A confirmação de um foco de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial brasileira, no Rio Grande do Sul, desencadeou uma reação em cadeia no mercado internacional.
Gripe aviária: Brasil enfrenta suspensão de exportações de frango por oito países e União Europeia
Gripe aviária em granja no Rio Grande do Sul leva países e a UE a suspenderem importações de frango do Brasil. Entenda.
Em poucos dias, oito países e a União Europeia adotaram medidas preventivas e suspenderam a importação de carne de frango do Brasil. O episódio evidencia os riscos sanitários que afetam diretamente a economia de um dos maiores exportadores de proteína animal do mundo.
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Primeiro caso comercial no Brasil acende alerta global

Na sexta-feira, 16 de maio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou o primeiro registro da gripe aviária em uma granja comercial brasileira, localizada em Montenegro, no interior do Rio Grande do Sul. Embora o Brasil já tivesse identificado casos anteriores da doença em aves silvestres, essa foi a primeira ocorrência em ambiente produtivo. Isso elevou o nível de atenção tanto no mercado interno quanto no cenário internacional.
A detecção do vírus H5N1 em ambiente comercial, ainda que controlado, gerou preocupação sobre a disseminação da doença e seus impactos sobre a produção nacional. O Brasil, maior exportador global de carne de frango, tem nas suas exportações um pilar fundamental da economia agropecuária.
Cresce o número de países que barram frango brasileiro
Desde o anúncio oficial, a lista de nações que suspenderam, parcial ou totalmente, a compra de frango brasileiro aumentou rapidamente. Inicialmente, países como México, Argentina, China, Chile, Uruguai e a União Europeia foram os primeiros a restringir as importações.
No domingo, 18 de maio, outros três países aderiram às restrições: Canadá, Coreia do Sul e África do Sul. Ao todo, são oito países e uma entidade econômica que determinaram a suspensão total das importações como medida de precaução diante do surto.
Além dessas suspensões totais, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Filipinas adotaram restrições parciais, baseadas nos protocolos sanitários que preveem bloqueios de produtos provenientes da região afetada, neste caso, o estado do Rio Grande do Sul.
Estratégia de contenção e protocolos de exportação
De acordo com o Ministério da Agricultura, todas as medidas sanitárias necessárias foram imediatamente adotadas para conter o foco da doença. O protocolo internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) prevê que, em casos localizados, as exportações podem continuar a partir de regiões não afetadas, sob monitoramento rigoroso.
Apesar disso, a adoção de suspensões por parte de países importadores se baseia, muitas vezes, em regras específicas que determinam o bloqueio automático diante da ocorrência de qualquer foco em zona produtiva comercial.
A Arábia Saudita, por exemplo, optou por limitar as importações exclusivamente às aves oriundas de outros estados que não o Rio Grande do Sul. Já os Emirados Árabes e as Filipinas impuseram restrições com base na localização geográfica do surto, como previsto em seus acordos bilaterais sanitários.
Exportações ameaçadas e impactos econômicos
Com a suspensão das compras por alguns dos principais parceiros comerciais, o agronegócio brasileiro vê ameaçado um de seus setores mais lucrativos. Em 2023, o Brasil exportou mais de 4,8 milhões de toneladas de carne de frango, movimentando cerca de US$ 9 bilhões. Qualquer retração nesse volume afeta não apenas a balança comercial, mas também a geração de empregos e a arrecadação fiscal em diversos estados produtores.
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A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que está em contato constante com os importadores e autoridades internacionais para reforçar a transparência do processo e garantir que o surto está sob controle. A entidade ainda destacou a eficiência das medidas adotadas pelo Mapa, reforçando que o Brasil permanece como um fornecedor confiável de alimentos.
Risco à saúde humana é considerado baixo
Até o momento, não há registros de transmissão do vírus da gripe aviária (H5N1) para humanos no Brasil. O consumo de carne de frango e ovos também continua seguro, segundo as autoridades sanitárias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a infecção humana por gripe aviária ocorre em casos extremamente raros e, geralmente, após contato direto com aves infectadas vivas.
Especialistas reforçam que os produtos avícolas industrializados passam por inspeção rigorosa e que não há risco de contaminação por meio do consumo de carnes devidamente preparadas. Ainda assim, o surto impacta a confiança dos mercados e exige atenção redobrada por parte dos produtores e do governo.
Perspectivas e próximos passos

As autoridades brasileiras seguem monitorando a situação com rigidez, ampliando os controles sanitários nas granjas e reforçando os sistemas de vigilância em todo o país. Uma das prioridades é evitar a disseminação do vírus para outras regiões e preservar a integridade do status sanitário do país perante os parceiros comerciais.
A retomada das exportações depende da estabilização do cenário e da confiança internacional de que o surto foi contido. A diplomacia brasileira atua para esclarecer dúvidas e garantir que os protocolos foram seguidos à risca, buscando a reabertura gradual dos mercados.
Com informações de: Metrópoles
