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INSS: confira o prazo para receber o reembolso dos descontos indevidos

Milhões de aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos em seus benefícios pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) finalmente começam a ver a luz no fim do túnel.

O governo federal anunciou que pretende realizar todos os reembolsos até 31 de dezembro de 2025, embora o calendário de pagamentos ainda não tenha sido divulgado oficialmente.

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Entenda a origem dos descontos indevidos

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Imagem: Freepik e Canva

Fraude sistemática desde 2016

De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), os descontos ilegais ocorrem desde 2016 e envolvem associações e sindicatos que passaram a descontar valores dos benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização formal.

Estima-se que mais de 3,2 milhões de beneficiários tenham sido afetados ao longo dos anos.

As cobranças variam entre R$ 10 e R$ 50 mensais, valores aparentemente pequenos, mas que geram bilhões em prejuízos acumulados. O governo chegou a pedir o bloqueio de R$ 2,5 bilhões de contas de 12 entidades investigadas, algumas das quais são suspeitas de serem organizações de fachada.

Como funciona o processo de contestação

Onde consultar e reclamar

Desde o dia 9 de junho de 2025, os segurados que contestaram os descontos começaram a receber as respostas das entidades envolvidas, seja pelo aplicativo Meu INSS, seja pela Central 135. Aqueles que optaram por fazer a reclamação presencialmente começaram a ser atendidos a partir de 16 de junho.

Além de verificar o retorno da associação, o segurado pode também:

  • Checar se houve novos descontos indevidos
  • Apresentar nova contestação
  • Visualizar os documentos fornecidos pelas entidades

Para quem ainda pretende iniciar o processo, é possível ir a agências habilitadas dos Correios, onde o beneficiário recebe um protocolo de acompanhamento e orientações para uso do aplicativo Meu INSS ou atendimento telefônico.

Prazos para resposta das entidades

As associações e sindicatos têm até 15 dias úteis para responder às contestações. Esse é um dos motivos pelos quais os retornos estão sendo enviados de forma escalonada.

Caso a entidade não consiga comprovar que o desconto foi autorizado pelo aposentado ou pensionista, o INSS inicia automaticamente o processo de reembolso.

Quando começa o reembolso?

Governo ainda não divulgou o calendário oficial

Embora o presidente do INSS, Gilberto Waller, tenha declarado que todos os ressarcimentos serão feitos até 31 de dezembro de 2025, não há ainda um cronograma detalhado. O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que espera que os pagamentos ocorram antes desse prazo final, mas sem garantir datas específicas.

A devolução será feita diretamente na conta bancária onde o beneficiário recebe seu pagamento mensal, conforme informado pelo próprio INSS.

O que fazer se a associação contestar?

Beneficiário terá 30 dias para reagir

Caso a entidade alegue ter documentos que comprovam a autorização do desconto, ou afirme que a cobrança foi judicialmente validada, o aposentado ou pensionista terá 30 dias para responder à contestação.

A resposta pode ser feita:

  • Pelo aplicativo Meu INSS
  • Pela Central 135
  • Presencialmente nas agências dos Correios

Importante destacar que nem todos os documentos podem ser visualizados por telefone, sendo necessário, em alguns casos, utilizar o aplicativo ou atendimento presencial para análise detalhada.

Como pedir o reembolso?

Passo a passo para contestar os descontos indevidos

  1. Acesse o aplicativo Meu INSS
  2. Informe seu CPF e senha cadastrada
  3. Clique em “Do que você precisa?”
  4. Digite “consultar descontos de entidades”
  5. Se houver desconto, marque se foram autorizados ou não
  6. Informe seu email e telefone de contato
  7. Confirme a veracidade das informações
  8. Clique em “Enviar declarações”

Esse processo é fundamental para formalizar a contestação e iniciar o processo de reembolso.

Impacto fiscal e jurídico

Governo tenta isentar reembolso das regras fiscais

Como os reembolsos podem ultrapassar R$ 2,5 bilhões, o governo solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que essa despesa seja classificada como gasto extraordinário, fora das regras do novo arcabouço fiscal e do cálculo do superávit primário.

A medida busca evitar que os ressarcimentos afetem o equilíbrio fiscal de 2025, já que não há verba prevista para essa finalidade no orçamento federal.

AGU pede suspensão de ações judiciais

A Advocacia-Geral da União (AGU) também protocolou pedido no STF para suspender mais de 65 mil ações judiciais que envolvem os descontos ilegais. O governo teme que a continuidade desses processos possa gerar uma nova onda de indenizações milionárias à parte do reembolso já previsto.

O que dizem os especialistas

“É o mínimo que o governo pode fazer”

Segundo advogados previdenciários, o movimento do INSS é positivo, mas atrasado. “Trata-se de uma reparação de um dano sistemático que foi ignorado por quase uma década”, afirma Márcio Toledo, especialista em Direito Previdenciário.

O professor de Economia Pública da USP, Eduardo Alves, ressalta que a criação de entidades de fachada com o objetivo de fraudar o INSS é um problema estrutural que precisa de regulação urgente. Ele defende a criação de um sistema de validação biométrica para autorizar descontos em benefícios previdenciários.

A fraude em números

  • Mais de 3,2 milhões de beneficiários afetados
  • 65 mil ações judiciais em andamento
  • Estimativa de R$ 2,5 bilhões em valores bloqueados
  • 12 entidades investigadas, com suspeitas de serem fictícias

Próximos passos

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O governo promete transparência durante o andamento do processo, e afirma que todas as atualizações serão divulgadas nos canais oficiais do Ministério da Previdência, no site do INSS, além de notificações pelo Meu INSS e pela Central 135.

Enquanto o calendário de pagamento oficial não é divulgado, os beneficiários devem continuar monitorando seus casos e respondendo às notificações das associações. O cumprimento dos prazos é essencial para garantir o recebimento do valor devido.

Conclusão

A promessa do INSS de devolver os valores indevidos até 31 de dezembro de 2025 representa um passo importante para a reparação dos danos causados a milhões de aposentados e pensionistas.

Ainda que o governo tente acelerar o processo, a complexidade da operação e o volume de casos pendentes exigem atenção redobrada por parte dos beneficiários.

Neste momento, o uso do aplicativo Meu INSS e o acompanhamento ativo do processo são fundamentais para garantir que todos os afetados sejam devidamente reembolsados.

Fique atento às notificações, respeite os prazos e consulte sempre os canais oficiais. A devolução é um direito seu.