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Gripe aviária: Brasil enfrenta suspensão de exportações de frango por oito países e União Europeia

Gripe aviária em granja no Rio Grande do Sul leva países e a UE a suspenderem importações de frango do Brasil. Entenda.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
gripe aviária anvisa

A confirmação de um foco de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial brasileira, no Rio Grande do Sul, desencadeou uma reação em cadeia no mercado internacional.

Em poucos dias, oito países e a União Europeia adotaram medidas preventivas e suspenderam a importação de carne de frango do Brasil. O episódio evidencia os riscos sanitários que afetam diretamente a economia de um dos maiores exportadores de proteína animal do mundo.

Leia mais: Urgente: Governo suspende exportação de frango do Rio Grande do Sul devido à gripe aviária

Primeiro caso comercial no Brasil acende alerta global

Gripe aviária
Imagem: Freepik

Na sexta-feira, 16 de maio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou o primeiro registro da gripe aviária em uma granja comercial brasileira, localizada em Montenegro, no interior do Rio Grande do Sul. Embora o Brasil já tivesse identificado casos anteriores da doença em aves silvestres, essa foi a primeira ocorrência em ambiente produtivo. Isso elevou o nível de atenção tanto no mercado interno quanto no cenário internacional.

A detecção do vírus H5N1 em ambiente comercial, ainda que controlado, gerou preocupação sobre a disseminação da doença e seus impactos sobre a produção nacional. O Brasil, maior exportador global de carne de frango, tem nas suas exportações um pilar fundamental da economia agropecuária.

Cresce o número de países que barram frango brasileiro

Desde o anúncio oficial, a lista de nações que suspenderam, parcial ou totalmente, a compra de frango brasileiro aumentou rapidamente. Inicialmente, países como México, Argentina, China, Chile, Uruguai e a União Europeia foram os primeiros a restringir as importações.

No domingo, 18 de maio, outros três países aderiram às restrições: Canadá, Coreia do Sul e África do Sul. Ao todo, são oito países e uma entidade econômica que determinaram a suspensão total das importações como medida de precaução diante do surto.

Além dessas suspensões totais, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Filipinas adotaram restrições parciais, baseadas nos protocolos sanitários que preveem bloqueios de produtos provenientes da região afetada, neste caso, o estado do Rio Grande do Sul.

Estratégia de contenção e protocolos de exportação

De acordo com o Ministério da Agricultura, todas as medidas sanitárias necessárias foram imediatamente adotadas para conter o foco da doença. O protocolo internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) prevê que, em casos localizados, as exportações podem continuar a partir de regiões não afetadas, sob monitoramento rigoroso.

Apesar disso, a adoção de suspensões por parte de países importadores se baseia, muitas vezes, em regras específicas que determinam o bloqueio automático diante da ocorrência de qualquer foco em zona produtiva comercial.

A Arábia Saudita, por exemplo, optou por limitar as importações exclusivamente às aves oriundas de outros estados que não o Rio Grande do Sul. Já os Emirados Árabes e as Filipinas impuseram restrições com base na localização geográfica do surto, como previsto em seus acordos bilaterais sanitários.

Exportações ameaçadas e impactos econômicos

Com a suspensão das compras por alguns dos principais parceiros comerciais, o agronegócio brasileiro vê ameaçado um de seus setores mais lucrativos. Em 2023, o Brasil exportou mais de 4,8 milhões de toneladas de carne de frango, movimentando cerca de US$ 9 bilhões. Qualquer retração nesse volume afeta não apenas a balança comercial, mas também a geração de empregos e a arrecadação fiscal em diversos estados produtores.

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A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que está em contato constante com os importadores e autoridades internacionais para reforçar a transparência do processo e garantir que o surto está sob controle. A entidade ainda destacou a eficiência das medidas adotadas pelo Mapa, reforçando que o Brasil permanece como um fornecedor confiável de alimentos.

Risco à saúde humana é considerado baixo

Até o momento, não há registros de transmissão do vírus da gripe aviária (H5N1) para humanos no Brasil. O consumo de carne de frango e ovos também continua seguro, segundo as autoridades sanitárias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a infecção humana por gripe aviária ocorre em casos extremamente raros e, geralmente, após contato direto com aves infectadas vivas.

Especialistas reforçam que os produtos avícolas industrializados passam por inspeção rigorosa e que não há risco de contaminação por meio do consumo de carnes devidamente preparadas. Ainda assim, o surto impacta a confiança dos mercados e exige atenção redobrada por parte dos produtores e do governo.

Perspectivas e próximos passos

gripe aviária
Imagem: Freepik

As autoridades brasileiras seguem monitorando a situação com rigidez, ampliando os controles sanitários nas granjas e reforçando os sistemas de vigilância em todo o país. Uma das prioridades é evitar a disseminação do vírus para outras regiões e preservar a integridade do status sanitário do país perante os parceiros comerciais.

A retomada das exportações depende da estabilização do cenário e da confiança internacional de que o surto foi contido. A diplomacia brasileira atua para esclarecer dúvidas e garantir que os protocolos foram seguidos à risca, buscando a reabertura gradual dos mercados.

Com informações de: Metrópoles

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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