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Novo imposto sobre aluguel por temporada pode estar chegando? Governo responde

Boatos sobre novo imposto em aluguéis por temporada em 2026 geraram dúvidas entre proprietários. Veja o que diz a Receita Federal e a lei.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
Aluguel

No início de 2026, a Receita Federal veio a público para desmentir uma informação que se espalhou rapidamente nas redes sociais e em manchetes sensacionalistas: a de que todo aluguel por temporada passaria a pagar um novo imposto já em 2026.

Segundo o órgão, essa interpretação é falsa e ignora regras centrais da Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a Reforma Tributária do consumo e institui o modelo de IVA dual, composto pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

A confusão surgiu principalmente a partir da equiparação, em alguns casos específicos, do aluguel por temporada (até 90 dias) à atividade de hospedagem — algo que não se aplica automaticamente a todos os locadores.

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O que diz a lei de fato sobre aluguel por temporada

A base legal correta é a LC 214/2025

Não existe uma “LC 227/2025 criando imposto sobre aluguel”, como chegou a ser divulgado. A norma válida é a Lei Complementar nº 214/2025, que define:

  • Quem é considerado contribuinte de IBS e CBS
  • Quais atividades entram no regime regular
  • Quais benefícios e redutores se aplicam ao setor imobiliário

A locação por temporada só pode ser equiparada à hotelaria quando o locador já é contribuinte do regime regular do IBS/CBS. Ou seja: não é automática, nem universal.

Quem realmente pode virar contribuinte do IBS/CBS

Pessoa física: critérios são cumulativos

A pessoa física não vira contribuinte automaticamente apenas por alugar um imóvel por temporada. Para isso, é necessário cumprir simultaneamente dois requisitos:

  • Ter mais de três imóveis locados
  • Ter receita anual com aluguéis acima de R$ 240 mil

Esse valor, inclusive, é corrigido anualmente pelo IPCA, conforme o §5º do art. 251 da LC 214/2025, protegendo o contribuinte da inflação.

Quem não atinge esses critérios continua tributado apenas pelo Imposto de Renda, como já ocorre hoje.

Pessoa jurídica: mudança tende a reduzir a carga

Empresas que atuam com locação já pagam atualmente PIS e Cofins, tributos que são embutidos no valor do aluguel. Com a Reforma:

  • PIS/Cofins serão substituídos pela CBS
  • Haverá isenção até R$ 600 por imóvel
  • O valor excedente terá redução de 70% na alíquota

Na prática, a carga tende a ser menor do que a atual, segundo avaliações do próprio Ministério da Fazenda.

Fake x verdade: os aluguéis vão subir?

❌ Fake: “todo aluguel vai pagar mais imposto”

Não existe aumento generalizado nem imposto imediato para todos os proprietários em 2026. A Reforma prevê transição gradual, com efeitos escalonados entre 2027 e 2033.

✅ Verdade: a carga do aluguel residencial cai

Para o aluguel residencial tradicional, a legislação prevê:

  • Redução de 70% da alíquota efetiva de IBS/CBS
  • Carga estimada em torno de 8%, além do IR
  • Redutor social aplicado mensalmente, sem perda de direito

Segundo especialistas em tributação imobiliária, o desenho favorece aluguéis de menor valor e pequenos proprietários, afastando o risco de repasse automático ao inquilino.

Exemplos práticos: quem paga e quem não paga

Pessoa jurídica

Aluguel até R$ 600
Não paga IBS/CBS — isenção total

Aluguel de R$ 1.000
Tributação apenas sobre R$ 400, com alíquota reduzida em 70%

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Pessoa física

Até três imóveis ou renda anual abaixo de R$ 240 mil
Não é contribuinte de IBS/CBS
Segue apenas no Imposto de Renda

Grande proprietário (mais de três imóveis e alta renda)
Pode ser contribuinte, mas com regras mais favoráveis:

  • Tributação só sobre o valor acima de R$ 600
  • Alíquota reduzida
  • Possibilidade de abatimento de despesas
  • Previsão de cashback para inquilinos de baixa renda

Locação por temporada e hotelaria: onde está a confusão

A equiparação à hotelaria não transforma automaticamente todo aluguel por temporada em serviço tributado como hotel. Ela só ocorre quando:

  • A locação é de até 90 dias
  • O locador já é contribuinte regular do IBS/CBS

A generalização desse ponto foi o principal erro das interpretações que viralizaram.

O que muda de verdade com a Reforma Tributária

A lógica da Reforma não é criar novos impostos para o aluguel, mas:

  • Substituir tributos antigos por um sistema mais simples
  • Reduzir cumulatividade
  • Tornar a carga mais previsível
  • Ampliar a segurança jurídica

Para o aluguel residencial, especialmente de menor valor, a tendência apontada por economistas e tributaristas é de redução — e não aumento — da carga tributária.

Considerações finais

O alerta da Receita Federal é claro: não é verdade que todo proprietário que aluga por temporada pagará novo imposto imediato em 2026. A tributação só alcança quem se enquadra em critérios específicos, e mesmo nesses casos há redutores, isenções e transição gradual.

A ideia de aumento generalizado dos aluguéis não se sustenta nos dados nem na legislação vigente. Para pequenos proprietários e locações residenciais, a Reforma tende a ser neutra ou até positiva.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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