Na noite de domingo (31), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou a dificuldade de diálogo com os Estados Unidos em função do tarifaço de 50% aplicado a produtos brasileiros. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Haddad ressaltou que o Brasil permanece aberto ao diálogo com os americanos, mas destacou a centralização de decisões na presidência dos EUA.
“Está muito centralizado numa pessoa só as decisões no governo americano, é um novo modo de governar que não tem precedente naquele país”, afirmou Haddad.
Na noite de domingo (31), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou a dificuldade de diálogo com os Estados Unidos em função do tarifaço de 50% aplicado a produtos brasileiros. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Haddad ressaltou que o Brasil permanece aberto ao diálogo com os americanos, mas destacou a centralização de decisões na presidência dos EUA.
“Está muito centralizado numa pessoa só as decisões no governo americano, é um novo modo de governar que não tem precedente naquele país”, afirmou Haddad.
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O ministro ponderou que, apesar da sobretaxa, o empresariado americano já buscou minimizar os impactos, como demonstrado nas 694 exceções listadas para produtos do Brasil.
Questionado sobre a notificação do governo dos EUA relativa à Lei de Reciprocidade, Haddad lembrou que a norma foi aprovada no Congresso com apoio tanto da oposição quanto da situação. Ele ressaltou que uma comissão avaliará o momento adequado e a estratégia mais conveniente para aplicação da política pelo Brasil.
Haddad também comentou a situação envolvendo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que havia marcado uma reunião virtual com ele, posteriormente cancelada por alegada falta de agenda. No mesmo dia, o secretário norte-americano encontrou-se com Eduardo Bolsonaro.
“Acredito que depois das revelações da quebra do sigilo… O governo dos EUA vai olhar para aquilo. Pode fingir que não viu. Mas a Embaixada vai ter que informar a Casa Branca. (…) O estado vai distensionar. O tempo vai trazer alguma racionalidade”, disse Haddad.
O ministro também associou a imposição da sobretaxa à atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro e seu julgamento por tentativa de golpe de Estado, indicando que este contexto influenciou as decisões do governo americano.
Visto e relações internacionais
Indagado sobre a renovação do visto para os EUA, Haddad afirmou estar tranquilo, avaliando que se trata de uma questão protocolar, já que possui visto como cidadão e visto diplomático. O ministro ressaltou a necessidade do documento para representar o Brasil na reunião do G20, que ocorrerá nos Estados Unidos.
Haddad também destacou que os EUA deixaram de ser principal destino das exportações brasileiras, reforçando a estratégia do país de buscar novos parceiros comerciais para enfrentar os impactos do tarifaço.
Juros altos e economia nacional
Ao comentar o atual patamar da taxa básica de juros, de 15% ao ano, Haddad disse ser necessário normalizar divergências internas dentro do governo, sem contestar a autoridade da diretoria do Banco Central.
“Uma taxa de juro real (descontada a inflação) de 10% representa um peso muito grande para a economia”, afirmou.
Ele citou preocupações relacionadas à desaceleração da atividade econômica e ao aumento da inadimplência, afirmando que o Banco Central, com sete de nove integrantes indicados pelo presidente, avaliará o momento adequado para iniciar o ciclo de corte da Selic.
Situação dos Correios inspira cuidados
Questionado sobre estatais brasileiras, Haddad destacou a situação crítica dos Correios:
“A situação dos Correios inspira cuidados. A empresa hoje tem o passivo de ter que entregar cartas físicas para quem ainda usa esse recurso nas regiões mais remotas do país.”
O ministro enfatizou que a estatal enfrenta concorrência internacional intensa, especialmente em marketplaces, e que precisa se reinventar para não perder espaço:
“Os concorrentes vão pegando o filé mignon. Ele está tentando se reinventar, hoje a concorrência internacional em relação aos Correios é monstruosa.”
Operação Carbono Neutro e combate ao PCC
Haddad comentou ainda a Operação Carbono Neutro, que investiga os laços econômicos do PCC. Segundo ele, a operação representa um novo momento na segurança pública do país, destacando a cooperação entre Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público.
“A operação chegou no comando do sistema, tanto é que chegou na Faria Lima. Ela inaugurou um novo momento da segurança pública no país”, afirmou.
O ministro acrescentou que, de acordo com o avanço das investigações, é possível que o valor movimentado pelo crime nos últimos anos alcance a ordem de centenas de bilhões de reais.
Estratégias do governo frente ao tarifaço
Imagem: Salty View/ Shutterstock.com
Haddad reafirmou que o governo brasileiro permanece aberto ao diálogo, mas que enfrenta desafios devido à centralização das decisões nos EUA. O ministério tem buscado mitigar impactos por meio de políticas internas, diversificação de mercados e articulação internacional.
“O empresariado americano já percebeu a necessidade de atenuar impactos, e as exceções na lista mostram que há espaço para negociação”, destacou.
Além disso, o Brasil estuda instrumentos legais, como a Lei de Reciprocidade, para responder de forma estratégica e proteger exportações e cadeias produtivas nacionais.
Reflexos para a economia e comércio exterior
O tarifaço americano pode gerar pressão sobre setores exportadores, especialmente agropecuária, indústria e produtos manufaturados. Haddad sublinhou a importância de expandir parcerias comerciais e diversificar destinos de exportação, reduzindo a dependência de um único mercado.
“O tempo vai trazer alguma racionalidade. Estamos buscando alternativas para reduzir impactos sobre produtores e consumidores brasileiros”, disse Haddad.
A expectativa é que, com o avanço das negociações e análise da Lei de Reciprocidade, seja possível estabilizar relações comerciais com os EUA sem comprometer interesses estratégicos do Brasil.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.