Google vai usar IA nas escolas: saiba o que muda com o Gemini na sala de aula
Descubra como o Google vai transformar a educação com IA gratuita para professores e alunos. Saiba o que muda com Gemini!
O Google acaba de dar um passo decisivo rumo à transformação digital nas escolas. A big tech anunciou durante a ISTE 2025 — a maior conferência de tecnologia educacional da América do Norte — que sua inteligência artificial, o Gemini, será integrada ao Google Workspace for Education, de forma gratuita.
A iniciativa promete revolucionar o cotidiano de professores e estudantes, levando automação, personalização e inovação diretamente para a sala de aula.
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O que é o Gemini?
O Gemini é o nome do novo modelo de IA do Google, concorrente direto do ChatGPT. Lançado com versões otimizadas para produtividade e aprendizado, ele integra texto, imagem, vídeo e áudio em um sistema inteligente que pode ser treinado e personalizado para diversas finalidades.
No contexto educacional, o Gemini AI chega com mais de 30 ferramentas pensadas para apoiar o processo de ensino-aprendizagem, desde a elaboração de planos de aula até a assistência direta aos estudantes.
Como o Gemini será usado por professores
Gemini gratuito para educadores
A principal novidade é que o pacote Gemini for Education será disponibilizado gratuitamente para todas as contas do Google Workspace for Education. Isso significa que milhares de escolas públicas e privadas poderão usar ferramentas avançadas de IA sem custo adicional.
Principais recursos para professores
Planejamento de aulas com IA
Educadores poderão gerar planos de aula personalizados com base no conteúdo que desejam abordar, nos níveis de conhecimento dos alunos e no tempo disponível. A IA sugere atividades, recursos complementares e até avaliações automatizadas.
Ferramentas de redação e comunicação
Com o Gemini, será possível redigir e-mails, elaborar formulários, revisar conteúdos e adaptar textos automaticamente. O novo recurso “ajude-me a criar um formulário” vai acelerar a criação de testes, pesquisas e feedbacks.
Criação de vídeos com o Google Vids
O Google Vids é uma ferramenta de IA generativa que permite criar vídeos educativos a partir de um script simples. Ideal para professores que desejam inovar nas aulas sem depender de equipamentos caros ou conhecimento técnico.
Gems: IAs personalizadas para suporte individual
Os professores também poderão criar agentes de IA personalizados chamados Gems, que atuarão como tutores digitais. Eles poderão tirar dúvidas de alunos, reforçar conteúdos específicos e oferecer suporte individualizado fora do horário de aula.
Ferramentas pensadas para os alunos
IA como aliada no estudo autônomo
Os alunos também serão beneficiados com o acesso ao NotebookLM, agora liberado para menores de 18 anos. Essa ferramenta permite criar guias de estudo, resumos e até podcasts com base em materiais fornecidos pelos professores.
Interação com chatbots especializados
Os estudantes poderão interagir com chatbots educativos, treinados para explicar conteúdos, revisar conceitos e responder dúvidas com linguagem adaptada à faixa etária e ao nível de ensino.
Análise de desempenho e engajamento
Uma nova plataforma permitirá aos professores acompanhar o progresso dos alunos em tempo real, avaliando o nível de engajamento e compreensão dos conteúdos. A IA será capaz de identificar padrões de dificuldade e sugerir intervenções pedagógicas.
Controle e segurança para as escolas
Gerenciamento de dispositivos com o Class Tools
O recurso Class Tools, lançado oficialmente este ano, permite que os professores controlem os Chromebooks dos alunos durante a aula. Isso inclui:
- Compartilhamento direto de links, vídeos e apostilas;
- Exibição forçada de conteúdos na tela do aluno;
- Aplicação de provas-surpresa de forma remota;
- Bloqueio de abas externas durante atividades avaliativas.
Essa funcionalidade garante mais foco e disciplina em um ambiente digital que, muitas vezes, pode ser dispersivo.
Privacidade e proteção de dados
O Google se comprometeu a proteger os dados dos usuários do Gemini com novas camadas de segurança. As atualizações incluem:
- Restrições ao uso de dados para fins comerciais;
- Criptografia reforçada para materiais escolares;
- Maior controle dos professores sobre salas de espera do Google Meet.
IA como parceira — não como substituta
Desafios da tecnologia na sala de aula
A introdução de IA em larga escala nas escolas também traz desafios. Muitos professores ainda se adaptam ao uso de tecnologia e enfrentam resistência ao novo. Há o receio de que a IA substitua o papel do educador, ou que os alunos se tornem excessivamente dependentes dos robôs para realizar tarefas.
Papel do professor continua insubstituível
A proposta do Google é deixar claro que a IA não veio para tirar o lugar do professor, mas para fortalecer sua atuação. Ao automatizar tarefas burocráticas, sobra mais tempo para o que realmente importa: o contato humano, o estímulo ao pensamento crítico e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.
Quando e onde as mudanças começam
Todas as ferramentas anunciadas estão sendo gradualmente liberadas para escolas que utilizam o Google Workspace for Education, com previsão de plena disponibilidade nos próximos meses. O acesso será mundial, com suporte para diferentes idiomas, incluindo o português.
Impacto no Brasil
Adesão crescente ao Google for Education
No Brasil, milhares de escolas públicas já utilizam o Google Workspace for Education, principalmente após a pandemia. Com a chegada do Gemini, essas instituições ganham acesso a uma tecnologia de ponta que poderia custar caro em soluções privadas.
Oportunidade para reduzir desigualdades
A disponibilização gratuita das ferramentas também pode reduzir o abismo digital entre escolas públicas e privadas. Com formação adequada dos professores, o Brasil pode dar um salto importante rumo a uma educação mais inclusiva e personalizada.
Conclusão
O uso de inteligência artificial na educação não é mais uma tendência: é uma realidade em expansão. Com a iniciativa do Google de integrar o Gemini ao ambiente escolar, professores ganham tempo, alunos ganham autonomia e o processo de ensino-aprendizagem se torna mais eficiente.
Contudo, é fundamental que essa transformação tecnológica venha acompanhada de políticas de formação docente, regulamentações claras sobre o uso de dados e, sobretudo, do reconhecimento de que nenhuma máquina substitui o olhar atento de um bom educador.
Imagem: depositphotos.com / rafapress