Governo prepara lançamento de consignado privado acessível por apps bancários. Medida busca ampliar o crédito e movimentar a economia.
Por Juliana Peixoto
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve lançar até 15 de março um novo modelo de empréstimo consignado privado, conforme informação divulgada na quarta-feira (12.fev.2025) pelo jornal Folha de S.Paulo. A novidade permitirá aos trabalhadores contratarem crédito diretamente por aplicativos bancários, além de outros canais de atendimento das instituições financeiras.
A iniciativa faz parte da estratégia do governo para ampliar o acesso ao crédito, especialmente diante do impacto da alta da taxa Selic, definida pelo Banco Central, sobre o consumo e o endividamento das famílias brasileiras.
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Inicialmente, o governo pretendia que as contratações fossem realizadas exclusivamente por meio da plataforma do eSocial. No entanto, após negociações com o setor financeiro, decidiu-se ampliar as possibilidades, permitindo que os bancos e fintechs ofereçam o crédito diretamente por seus próprios aplicativos e demais canais de atendimento.
A regulamentação do novo modelo será definida por meio de uma medida provisória (MP), que deve ser editada antes do lançamento oficial do serviço. Esse formato permite que as regras entrem em vigor imediatamente, ainda que posteriormente precisem ser aprovadas pelo Congresso Nacional.
Diferenças entre o consignado público e privado
Atualmente, os empréstimos consignados são amplamente utilizados por servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS, que têm acesso a taxas de juros mais baixas devido ao desconto direto em folha de pagamento. No entanto, no setor privado, a adesão ao consignado ainda é menor, em parte devido às limitações nas modalidades de contratação.
Com a nova proposta do governo, espera-se aumentar a adesão entre trabalhadores da iniciativa privada, que passarão a contar com uma ferramenta mais acessível para obter crédito consignado.
Taxas de juros sem teto definido
Diferentemente do consignado público, o novo modelo de crédito privado não terá um limite preestabelecido para as taxas de juros. Essa decisão atende a pedidos das instituições financeiras, que defendem maior liberdade na definição das condições de concessão.
Por outro lado, a falta de um teto para os juros pode ser um ponto de preocupação para consumidores, que devem ficar atentos às condições oferecidas pelos bancos antes de contratar o empréstimo. Especialistas recomendam comparar taxas entre diferentes instituições para garantir as melhores condições.
Objetivos econômicos e impacto no mercado financeiro
O lançamento dessa nova modalidade de crédito está alinhado à estratégia do governo Lula para fomentar o consumo e minimizar os efeitos da alta da Selic sobre a economia. Com juros mais elevados, o acesso ao crédito tradicional se torna mais caro, impactando diretamente o poder de compra da população e o crescimento econômico.
Ao permitir que os trabalhadores do setor privado tenham mais facilidade na obtenção de crédito consignado, o governo busca estimular o mercado interno e manter o consumo aquecido. Grandes bancos e fintechs já demonstraram interesse na nova modalidade, o que deve ampliar a concorrência e, possivelmente, resultar em melhores condições para os tomadores de empréstimos.
Como contratar o novo crédito consignado
Imagem: Nattakorn_Maneerat / shutterstock.com
Com a liberação prevista para até 15 de março, os trabalhadores interessados poderão contratar o empréstimo diretamente pelos aplicativos dos bancos participantes. O processo deve incluir as seguintes etapas:
Acesso ao aplicativo bancário – O correntista deve acessar a plataforma da instituição financeira onde possui conta.
Consulta de ofertas – O banco apresentará as condições disponíveis, incluindo taxas de juros e prazo de pagamento.
Simulação do empréstimo – O cliente pode simular diferentes valores e parcelas antes de confirmar a contratação.
Assinatura digital – O contrato será assinado eletronicamente, garantindo rapidez e segurança na liberação do crédito.
O desconto das parcelas será feito diretamente na folha de pagamento do trabalhador, o que reduz os riscos de inadimplência para os bancos e pode contribuir para taxas de juros mais competitivas.
Conclusão
A criação de um novo modelo de empréstimo consignado privado representa um avanço na inclusão financeira dos trabalhadores do setor privado. Com a possibilidade de contratar crédito diretamente por aplicativos bancários, o governo busca oferecer maior praticidade e ampliar o acesso ao crédito.
No entanto, a ausência de um teto para as taxas de juros exige atenção dos consumidores, que devem comparar as opções antes de assumir compromissos financeiros. A adesão do setor bancário à iniciativa e a aceitação pelo mercado determinarão o sucesso da nova modalidade no Brasil.
Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.