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Hacker devolve US$ 5 milhões ao ZKsync após ataque: entenda o que aconteceu

Após um ataque ao contrato de airdrop do ZKsync, hacker devolve US$ 5 milhões em tokens ZK e ETH. Entenda os detalhes do incidente e as implicações para a segurança no universo cripto.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
ZKsync

O universo das criptomoedas foi surpreendido por um ato inusitado: um hacker que havia desviado quase US$ 5 milhões do contrato de airdrop do ZKsync decidiu devolver os fundos dentro do prazo estipulado pelo projeto.

O incidente, que inicialmente gerou preocupação na comunidade, teve um desfecho inesperado e trouxe à tona discussões sobre segurança, ética e as práticas no ecossistema DeFi. Em meio a uma crescente onda de ataques e fraudes digitais no setor cripto, esse episódio ressalta a necessidade urgente de soluções de segurança mais eficazes.

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O ataque ao contrato de airdrop do ZKsync

No início da semana, o protocolo de segunda camada do Ethereum, ZKsync, foi alvo de um ataque sofisticado. O invasor explorou uma vulnerabilidade ligada a uma “chave comprometida” vinculada ao contrato de airdrop do token ZK.

Essa brecha permitiu que o atacante criasse novos tokens de forma fraudulenta e redirecionasse os fundos que ainda não haviam sido reivindicados pelos usuários.

Mais de 44,6 milhões de tokens ZK e aproximadamente 1.800 ETH foram desviados em questão de horas. A movimentação dos ativos ocorreu tanto na rede Ethereum quanto na própria camada 2 do ZKsync, dificultando o rastreamento e a contenção imediata.

A resposta do ZKsync

Diante da gravidade do ataque, o time do ZKsync agiu rapidamente. Em uma tentativa de recuperar os ativos sem acionar diretamente as autoridades, o protocolo emitiu uma mensagem on-chain propondo um acordo ao hacker: devolver 90% dos fundos dentro de 72 horas e, em troca, receber uma recompensa de 10% pelos fundos devolvidos.

Caso a proposta fosse ignorada, o caso seria entregue às autoridades para uma investigação criminal completa.

Essa abordagem, embora controversa, já foi utilizada anteriormente em incidentes similares no setor de finanças descentralizadas. A ideia é minimizar os danos e evitar longos processos judiciais que muitas vezes não resultam na recuperação dos ativos.

A devolução dos fundos e a repercussão

Surpreendentemente, o hacker aceitou os termos e devolveu os fundos dentro do prazo estipulado. O ZKsync confirmou a devolução através de uma publicação na plataforma X (antigo Twitter), afirmando: “Estamos satisfeitos em compartilhar que o hacker cooperou e devolveu os fundos dentro do prazo de proteção. O caso agora é considerado resolvido.”

Os ativos devolvidos — mais de 44,6 milhões de tokens ZK e quase 1.800 ETH — foram transferidos para a custódia do Conselho de Segurança do ZKsync. Agora, caberá à governança do protocolo decidir como esses fundos serão redistribuídos ou utilizados.

Além disso, o ZKsync garantiu que “todos os fundos dos usuários estão seguros e nunca estiveram em risco”, reiterando que tanto o protocolo quanto o contrato do token permaneceram intactos e seguros durante todo o episódio.

Estabilização do mercado

Após a notícia do ataque, o preço do token ZK sofreu uma breve queda, atingindo US$ 0,04. Contudo, com a devolução dos ativos e o controle da situação, o token se estabilizou em torno de US$ 0,05, com uma leve queda de 2,6% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinGecko.

Um panorama alarmante: hacks e fraudes em alta

Proteger criptomoedas de hackers
Andreanicolini e ViChizh / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

O caso do ZKsync é apenas mais um entre muitos incidentes registrados em 2024. Segundo a empresa de segurança blockchain Immunefi, quase US$ 1,6 bilhão em ativos digitais foram roubados apenas nos dois primeiros meses do ano.

Já o relatório da CertiK aponta perdas de US$ 1,67 bilhão somente no primeiro trimestre, abrangendo hacks, golpes e explorações de vulnerabilidades.

Um dos episódios mais impactantes foi o ataque à Bybit, que resultou na perda de US$ 1,45 bilhão, representando a maior parte das perdas no trimestre. A magnitude do ataque acendeu um alerta sobre a necessidade de revisão nas práticas de segurança adotadas por exchanges centralizadas e descentralizadas.

Falhas recorrentes de segurança

Entre os principais vetores de ataque estão as chaves privadas comprometidas, que foram responsáveis por US$ 142,3 milhões em perdas apenas em 15 incidentes. Essa prática segue sendo uma das maiores vulnerabilidades nos ecossistemas de blockchain, especialmente em ambientes onde a segurança não é auditada com frequência.

A taxa de recuperação de fundos, por sua vez, caiu drasticamente. Apenas 0,38% dos fundos roubados no primeiro trimestre foram recuperados, em comparação com mais de 42% no trimestre anterior. Em fevereiro, nenhum valor foi devolvido, mostrando o quanto é raro um caso como o do ZKsync.

Ethereum no centro dos ataques

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A rede Ethereum continua sendo o principal alvo dos cibercriminosos. De acordo com a CertiK, cerca de US$ 1,54 bilhão foram roubados em 98 incidentes envolvendo a rede até o momento.

Isso se deve, em parte, à popularidade da plataforma e à vasta gama de aplicações DeFi que operam sobre ela, o que naturalmente a torna mais atraente para hackers.

O que o caso do ZKsync ensina?

O fato de o ZKsync conseguir recuperar os fundos roubados sem recorrer diretamente às autoridades tradicionais mostra o potencial da governança descentralizada em lidar com crises. Ao oferecer um incentivo razoável e atuar com rapidez, o protocolo conseguiu evitar maiores danos à comunidade.

Além disso, o papel do Conselho de Segurança e a estrutura de governança transparente demonstram a importância de organizações bem definidas dentro dos projetos cripto. Protocolos sem tais estruturas podem encontrar maiores dificuldades para reagir em tempo hábil a incidentes dessa natureza.

Ética hacker: entre o crime e o ativismo

A devolução dos fundos também reacende um debate antigo no setor: a linha tênue entre cibercrime e ética hacker. Alguns veem ações como essa como uma forma de “white-hat hacking”, em que o invasor demonstra falhas de segurança em troca de reconhecimento ou recompensa.

Outros argumentam que qualquer invasão não autorizada deve ser tratada como crime, independentemente da devolução dos ativos.

Considerações finais

Embora o episódio do ZKsync tenha tido um desfecho positivo, ele expõe uma verdade incontestável: o ecossistema cripto ainda é altamente vulnerável a ataques.

Com bilhões de dólares em jogo, protocolos, investidores e desenvolvedores precisam redobrar a atenção quanto à segurança de contratos inteligentes, custódia de ativos e estratégias de mitigação de risco.

Este incidente deve servir como alerta e oportunidade para que a comunidade repense a arquitetura de segurança em plataformas DeFi. Transparência, governança ativa e auditorias constantes são ingredientes fundamentais para garantir a proteção e a confiança dos usuários.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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