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Haddad mantém parte da alta do IOF após negociação com Congresso

Ministro Fernando Haddad consegue manter parte do aumento do IOF após negociação com Congresso. Entenda as mudanças, impactos e mais.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, obteve uma importante vitória política ao conseguir manter parte do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) mesmo após intensa negociação com os presidentes da Câmara e do Senado. Embora o Congresso tenha pressionado para a revogação total do decreto que elevou o IOF, a equipe econômica garantiu a manutenção parcial da medida, que entrou em vigor no dia 2 de junho de 2025. Este artigo detalha os termos da negociação, os impactos econômicos e as estratégias do governo para compensar a arrecadação com outras medidas fiscais.

O contexto da alta do IOF em 2025

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Imagem: Salty View/ Shutterstock.com

O governo federal enfrentava desafios fiscais e buscava formas de aumentar a arrecadação sem impactar diretamente o orçamento público. O IOF foi escolhido como um mecanismo para tributar operações financeiras específicas, como as chamadas operações de risco sacado e compras com cartões internacionais. A ideia era elevar a alíquota para aumentar a receita e reduzir o déficit fiscal.

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As principais medidas do decreto original

  • Elevação da alíquota do IOF para 0,98% sobre operações de risco sacado;
  • Aumento da tributação sobre apostas (de 12% para 18%);
  • Outras alterações planejadas para setores financeiros, incluindo fintechs e títulos de crédito.

A negociação entre o governo e o Congresso

Pressão dos presidentes da Câmara e Senado

Hugo Motta (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado) foram unânimes em defender a revogação do decreto, afirmando que o Congresso era contra qualquer aumento de impostos. Eles deram um ultimato de 10 dias para que Haddad retirasse a medida, com ameaça de colocar em votação um projeto para derrubar o decreto.

Resultado da reunião decisiva

Em reunião realizada no dia 8 de junho de 2025, com a participação de líderes partidários e ministros, houve um acordo para recalibrar o decreto, mantendo parte do aumento do IOF. Com isso, o decreto passará por uma nova edição e não será submetido à votação no Congresso para ser anulado.

O que foi mantido e o que foi cortado no IOF?

IOF sobre operações de risco sacado

  • A alíquota inicial prevista de 0,98% sofrerá um corte de cerca de 80%;
  • A cobrança diária será alterada e a parte fixa da tarifa será retirada;
  • A operação é importante para empresas que antecipam recebíveis, impactando o custo do crédito e os juros.

IOF sobre cartões de crédito internacionais

  • A tributação sobre compras no exterior será mantida;
  • Afeta principalmente consumidores da classe média e alta, além de quem compra online fora do país em pequenas quantidades.

Novas medidas para compensar arrecadação

Aumento do imposto sobre apostas

  • Imposto subirá de 12% para 18% ainda em 2025;
  • Medida visa compensar a perda de receita pela redução do IOF.

Taxação em outros setores financeiros

  • Incidência de imposto de 5% sobre LCA e LCI (títulos de crédito do agronegócio e imobiliário);
  • Proposta de igualar alíquotas entre fintechs e bancos, aproximando tributos entre 15% a 20%;
  • Ajustes na tributação sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP).

Reações políticas e impactos econômicos

Divergências entre governo e Congresso

Embora o governo celebre a manutenção parcial do aumento do IOF como vitória, líderes do Congresso também reivindicam sucesso por terem conseguido a redução da alíquota. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, qualificou o acordo como uma vitória conjunta.

Impacto para os contribuintes

  • Empresários e consumidores sentirão aumento nos custos de operações financeiras;
  • Setores como agronegócio, imobiliário e fintechs terão maior carga tributária;
  • Compradores internacionais, especialmente da classe média, poderão pagar mais ao usar cartões no exterior.

O cenário fiscal e eleitoral para 2025

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

O governo não espera aprovar grandes reformas tributárias via PEC (Proposta de Emenda à Constituição) até as eleições de 2026, dada a sensibilidade dos temas e o calendário político.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quais operações serão afetadas pelo novo IOF?

Operações de risco sacado (antecipação de recebíveis), compras com cartão internacional e alguns títulos financeiros terão aumento do IOF.

O Congresso derrubou o decreto do IOF?

Não. Após negociações, o decreto foi recalibrado, mantendo parte do aumento do IOF, com redução da alíquota.

Considerações finais

A disputa política em torno do aumento do IOF em 2025 mostra a complexidade de gerir as contas públicas em um cenário econômico desafiador e com pressões políticas intensas. Apesar da resistência do Congresso, o ministro Fernando Haddad conseguiu manter parte do aumento do imposto, ao custo de aceitar cortes na alíquota e prometer compensações fiscais em outros setores.

O episódio evidencia o delicado equilíbrio entre a necessidade de arrecadação e a sensibilidade dos contribuintes frente ao aumento da carga tributária.