O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Caixa Econômica Federal assinaram um termo de compromisso inédito que suspende a comercialização do seguro prestamista vinculado a empréstimos consignados voltados a aposentados e pensionistas. A decisão marca um novo capítulo no combate a cobranças indevidas e práticas abusivas no mercado de crédito consignado, especialmente contra a população idosa.
Seguro de vida ‘obrigatório’ no consignado? INSS e Caixa cancelam venda
INSS e Caixa suspendem seguro prestamista em consignado, evitando cobranças sem consentimento e garantindo devolução.
O acordo impede que a Caixa condicione a concessão do empréstimo consignado à contratação do seguro de vida associado e obriga o banco a restituir os valores cobrados de forma irregular. Outras instituições financeiras, como o Banco BMG, Inter, Facta e Cobuccio SCD, também firmaram compromissos semelhantes com o INSS, ampliando o alcance da medida protetiva.
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Finalidade teórica e distorção prática
O seguro prestamista é um produto financeiro que, em tese, serve para quitar total ou parcialmente uma dívida em caso de morte, invalidez permanente ou outros eventos previstos em contrato. A ideia é proteger o segurado e seus dependentes em momentos de vulnerabilidade, evitando que deixem pendências financeiras.
No entanto, na prática, esse seguro tem sido incluído de forma automática ou sem a devida explicação, especialmente em operações de crédito consignado. Com isso, muitos beneficiários do INSS só descobrem que estão pagando por um seguro adicional ao analisar o extrato do benefício.
Ponto central do acordo: consentimento claro e devolução
Proibição da venda casada
O termo assinado entre o INSS e a Caixa deixa claro que a instituição não pode condicionar a liberação do crédito consignado à contratação de qualquer seguro, prática conhecida como venda casada, considerada abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor.
Restituição dos valores cobrados indevidamente
Outro ponto importante é a obrigatoriedade da devolução dos valores cobrados indevidamente. A Caixa deverá aguardar a conclusão dos procedimentos administrativos do INSS e, em seguida, restituir integralmente os valores pagos pelos segurados a título de seguro prestamista em operações onde não houve consentimento válido.
Além disso, o banco deverá comprovar que informou o cliente sobre o motivo da restituição e, a cada 60 dias, prestar contas ao INSS, informando a lista de beneficiários que receberam os valores e anexando os documentos comprobatórios.
Outras cláusulas do termo de compromisso
Limitação de crédito vinculada à renda
O acordo determina a adequação do limite de crédito ao valor da renda do benefício, com base no fator de 1,60x sobre o valor mensal recebido pelo aposentado ou pensionista. Caso a Caixa descumpra esse limite por falha sistêmica ou operacional, a instituição será obrigada a restituir integralmente os valores cobrados a mais do beneficiário.
Regularização de documentação e transparência
A Caixa também se comprometeu a enviar toda a documentação contratual faltante relacionada aos empréstimos e seguros anteriormente contratados, além de manter canais de atendimento ativos e acessíveis para atender dúvidas e solicitações dos segurados.
Outras instituições também estão na mira do INSS
BMG devolverá R$ 7 milhões
Em 30 de outubro, o INSS firmou termo semelhante com o Banco BMG, que se comprometeu a restituir mais de R$ 7 milhões cobrados indevidamente de aproximadamente 100 mil beneficiários. O acordo também prevê a suspensão da cobrança do seguro prestamista atrelado ao consignado.
Inter, Facta e Cobuccio
Além do BMG e da Caixa, outras instituições como o Banco Inter, a Facta Financeira e a Cobuccio SCD também aderiram ao esforço do INSS para proteger os aposentados e pensionistas. Todas suspenderam a comercialização do seguro prestamista vinculado ao consignado e iniciaram os procedimentos para revisar contratos e reembolsar valores cobrados sem consentimento explícito.
Impacto nos aposentados e pensionistas
Alívio financeiro e mais proteção
A decisão de suspender a cobrança do seguro prestamista traz alívio imediato para milhares de aposentados e pensionistas que viam parte de seus benefícios sendo descontada indevidamente. Em muitos casos, a cobrança era descoberta apenas quando o valor disponível no mês ficava abaixo do esperado.
Proteção contra práticas abusivas
A medida também reforça a fiscalização sobre instituições financeiras e estimula o setor a adotar práticas mais transparentes, inclusive com a melhoria dos canais de atendimento, documentação mais clara e orientações adequadas no momento da contratação.
O que fazer se você foi cobrado indevidamente?
Como verificar o desconto
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O segurado pode verificar se houve cobrança de seguro prestamista diretamente no extrato de pagamentos do Meu INSS, acessível pelo site ou aplicativo. A descrição geralmente aparece como “desconto de seguro” ou “seguro prestamista consignado”.
Solicitar devolução
Caso identifique a cobrança, o beneficiário pode:
- Registrar reclamação diretamente com o banco ou instituição financeira;
- Formalizar uma denúncia junto ao INSS, por meio da Central 135 ou do portal Meu INSS;
- Recorrer ao Procon, caso não obtenha resposta satisfatória;
- Se necessário, acionar a Justiça, especialmente em casos reincidentes ou com danos financeiros relevantes.
Acompanhar a restituição
Pelo termo de compromisso, as instituições financeiras devem comunicar aos clientes sobre os valores restituídos, bem como explicar a origem do crédito recebido. A orientação do INSS é que o beneficiário fique atento à conta onde recebe o benefício e guarde toda a documentação enviada pelo banco.
Medida integra ações do INSS para conter fraudes
Política de proteção ao idoso e ao hipossuficiente
O acordo com a Caixa e outros bancos integra uma ampla política do INSS para proteger o público idoso, especialmente os segurados mais vulneráveis financeiramente, que muitas vezes são alvos de fraudes e práticas enganosas no mercado de crédito.
A autarquia vem intensificando:
- Pente-finos em contratos de empréstimo;
- Campanhas de esclarecimento sobre direitos;
- Suspensões temporárias de parcerias com instituições envolvidas em denúncias.
Congresso também discute regulamentação
A discussão sobre empréstimos consignados e seguros acoplados também chegou ao Congresso Nacional. Parlamentares propuseram projetos de lei para proibir a venda casada de seguros com crédito consignado, bem como tornar obrigatória a apresentação de contratos com destaque para todas as tarifas e seguros cobrados.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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