Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

O que vai mudar no Imposto de Renda em 2026? Entenda

A Câmara aprovou o aumento da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. Entenda as novas faixas, quem será beneficiado e quando as mudanças passam a valer.

Bruna MachadoPor Bruna Machado8 min de leitura
ir imposto de renda

Este mês, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para contribuintes que ganham até R$ 5.000 por mês.

A proposta, considerada uma das mais aguardadas do ano, segue agora para análise do Senado Federal e posterior sanção presidencial.

Se aprovada sem alterações, a nova regra poderá entrar em vigor a partir de janeiro de 2026, impactando diretamente a declaração de Imposto de Renda de 2027 (referente ao ano-base de 2026).

Leia mais:

Imposto de renda: impacto nas classes média e rica no Brasil


O que muda com a nova isenção

Imposto de Renda
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Faixas de renda atualizadas

A proposta aumenta significativamente a faixa de isenção do IR, que hoje beneficia quem ganha até R$ 2.824 por mês (cerca de R$ 33.888 por ano). Com a mudança, trabalhadores com renda mensal de até R$ 5.000 estarão totalmente isentos do pagamento do imposto.

Além disso, o projeto cria descontos progressivos para quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350, reduzindo gradualmente o valor do imposto devido.

Segundo o texto aprovado, mais de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar Imposto de Renda ou terão o valor reduzido, representando a maior reformulação na tabela do IR desde 2015.


Comparativo entre as regras antigas e novas

SituaçãoAté 2025A partir de 2026 (proposta)
Faixa de isençãoAté R$ 2.824 por mêsAté R$ 5.000 por mês
Desconto progressivoNão háEntre R$ 5.001 e R$ 7.350
Total de isentos13,7 milhões28,9 milhões
Rendimento anual isentoR$ 33.888R$ 60.000

A atualização da tabela representa um ganho real de 77% no limite de isenção e busca corrigir a defasagem acumulada da inflação, estimada em mais de 130% desde 2015.


Exemplos práticos: quanto cada faixa vai economizar

Para entender o impacto das novas regras, veja simulações elaboradas pela Confirp Contabilidade com base nos novos parâmetros aprovados:

Exemplo 1 — Salário de R$ 3.650

  • Economia mensal: R$ 88,24
  • Economia anual: R$ 1.147,12 (incluindo 13º salário)

Exemplo 2 — Salário de R$ 5.000

  • Economia mensal: R$ 312,89
  • Economia anual: R$ 4.067,57

Exemplo 3 — Salário de R$ 6.000

  • Economia mensal: R$ 179,75
  • Economia anual: R$ 2.336,75

Exemplo 4 — Salário de R$ 7.000

  • Economia mensal: R$ 46,60
  • Economia anual: R$ 605,86

Essas simulações mostram que, mesmo para quem não entra totalmente na faixa de isenção, a redução do imposto já representará um alívio financeiro importante.


Tabela completa de ganhos com a nova regra

imposto de renda
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
Renda MensalGanho MensalGanho AnualEconomia (%)
R$ 3.0360%
R$ 3.400R$ 27,30R$ 354,8910,4%
R$ 3.800R$ 84,76R$ 1.101,8919,7%
R$ 4.200R$ 144,76R$ 1.881,8944,8%
R$ 4.600R$ 222,89R$ 2.897,5763,0%
R$ 5.000R$ 312,89R$ 4.067,5781,3%
R$ 5.800R$ 206,38R$ 2.682,9346,2%
R$ 6.400R$ 126,49R$ 1.644,4025,7%
R$ 7.000R$ 46,60R$ 605,868,6%
R$ 7.3500%

Esses números ilustram como o benefício diminui gradualmente até desaparecer na faixa de R$ 7.350.


Descontos progressivos: como funcionam

O desconto progressivo será aplicado automaticamente, conforme a renda mensal do contribuinte:

  • Até R$ 5.000: isenção total;
  • Entre R$ 5.001 e R$ 6.000: desconto de até 50% no imposto devido;
  • Entre R$ 6.001 e R$ 7.000: desconto parcial de 10% a 30%;
  • A partir de R$ 7.350: sem desconto, voltando à tabela tradicional.

Essa metodologia favorece as faixas intermediárias de renda, estimulando o consumo e reduzindo o peso tributário sobre a classe média.


O custo para os cofres públicos

Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, a ampliação da isenção representará uma renúncia fiscal de R$ 25,8 bilhões em 2026.

Para compensar essa perda de arrecadação, o governo propõe tributar lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas que ultrapassarem R$ 600.000 por ano, ou R$ 50.000 por mês.

A nova alíquota será progressiva, variando até 10% sobre o valor excedente, o que mantém o princípio da justiça tributária: quem ganha mais, paga mais.


Como funcionará a tributação dos mais ricos

Atualmente, lucros e dividendos distribuídos por empresas são isentos de Imposto de Renda, criando uma disparidade em relação aos trabalhadores assalariados.

Com a nova regra, rendimentos acima de R$ 600 mil anuais passarão a ser tributados.

Exemplos práticos:

  • R$ 601.000/ano → paga R$ 100,17 de IR
  • R$ 605.000/ano → paga R$ 504,17 de IR
  • R$ 610.000/ano → paga R$ 1.016,67 de IR
  • R$ 615.000/ano → paga R$ 1.537,50 de IR

Essa medida tem como objetivo equilibrar o sistema tributário, atingindo apenas pessoas físicas de alta renda e proprietários de grandes empresas.


Quando as mudanças começam a valer

Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa:

  1. Ser aprovado pelo Senado Federal;
  2. Receber sanção presidencial;
  3. Ser regulamentado pela Receita Federal.

Caso todo o trâmite ocorra ainda em 2025, as novas regras passam a valer a partir de janeiro de 2026, refletindo na declaração do Imposto de Renda de 2027.


O que muda para quem ganha acima de R$ 50 mil mensais

Uma dúvida recorrente é se executivos e profissionais CLT com salários altos serão afetados pela nova tributação.

A resposta é não.

Quem recebe por carteira assinada (CLT) continuará sujeito à tabela progressiva tradicional, com retenção na fonte de até 27,5%.

A tributação adicional recai apenas sobre lucros e dividendos distribuídos por empresas, o que significa que o impacto será concentrado em empresários e investidores com ganhos elevados.


Por que essa mudança é importante

O reajuste da tabela do Imposto de Renda é uma promessa antiga do governo federal e uma reivindicação de sindicatos e economistas há anos.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Segundo o economista André Roncaglia, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp):

“A defasagem da tabela prejudica diretamente as camadas médias da população, que acabam pagando mais imposto proporcionalmente do que os mais ricos. Essa correção é uma medida de justiça social e estímulo ao consumo.”

Com a nova isenção, o Brasil se aproxima de uma estrutura tributária mais equilibrada, alinhada a países que isentam rendas mais baixas e tributam rendimentos de capital.


Como se preparar para o Imposto de Renda 2026

Mesmo antes da vigência das novas regras, é essencial que os contribuintes mantenham a organização financeira para evitar erros na declaração e aproveitar ao máximo as deduções legais.

1. Registre todas as receitas e despesas

Use planilhas ou aplicativos para acompanhar entradas e saídas mensais. Essa prática ajuda a identificar gastos dedutíveis e facilita o preenchimento da declaração.

2. Classifique seus gastos corretamente

Separe despesas por categoria — saúde, educação, previdência e dependentes — para garantir que todas as deduções sejam incluídas.

3. Guarde comprovantes e recibos

A Receita Federal pode solicitar documentos comprobatórios por até 5 anos, então mantenha cópias digitais e físicas de todos os comprovantes.

4. Acompanhe seus investimentos

Quem possui aplicações financeiras deve acompanhar informes de rendimento, tributos retidos e possíveis ganhos sujeitos à tributação complementar.

5. Revise seu CPF e cadastros

Dados incorretos em instituições financeiras ou planos de saúde podem gerar inconsistências no cruzamento de informações da Receita.


Dica extra: organize-se com ferramentas digitais

imposto de renda
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A Carteira Digital Serasa é uma aliada para quem quer controlar despesas e preparar a declaração com mais facilidade.
Ela permite pagar contas, acompanhar vencimentos, consultar débitos e recarregar serviços no mesmo app.

Basta:

  • Entrar com CPF e senha no aplicativo da Serasa (Android ou iOS);
  • Acessar o menu Serviços → Carteira Digital;
  • Cadastrar suas contas e manter tudo organizado em um só lugar.

Com esse tipo de ferramenta, é possível chegar ao período da declaração com menos burocracia e mais clareza sobre sua situação fiscal.


Considerações finais

A ampliação da isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil representa um marco histórico na política tributária brasileira e um alívio para milhões de trabalhadores.

Além de corrigir a defasagem da tabela, o projeto busca equilibrar o sistema, cobrando mais de quem ganha mais e aliviando a carga sobre a classe média.

Se aprovado pelo Senado e sancionado ainda em 2025, o novo modelo entrará em vigor já em janeiro de 2026, simplificando a vida do contribuinte e tornando o sistema mais justo.

Enquanto isso, manter as finanças organizadas e compreender as novas regras será essencial para aproveitar todos os benefícios da mudança e garantir mais economia em 2026.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

Topicos relacionados