Durante o Futurecom, maior congresso de telecomunicações do país, o gerente do escritório paulista da Anatel, Marcelo Scacabarozi, apresentou uma proposta inovadora: a criação de uma habilitação digital para o uso seguro de celulares.
A ideia tem como foco proteger crianças, adolescentes e idosos de golpes virtuais e riscos no ambiente online.
Celular com habilitação digital? Anatel quer proteger crianças e idosos de golpes virtuais!
A Anatel propõe criar uma habilitação digital para uso seguro do celular e proteger crianças e idosos de golpes. Saiba como a ideia funcionaria.
Segundo Scacabarozi, o projeto permitiria que o consumidor, ao ativar o aparelho, pudesse optar por um curso rápido de capacitação digital antes de desbloquear todas as funcionalidades do dispositivo.
O objetivo é educar os usuários sobre segurança cibernética e incentivar o uso consciente da tecnologia. Continue a leitura e entenda como a proposta funcionaria.
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Como funcionaria a habilitação digital da Anatel

A proposta de habilitação digital funcionaria como um processo educativo simples e acessível.
O usuário, ao adquirir um novo celular, teria a opção de realizar um curso online de poucos minutos, com orientações práticas sobre:
- Proteção de senhas e dados pessoais;
- Reconhecimento de mensagens fraudulentas e links suspeitos;
- Cuidados ao compartilhar informações nas redes sociais;
- Importância do uso de autenticação em duas etapas.
Após concluir o curso, o consumidor ganharia o “selo de habilitação digital”, que liberaria o acesso total às funções do aparelho.
Além disso, famílias que participassem poderiam receber benefícios no plano de telefonia, como descontos em mensalidades.
Educação digital desde o ensino fundamental
Scacabarozi também defendeu que a formação em cibersegurança seja incluída no currículo escolar.
Segundo ele, a educação digital precisa começar ainda na infância, garantindo que as novas gerações saibam lidar com o ambiente virtual de forma ética e segura.
“As famílias devem ser capacitadas para proteger suas crianças e adolescentes na navegação online”, afirmou o gerente da Anatel.
A ideia reforça a importância de integrar o aprendizado tecnológico às políticas educacionais, preparando os jovens para um mundo cada vez mais conectado e exposto a riscos digitais.
Grupos mais vulneráveis são os mais expostos
O representante da Anatel destacou que os segmentos mais vulneráveis da sociedade — como crianças, adolescentes e idosos — são justamente os menos preparados para enfrentar os desafios da era digital.
Esses grupos, segundo ele, costumam adquirir noções de segurança apenas após serem vítimas de golpes virtuais ou ao conhecerem casos de pessoas próximas.
Essa falta de preparo cria um ciclo de vulnerabilidade digital, em que a desinformação facilita a ação de criminosos virtuais.
Para a Anatel, a habilitação digital poderia quebrar esse ciclo, oferecendo informação e conscientização preventiva.
Anatel reforça combate a golpes e estações piratas
Além da proposta de habilitação digital, Marcelo Scacabarozi destacou as recentes ações do escritório da Anatel São Paulo contra estações móveis piratas — equipamentos ilegais que bloqueiam o sinal de celulares e enviam SMS maliciosos aos usuários.
Essas operações, realizadas em conjunto com as forças de segurança do estado, levaram à prisão de três quadrilhas envolvidas em golpes digitais.
Em um dos casos, os criminosos chegaram a enviar 180 mil mensagens falsas em apenas uma hora, no Viaduto Santa Generosa, região da Avenida Paulista.
A superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Teles, também reforçou durante o evento que o combate a fraudes digitais é prioridade nacional.
Segundo ela, a agência vem aprimorando mecanismos de monitoramento e bloqueio de sinais ilegais para evitar que a população continue sendo alvo de golpes.
Golpes digitais mais comuns e como se proteger
Durante o encontro, a Anatel listou os golpes virtuais mais recorrentes no Brasil e as medidas de precaução que os usuários podem adotar.
Entre os principais estão:
- Clonagem de WhatsApp: criminosos se passam por contatos próximos e pedem transferências via Pix.
- Falsos links de prêmios: mensagens prometem sorteios ou brindes, mas direcionam o usuário a sites maliciosos.
- Phishing bancário: e-mails falsos simulam instituições financeiras para roubar dados de login e senhas.
- Aplicativos falsos: apps que se disfarçam de jogos ou ferramentas úteis, mas coletam informações sigilosas.
- Golpes de falso suporte técnico: ligações fraudulentas pedem acesso remoto ao celular da vítima.
Essas e outras orientações estão disponíveis no Portal da Anatel, em um espaço dedicado à segurança digital.
O site traz manuais, vídeos educativos e canais para denúncias de irregularidades.
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Habilitação digital: uma resposta à era dos dados
Na visão de especialistas, a proposta de habilitação digital surge em um momento em que dados pessoais se tornaram moeda de troca na internet.
Com a crescente digitalização de serviços e o uso de aplicativos para atividades cotidianas — como bancos, redes sociais e compras —, o cidadão comum nem sempre sabe onde suas informações estão sendo usadas.
A proposta da Anatel busca justamente oferecer um mecanismo de proteção e aprendizado contínuo, ajudando o público a identificar riscos antes de ser vítima.
Com uma formação básica, cada usuário poderia adotar práticas simples de autoproteção, como verificar a origem de mensagens e evitar o compartilhamento de informações sensíveis.
Cultura de prevenção e cidadania digital

O conceito de habilitação digital também carrega uma dimensão cultural e social.
Mais do que um curso técnico, o programa visa criar uma consciência coletiva sobre o uso responsável da tecnologia.
Segundo Scacabarozi, a iniciativa tem potencial para transformar o modo como brasileiros interagem com o ambiente virtual, promovendo educação, empatia e segurança.
Para a Anatel, essa mudança de mentalidade é essencial para reduzir o número de vítimas de crimes cibernéticos e fortalecer a confiança nas comunicações digitais.
O que vem pela frente
Embora ainda seja uma proposta em discussão, a habilitação digital tem recebido apoio de especialistas em telecomunicações e segurança da informação.
A expectativa é que a ideia seja debatida dentro da Anatel e submetida a consultas públicas antes de qualquer implementação.
Enquanto isso, a agência continua investindo em ações educativas, campanhas informativas e operações de fiscalização.
A meta é garantir que a população use o celular com mais consciência e segurança, transformando o Brasil em um ambiente digital mais confiável e protegido.
Em um mundo cada vez mais conectado, a habilitação digital representa mais do que uma ferramenta de ensino — é um passo importante para a cidadania digital.
Com informação e preparo, crianças, jovens e idosos podem finalmente navegar com segurança e autonomia, sem cair nas armadilhas virtuais.
Com informações de: Agência Nacional de Telecomunicações
