 12 meses. A empresa deve colher os frutos dos investimentos realizados nos últimos anos, especialmente na infraestrutura de nuvem, que tem apresentado aceleração significativa.
Cybersecurity – Tenable como destaque emergente
Fora das Big Techs tradicionais, a carteira inclui empresas como a Tenable, focada em gestão de vulnerabilidades de segurança digital.
Kapulskis destaca que a empresa passou de um modelo on-premise para uma abordagem mais voltada à nuvem e atua em um mercado em expansão, com potencial para crescimento entre 50% e 70% nos próximos 12 a 18 meses.
Saúde: aposta em valuations deprimidos e AI
O setor de saúde, segundo o gestor, oferece oportunidades devido a valuations historicamente baixos. “Apesar de desafios de curto prazo, as tendências demográficas e a adoção da inteligência artificial favorecem o crescimento de longo prazo”, afirma.
Um exemplo citado é a Thermo Fisher, líder em equipamentos e reagentes para a indústria farmacêutica, que está negociando no menor múltiplo desde 2018 e possui um histórico de gestão sólido.
Inteligência artificial: motor de crescimento e transformação
Impactos na tecnologia e saúde
Kapulskis destaca que o valor gerado pela inteligência artificial está se tornando mais claro, com potencial para revolucionar diversos setores, desde descoberta de medicamentos até automação industrial.
“A AI não é uma moda passageira, mas sim uma onda que compõe e amplifica outras tecnologias já existentes”, diz.
Robótica e carros autônomos
Embora a robótica ainda esteja em estágio inicial, o gestor enxerga potencial significativo para o futuro.
Em relação a veículos autônomos, ele revela que o fundo opta por investir no Uber, que considera um agregador importante no ecossistema de mobilidade, em vez de apostar diretamente em fabricantes como a Tesla.
Regulação e riscos

Ameaças regulatórias ao Google
O gestor admite que processos antitruste e possíveis mudanças, como a divisão do Chrome — que domina 67% do mercado de navegadores — são riscos a serem monitorados, mas não enxergam impacto imediato no valuation do Google.
Gestão de riscos no fundo
Kapulskis reforça que o fundo evita empresas sem geração de caixa consistente e mantém uma carteira focada em fundamentos sólidos, o que ajuda a mitigar riscos de volatilidade e bolhas de mercado.
Conclusão: oportunidades para o investidor de longo prazo
Mesmo em meio ao hype e às máximas históricas dos mercados americanos, o gestor Thiago Kapulskis reafirma que ainda há boas oportunidades.
Segundo ele, ações de tecnologia continuam atraentes — especialmente as de grandes empresas com forte geração de caixa. Além disso, destaca segmentos inovadores como inteligência artificial, saúde e segurança cibernética como especialmente promissores.
A visão do fundo São Pedro Capital é clara: olhar para o longo prazo, focar em empresas bem posicionadas em mercados em expansão e evitar modismos de curto prazo é o caminho para capturar valor e retornos consistentes.
Para investidores qualificados e interessados em tecnologia, o momento pode ser mais promissor do que aparenta.




