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Fábrica da GWM terá produção anual de 50 mil veículos e planos de nova unidade

A GWM inaugura fábrica em Iracemápolis com meta de 50 mil carros por ano e já estuda abrir nova unidade no Brasil até 2026.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Fábrica da GWM terá produção anual de 50 mil veículos e planos de nova unidade

A montadora chinesa Great Wall Motors (GWM) inaugurou oficialmente, em 15 de agosto, sua primeira fábrica no Brasil, localizada em Iracemápolis, interior de São Paulo.

O evento, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de executivos da companhia, marcou o início da produção nacional de veículos da marca, consolidando os planos de expansão da empresa no país e reforçando a importância estratégica do mercado brasileiro para a companhia.

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Capacidade produtiva e primeiros modelo

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Imagem: John Gress Media Inc/Shutterstock.com

A planta de Iracemápolis, adquirida da Daimler há quatro anos, possui capacidade instalada para produzir até 50 mil veículos por ano. Inicialmente, três modelos serão fabricados localmente: os utilitários esportivos Haval H6 e H9, além da picape Power P30.

Segundo Parker Shi, CEO da GWM International, a companhia mira uma participação de mercado mais ampla, com a expectativa de vender entre 250 mil e 300 mil veículos por ano no Brasil, incluindo modelos produzidos internamente e unidades importadas.

Busca por nova fábrica no Brasil

Expansão em estudo

A GWM já estuda a instalação de uma segunda unidade fabril no país, com decisão prevista para meados de 2026. A empresa afirma ter recebido propostas de estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espírito Santo, que buscam atrair o investimento bilionário.

Segundo Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM Brasil, duas alternativas estão na mesa: expandir a estrutura existente em Iracemápolis ou construir uma nova fábrica do zero, que poderia ser maior e atender a diferentes segmentos do mercado.

Novos modelos mais acessíveis

Uma das principais metas da marca é lançar veículos em faixas de preço abaixo dos R$ 200 mil. Atualmente, os modelos da GWM no Brasil custam acima desse patamar, enquanto grande parte do mercado nacional gira em torno dos R$ 150 mil.

Entre as possibilidades estudadas estão o desenvolvimento de um SUV menor que o H6 e de uma picape compacta, segmentos de grande apelo junto ao consumidor brasileiro.

Investimentos e cadeia produtiva

R$ 10 bilhões até 2032

A instalação da fábrica em Iracemápolis faz parte de um plano de investimentos de R$ 10 bilhões no Brasil, sendo R$ 4 bilhões até 2026 e mais R$ 6 bilhões até 2032.

Na segunda fase de aportes, a companhia pretende fortalecer a cadeia de suprimentos, ampliar negócios no segmento de veículos pesados e investir na produção local de pacotes de baterias, medida considerada essencial para elevar o índice de nacionalização de componentes.

Esse movimento abriria espaço para que a GWM exporte veículos brasileiros para outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, tornando a operação no país ainda mais estratégica.

Centro de Pesquisa e Desenvolvimento

Durante a cerimônia de inauguração, a GWM anunciou também a criação de seu primeiro Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na América do Sul, com sede em São Paulo. O espaço contará com mais de 60 engenheiros e técnicos especializados, com foco na tecnologia flex-fuel e na adaptação de modelos globais às condições brasileiras de rodagem.

Perspectivas de mercado

Crescimento acelerado

A montadora projeta vender 36 mil veículos em 2025, número 23% superior às estimativas para 2024, e acima da previsão inicial de 31 mil unidades. A meta ambiciosa reforça a intenção da empresa de se consolidar como uma das protagonistas do setor automotivo brasileiro.

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Brasil como laboratório estratégico

De acordo com Ricardo Bastos, a experiência no Brasil tem servido como um “laboratório de boas práticas”, especialmente no relacionamento com concessionários e consumidores. A política de preço único nacional e a preocupação em oferecer suporte qualificado são vistas como diferenciais competitivos frente às rivais já estabelecidas no mercado.

O impacto para a indústria automotiva brasileira

Montadora chinesa de carros elétricos
Imagem: Jenson/Shutterstock.com

Geração de empregos e inovação

A chegada da GWM reforça a competitividade do setor automotivo nacional e promete gerar milhares de empregos diretos e indiretos, tanto na fábrica de Iracemápolis quanto nas futuras instalações planejadas. Além disso, o investimento em P&D sinaliza um avanço na produção de veículos adaptados às necessidades locais, com maior foco em eficiência energética e sustentabilidade.

Competição no segmento de SUVs e picapes

O mercado brasileiro de SUVs e picapes é um dos mais disputados do mundo, com forte presença de montadoras tradicionais como Toyota, Volkswagen, Chevrolet e Stellantis. A entrada agressiva da GWM, com produtos híbridos e elétricos, pode acelerar a transição energética no setor e forçar concorrentes a ampliarem seus investimentos em novas tecnologias.

Conclusão

A inauguração da fábrica da GWM em Iracemápolis é apenas o primeiro passo de um ambicioso plano de expansão no Brasil. Com capacidade para 50 mil veículos por ano, planos de novos modelos mais acessíveis, investimentos robustos em P&D e negociações para uma segunda unidade, a montadora chinesa reforça seu compromisso com o mercado brasileiro.

Se confirmada, a nova fábrica poderá reposicionar a marca no segmento de veículos abaixo de R$ 200 mil, ampliando sua base de clientes e consolidando o país como polo estratégico para suas operações na América do Sul.

Imagem: Roman Zaiets / Shutterstock

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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