A Apple iniciou conversas com o Google para explorar a possibilidade de usar o modelo Gemini como motor da próxima versão da Siri. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, fontes próximas às negociações afirmam que a iniciativa faz parte do esforço da empresa para recuperar terreno no setor de inteligência artificial (IA), onde rivais já avançaram com soluções mais robustas.
A integração com o Gemini seria um passo estratégico para acelerar o desenvolvimento da assistente virtual, ao mesmo tempo em que preserva o controle da Apple sobre a infraestrutura utilizada.
Clique no botao abaixo para liberar o conteudo completo gratuitamente.
Leia mais: Apple celebra parques nacionais com doações e desafios
Gemini rodando na nuvem privada da Apple

De acordo com a Bloomberg, o Google estaria treinando uma versão personalizada do Gemini para rodar nos servidores da Apple, dentro da estrutura de Private Cloud Compute. Essa plataforma permite que recursos de IA sejam processados fora dos dispositivos, mas ainda sob infraestrutura própria da Apple, garantindo maior segurança e privacidade para os usuários.
A escolha de uma solução externa não significa o abandono da tecnologia própria. Internamente, a Apple realiza um “bake-off” entre diferentes modelos de linguagem. Duas versões do novo assistente estão em desenvolvimento:
- Linwood: baseado em tecnologia própria da Apple.
- Glenwood: combina soluções externas, incluindo Gemini, Claude (Anthropic) e ChatGPT (OpenAI).
Executivos da empresa avaliam fatores como custos, viabilidade técnica e impacto em privacidade e segurança antes de tomar uma decisão final.
Atrasos e reorganização interna
O projeto de renovação da Siri foi anunciado em 2024 junto ao iOS 18, mas enfrenta atrasos sucessivos, com previsão de lançamento apenas em 2026. Essa demora provocou mudanças na liderança interna: o comando saiu de John Giannandrea, chefe de IA, e passou para Craig Federighi e Mike Rockwell, que buscam alternativas externas para acelerar o desenvolvimento.
Tim Cook, CEO da Apple, reforçou a importância do avanço em IA em reunião interna:
“Precisamos vencer em IA”, disse Cook, adotando tom otimista e lembrando que a Apple raramente chega primeiro em novos mercados, mas costuma oferecer soluções que se consolidam no longo prazo.
Reação do mercado
A notícia sobre a possível integração entre Apple e Google impactou positivamente o mercado de ações. Na última sexta-feira (22):
- As ações da Apple subiram até 1,4%.
- As ações do Google avançaram mais de 3%.
O movimento reflete a percepção de investidores de que o acordo poderia acelerar os planos de ambas as companhias no setor de assistentes virtuais.
Implicações estratégicas
Se confirmado, o uso do Gemini seria uma quebra de paradigma na forma como a Apple lida com tecnologias críticas, especialmente considerando sua histórica busca por controle total sobre o software de seus dispositivos.
A pressão para competir com rivais, como a Samsung, que já utiliza Gemini em algumas soluções de IA, pode levar a empresa a adotar uma postura mais flexível. Além da Siri, outros recursos do Apple Intelligence também podem passar a integrar modelos externos, complementando a experiência do usuário.
Atualmente, o sistema já inclui o ChatGPT para consultas gerais, em áreas em que o assistente original apresenta limitações de desempenho.
Desenvolvimento do primeiro modelo próprio
Enquanto negocia parcerias externas, a Apple segue desenvolvendo seu primeiro modelo de um trilhão de parâmetros, ainda em fase de testes, sem previsão de lançamento público.
A decisão sobre qual modelo utilizar deve levar algumas semanas e terá impacto direto na capacidade da Apple de competir em igualdade no setor de inteligência artificial, que deve definir o futuro dos dispositivos móveis e da interação por voz nos próximos anos.
Desafios e oportunidades
O debate interno da Apple envolve questões técnicas e éticas. A adoção de modelos externos pode acelerar o lançamento de funcionalidades avançadas na Siri, mas levanta preocupações sobre:
- Privacidade do usuário
- Segurança dos dados processados na nuvem
- Custos de licenciamento de tecnologia de terceiros
Especialistas afirmam que a parceria com o Google poderia combinar a robustez do Gemini com a expertise da Apple em hardware e experiência do usuário, criando um diferencial competitivo frente a rivais como Amazon, Microsoft e Samsung.
Perspectiva do setor

Analistas do setor de tecnologia destacam que a movimentação reflete uma tendência global: empresas que tradicionalmente priorizavam soluções próprias estão considerando integração com modelos de IA de terceiros para acelerar o desenvolvimento e reduzir o tempo de lançamento.
A adoção do Gemini pode impactar não apenas a Siri, mas também a estratégia da Apple para serviços baseados em IA, afetando iPhones, iPads, Macs e dispositivos vestíveis.
Com informações de: Bloomberg via Mundo Conectado

