Este mês, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para contribuintes que ganham até R$ 5.000 por mês.
O que vai mudar no Imposto de Renda em 2026? Entenda
A Câmara aprovou o aumento da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. Entenda as novas faixas, quem será beneficiado e quando as mudanças passam a valer.
A proposta, considerada uma das mais aguardadas do ano, segue agora para análise do Senado Federal e posterior sanção presidencial.
Se aprovada sem alterações, a nova regra poderá entrar em vigor a partir de janeiro de 2026, impactando diretamente a declaração de Imposto de Renda de 2027 (referente ao ano-base de 2026).
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Faixas de renda atualizadas
A proposta aumenta significativamente a faixa de isenção do IR, que hoje beneficia quem ganha até R$ 2.824 por mês (cerca de R$ 33.888 por ano). Com a mudança, trabalhadores com renda mensal de até R$ 5.000 estarão totalmente isentos do pagamento do imposto.
Além disso, o projeto cria descontos progressivos para quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350, reduzindo gradualmente o valor do imposto devido.
Segundo o texto aprovado, mais de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar Imposto de Renda ou terão o valor reduzido, representando a maior reformulação na tabela do IR desde 2015.
Comparativo entre as regras antigas e novas
| Situação | Até 2025 | A partir de 2026 (proposta) |
|---|---|---|
| Faixa de isenção | Até R$ 2.824 por mês | Até R$ 5.000 por mês |
| Desconto progressivo | Não há | Entre R$ 5.001 e R$ 7.350 |
| Total de isentos | 13,7 milhões | 28,9 milhões |
| Rendimento anual isento | R$ 33.888 | R$ 60.000 |
A atualização da tabela representa um ganho real de 77% no limite de isenção e busca corrigir a defasagem acumulada da inflação, estimada em mais de 130% desde 2015.
Exemplos práticos: quanto cada faixa vai economizar
Para entender o impacto das novas regras, veja simulações elaboradas pela Confirp Contabilidade com base nos novos parâmetros aprovados:
Exemplo 1 — Salário de R$ 3.650
- Economia mensal: R$ 88,24
- Economia anual: R$ 1.147,12 (incluindo 13º salário)
Exemplo 2 — Salário de R$ 5.000
- Economia mensal: R$ 312,89
- Economia anual: R$ 4.067,57
Exemplo 3 — Salário de R$ 6.000
- Economia mensal: R$ 179,75
- Economia anual: R$ 2.336,75
Exemplo 4 — Salário de R$ 7.000
- Economia mensal: R$ 46,60
- Economia anual: R$ 605,86
Essas simulações mostram que, mesmo para quem não entra totalmente na faixa de isenção, a redução do imposto já representará um alívio financeiro importante.
Tabela completa de ganhos com a nova regra

| Renda Mensal | Ganho Mensal | Ganho Anual | Economia (%) |
|---|---|---|---|
| R$ 3.036 | – | – | 0% |
| R$ 3.400 | R$ 27,30 | R$ 354,89 | 10,4% |
| R$ 3.800 | R$ 84,76 | R$ 1.101,89 | 19,7% |
| R$ 4.200 | R$ 144,76 | R$ 1.881,89 | 44,8% |
| R$ 4.600 | R$ 222,89 | R$ 2.897,57 | 63,0% |
| R$ 5.000 | R$ 312,89 | R$ 4.067,57 | 81,3% |
| R$ 5.800 | R$ 206,38 | R$ 2.682,93 | 46,2% |
| R$ 6.400 | R$ 126,49 | R$ 1.644,40 | 25,7% |
| R$ 7.000 | R$ 46,60 | R$ 605,86 | 8,6% |
| R$ 7.350 | – | – | 0% |
Esses números ilustram como o benefício diminui gradualmente até desaparecer na faixa de R$ 7.350.
Descontos progressivos: como funcionam
O desconto progressivo será aplicado automaticamente, conforme a renda mensal do contribuinte:
- Até R$ 5.000: isenção total;
- Entre R$ 5.001 e R$ 6.000: desconto de até 50% no imposto devido;
- Entre R$ 6.001 e R$ 7.000: desconto parcial de 10% a 30%;
- A partir de R$ 7.350: sem desconto, voltando à tabela tradicional.
Essa metodologia favorece as faixas intermediárias de renda, estimulando o consumo e reduzindo o peso tributário sobre a classe média.
O custo para os cofres públicos
Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, a ampliação da isenção representará uma renúncia fiscal de R$ 25,8 bilhões em 2026.
Para compensar essa perda de arrecadação, o governo propõe tributar lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas que ultrapassarem R$ 600.000 por ano, ou R$ 50.000 por mês.
A nova alíquota será progressiva, variando até 10% sobre o valor excedente, o que mantém o princípio da justiça tributária: quem ganha mais, paga mais.
Como funcionará a tributação dos mais ricos
Atualmente, lucros e dividendos distribuídos por empresas são isentos de Imposto de Renda, criando uma disparidade em relação aos trabalhadores assalariados.
Com a nova regra, rendimentos acima de R$ 600 mil anuais passarão a ser tributados.
Exemplos práticos:
- R$ 601.000/ano → paga R$ 100,17 de IR
- R$ 605.000/ano → paga R$ 504,17 de IR
- R$ 610.000/ano → paga R$ 1.016,67 de IR
- R$ 615.000/ano → paga R$ 1.537,50 de IR
Essa medida tem como objetivo equilibrar o sistema tributário, atingindo apenas pessoas físicas de alta renda e proprietários de grandes empresas.
Quando as mudanças começam a valer
Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa:
- Ser aprovado pelo Senado Federal;
- Receber sanção presidencial;
- Ser regulamentado pela Receita Federal.
Caso todo o trâmite ocorra ainda em 2025, as novas regras passam a valer a partir de janeiro de 2026, refletindo na declaração do Imposto de Renda de 2027.
O que muda para quem ganha acima de R$ 50 mil mensais
Uma dúvida recorrente é se executivos e profissionais CLT com salários altos serão afetados pela nova tributação.
A resposta é não.
Quem recebe por carteira assinada (CLT) continuará sujeito à tabela progressiva tradicional, com retenção na fonte de até 27,5%.
A tributação adicional recai apenas sobre lucros e dividendos distribuídos por empresas, o que significa que o impacto será concentrado em empresários e investidores com ganhos elevados.
Por que essa mudança é importante
O reajuste da tabela do Imposto de Renda é uma promessa antiga do governo federal e uma reivindicação de sindicatos e economistas há anos.
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Segundo o economista André Roncaglia, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp):
“A defasagem da tabela prejudica diretamente as camadas médias da população, que acabam pagando mais imposto proporcionalmente do que os mais ricos. Essa correção é uma medida de justiça social e estímulo ao consumo.”
Com a nova isenção, o Brasil se aproxima de uma estrutura tributária mais equilibrada, alinhada a países que isentam rendas mais baixas e tributam rendimentos de capital.
Como se preparar para o Imposto de Renda 2026
Mesmo antes da vigência das novas regras, é essencial que os contribuintes mantenham a organização financeira para evitar erros na declaração e aproveitar ao máximo as deduções legais.
1. Registre todas as receitas e despesas
Use planilhas ou aplicativos para acompanhar entradas e saídas mensais. Essa prática ajuda a identificar gastos dedutíveis e facilita o preenchimento da declaração.
2. Classifique seus gastos corretamente
Separe despesas por categoria — saúde, educação, previdência e dependentes — para garantir que todas as deduções sejam incluídas.
3. Guarde comprovantes e recibos
A Receita Federal pode solicitar documentos comprobatórios por até 5 anos, então mantenha cópias digitais e físicas de todos os comprovantes.
4. Acompanhe seus investimentos
Quem possui aplicações financeiras deve acompanhar informes de rendimento, tributos retidos e possíveis ganhos sujeitos à tributação complementar.
5. Revise seu CPF e cadastros
Dados incorretos em instituições financeiras ou planos de saúde podem gerar inconsistências no cruzamento de informações da Receita.
Dica extra: organize-se com ferramentas digitais

A Carteira Digital Serasa é uma aliada para quem quer controlar despesas e preparar a declaração com mais facilidade.
Ela permite pagar contas, acompanhar vencimentos, consultar débitos e recarregar serviços no mesmo app.
Basta:
- Entrar com CPF e senha no aplicativo da Serasa (Android ou iOS);
- Acessar o menu Serviços → Carteira Digital;
- Cadastrar suas contas e manter tudo organizado em um só lugar.
Com esse tipo de ferramenta, é possível chegar ao período da declaração com menos burocracia e mais clareza sobre sua situação fiscal.
Considerações finais
A ampliação da isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil representa um marco histórico na política tributária brasileira e um alívio para milhões de trabalhadores.
Além de corrigir a defasagem da tabela, o projeto busca equilibrar o sistema, cobrando mais de quem ganha mais e aliviando a carga sobre a classe média.
Se aprovado pelo Senado e sancionado ainda em 2025, o novo modelo entrará em vigor já em janeiro de 2026, simplificando a vida do contribuinte e tornando o sistema mais justo.
Enquanto isso, manter as finanças organizadas e compreender as novas regras será essencial para aproveitar todos os benefícios da mudança e garantir mais economia em 2026.
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