Ibovespa registra alta superior a 1% com inflação americana estável; BTG dispara 8%
O mercado brasileiro opera em clima de otimismo nesta terça-feira (12), acompanhando o movimento positivo das bolsas internacionais após a divulgação de novos dados de inflação nos Estados Unidos. O Ibovespa (IBOV) subia 1,29% por volta das 11h, aos 137.540 pontos, enquanto o dólar recuava 0,53% frente ao real, cotado a R$ 5,42.
A combinação de inflação controlada nos EUA, expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) e dados domésticos abaixo das previsões reforçou o apetite por risco dos investidores.
Leia mais:
Tarifaço nos EUA derruba dólar; Ibovespa segue em alta
Inflação nos EUA e expectativas para o Fed
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,2% em julho nos EUA, alinhado às projeções do mercado. Na comparação anual, a inflação acelerou para 3,1%, levemente acima da previsão de 3%, mas ainda dentro de um intervalo considerado seguro para o início de cortes de juros.
A leitura tranquilizou os mercados e aumentou a aposta de que o Fed pode iniciar a redução da taxa básica já em setembro. De acordo com o monitoramento do CME Group, a probabilidade de corte de juros na reunião de setembro saltou de 57,4% no mês passado para 92,2% nesta semana.
Reação das bolsas americanas
- Dow Jones: +0,50%
- S&P 500: +0,28%
- Nasdaq: +0,20% – com possibilidade de fechar em novo recorde histórico.
O cenário positivo nos EUA contagia outras praças financeiras, beneficiando principalmente mercados emergentes.
IPCA surpreende e reforça otimismo local
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,26% em julho, segundo dados do IBGE, resultado abaixo das estimativas de mercado. No acumulado em 12 meses, a inflação desacelerou para 5,23%, ante expectativa de 5,33% apontada pela mediana de economistas consultados pela Bloomberg News.
Significado para a política monetária brasileira
O resultado abaixo das projeções reforça a possibilidade de que o Banco Central mantenha a taxa Selic estável por mais tempo, mas com viés de redução caso a trajetória de preços siga controlada. O dado foi bem recebido por investidores, que ajustaram as expectativas para cortes graduais de juros no início de 2026.
BTG Pactual dispara com lucro recorde
As ações do BTG Pactual (BPAC11) se destacam no pregão, com alta de 7,55% por volta das 11h, após a divulgação de um resultado histórico no segundo trimestre de 2025.
Principais números do balanço
- Lucro líquido: R$ 4,2 bilhões (+42% em 12 meses, +24,2% em relação ao 1º tri).
- Receita líquida: R$ 8,3 bilhões (+38% em 12 meses).
- ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Médio): 27,1% no trimestre e 25,1% no semestre.
- Base de clientes: expansão contínua, mesmo em cenário de juros altos.
O desempenho superou com folga a expectativa média de analistas, que projetavam lucro de R$ 3,7 bilhões. Segundo o banco, o resultado reflete a diversificação das unidades de negócio e a capacidade de capturar oportunidades mesmo em um ambiente de maior cautela no mercado de capitais.
Fatores externos e internos sustentam o rali
No cenário internacional:
- Dados de inflação controlada nos EUA reforçam projeção de cortes de juros.
- Bolsas globais operam em alta, com investidores voltando ao apetite por risco.
No cenário doméstico:
- IPCA abaixo do esperado diminui pressão sobre o Banco Central.
- Resultados corporativos positivos, como o do BTG Pactual, animam o mercado.
A combinação desses elementos cria um ambiente favorável para ativos de risco no Brasil, especialmente ações ligadas ao setor financeiro e de consumo.
Perspectivas para o Ibovespa
Se mantiver o ritmo de alta até o fechamento, o Ibovespa pode consolidar um movimento de recuperação após sessões de instabilidade. Analistas apontam que:
- O índice pode buscar o patamar de 138 mil pontos no curto prazo.
- A performance dependerá do fluxo estrangeiro, sensível aos juros americanos.
- O setor financeiro pode seguir como protagonista, impulsionado por balanços sólidos.
Outros destaques corporativos
Embora o BTG concentre as atenções, outros ativos também registram bom desempenho:
- Petrobras (PETR3/PETR4) avança, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional.
- Vale (VALE3) sobe com valorização do minério de ferro na China.
- Empresas ligadas ao consumo doméstico, como varejistas e construtoras, reagem positivamente ao IPCA mais baixo.
Dólar recua com fluxo de capital estrangeiro
O dólar cai frente ao real, refletindo a entrada de recursos estrangeiros para aproveitar oportunidades no mercado acionário e de renda fixa. O movimento também é influenciado pela perspectiva de juros mais baixos nos EUA, que reduz a atratividade do dólar globalmente.
- Cotação às 11h: R$ 5,42 (-0,53%).
- DXY (índice que mede o dólar frente a outras moedas): também opera em queda.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital