O governo federal anunciou, na terça-feira (24), um novo mecanismo que permite a hospitais privados e filantrópicos quitarem dívidas com a União em troca de atendimento especializado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A medida também permite que unidades sem pendências tributárias participem da iniciativa, recebendo créditos tributários válidos para descontos em impostos federais.
Hospitais privados terão crédito para abater dívidas com base no atendimento ao SUS
Governo cria mecanismo para que hospitais abatam dívidas com a União prestando atendimentos especializados ao SUS.
A proposta, que integra o programa Agora Tem Especialistas, relançado recentemente pelo Ministério da Saúde, tem como foco a redução das filas de espera para consultas, exames e cirurgias de média e alta complexidade. O início dos atendimentos está previsto para agosto de 2025, com um teto de R$ 2 bilhões por ano em abatimento de dívidas e R$ 750 milhões em créditos tributários.
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Como funcionará o programa de transação com o SUS
Troca de dívidas por serviços médicos
O programa segue a lógica de iniciativas como o Prouni, que concede bolsas em faculdades privadas em troca de isenção fiscal. Agora, a mesma abordagem será aplicada à área da saúde: hospitais com dívidas poderão prestá-las ao SUS na forma de atendimentos especializados, previamente acordados com o Ministério da Saúde.
A medida foi anunciada pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Fernando Haddad (Fazenda) em uma coletiva conjunta. O novo formato será formalizado por meio de uma portaria interministerial, que será publicada no Diário Oficial da União (DOU).
Quem pode participar
Podem aderir ao programa:
- Hospitais privados com dívidas tributárias ativas com a União;
- Instituições filantrópicas com histórico de prestação de serviços ao SUS;
- Hospitais sem dívidas, que passarão a ter direito a créditos tributários para abater impostos federais.
Como será a adesão
A adesão ao programa será feita em duas etapas:
- Ministério da Fazenda: as instituições devem se inscrever no processo de transação tributária, demonstrando o valor da dívida e capacidade operacional.
- Ministério da Saúde: a pasta avaliará a capacidade técnica, oferta de serviços e demanda regional, aprovando ou não a proposta de prestação de serviços.
Ao fim do processo, os hospitais receberão um certificado que valida o crédito tributário ou o abatimento da dívida, conforme o caso.
Quais áreas terão prioridade nos atendimentos
Segundo a equipe técnica do governo, os primeiros procedimentos cobertos pelo programa devem ocorrer a partir de agosto de 2025, com foco nas seguintes áreas prioritárias:
- Oncologia
- Ginecologia
- Cardiologia
- Ortopedia
- Oftalmologia
- Otorrinolaringologia
A expectativa é que o programa abranja cerca de 1.300 tipos diferentes de cirurgias, além de consultas e exames especializados.
Foco na redução de filas e fortalecimento do SUS

Impacto direto sobre a fila de espera
O programa “Agora Tem Especialistas” tem como objetivo atacar diretamente o gargalo da saúde pública brasileira: a longa espera por atendimentos especializados. Ao usar a infraestrutura ociosa da rede privada, o governo espera agilizar o acesso à saúde para milhões de brasileiros, especialmente em regiões com carência de especialistas.
Padilha enfatizou que essa estratégia permitirá transformar valores que a União não consegue recuperar em ações concretas de saúde pública.
“Estamos falando de consultas, exames, cirurgias que vão acontecer onde as pessoas vivem e precisam ser atendidas”, afirmou o ministro da Saúde.
Integração entre os entes da federação
Um painel digital unificado será disponibilizado para monitorar todos os atendimentos realizados por meio do programa. O sistema deverá ser alimentado obrigatoriamente por todas as instituições participantes, incluindo redes privadas, estaduais, municipais e filantrópicas.
A proposta prevê que os dados sobre produção, execução, qualidade e regionalização fiquem disponíveis para consulta pública, ampliando a transparência e o controle social sobre os serviços.
Oportunidade para instituições em dificuldade financeira
Alívio para o setor hospitalar
Segundo o ministro Fernando Haddad, o Brasil possui 3.537 hospitais e entidades de saúde com dívidas ativas junto à União, somando R$ 34,1 bilhões. Muitos deles são centenários ou tradicionais prestadores de serviços ao SUS, mas enfrentam grave crise financeira, especialmente após os efeitos da pandemia.
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O novo mecanismo visa sanear parte dessas instituições, promovendo sua reabilitação operacional enquanto oferecem contrapartida real à sociedade.
“É um programa híbrido, que reúne elementos de renegociação tributária, política de saúde pública e justiça fiscal”, destacou Haddad.
Valorização da infraestrutura já existente
Ao incentivar o uso da capacidade instalada da rede privada, o governo espera evitar gastos com construção de novas unidades, ao mesmo tempo em que melhora o desempenho do SUS em áreas críticas.
Repercussões e próximos passos
Reação positiva do setor
Entidades representativas do setor hospitalar, como a Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), elogiaram a proposta. A CMB afirmou que a medida reconhece o papel estratégico da rede filantrópica, que realiza mais de 50% dos atendimentos de média e alta complexidade no SUS.
A Federação Brasileira de Hospitais (FBH) também destacou que o programa poderá estimular a regularização de dívidas e melhorar a gestão financeira das instituições.
Formalização e início da operação
A portaria que regulamenta o programa deve ser publicada nos próximos dias, com as primeiras adesões previstas para o início de julho. O cronograma de implementação prevê os primeiros atendimentos a partir de agosto, conforme a capacidade e aprovação técnica das instituições.
O Ministério da Saúde afirmou que o programa poderá ser expandido a outras especialidades médicas e regiões, de acordo com os resultados e demanda da população.
Comparações com o modelo do Prouni

A analogia feita por Padilha ao Prouni é relevante. Assim como o programa educacional, que utiliza isenções fiscais para garantir acesso ao ensino superior privado, o novo mecanismo busca converter passivos fiscais em políticas públicas efetivas.
No caso da saúde, o retorno é imediato e de alto impacto social, atendendo a uma das áreas mais sensíveis da população. A expectativa do governo é que o modelo seja replicado e expandido, inclusive em parcerias com estados e municípios.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
