O presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller, revelou em entrevista exclusiva à RECORD que o instituto estuda criar um novo modelo de contratação de empréstimos consignados baseado em um sistema de leilão. A iniciativa surgiria como uma das principais medidas para enfrentar o assédio comercial sofrido diariamente por aposentados e pensionistas em todo o país.
INSS pode transformar a forma de emprestar dinheiro para aposentados, veja o plano de leilão
INSS avalia leilão de consignados para reduzir assédio de bancos, ampliar transparência e proteger aposentados e pensionistas.
A proposta é voltada especialmente para reduzir a atuação de correspondentes bancários, considerados protagonistas das abordagens insistentes e, em muitos casos, abusivas. A dinâmica atual permite que esses agentes intermediários façam ligações, enviem mensagens e ofereçam crédito de forma contínua aos segurados, frequentemente sem consentimento prévio. O novo modelo pretende inverter esse processo.
Leia mais:
INSS 2026: lei sancionada acaba com descontos nos benefícios
Como funcionaria o novo sistema
Pedido partiria do segurado pelo aplicativo Meu INSS
Pelo desenho apresentado por Waller, o segurado seria o responsável por iniciar o processo. A contratação só poderia ser feita pelo aplicativo Meu INSS, onde o aposentado ou pensionista informaria o valor desejado e aguardaria as ofertas das instituições financeiras. Um exemplo citado na entrevista foi um pedido de R$ 10 mil feito diretamente pelo aplicativo.
Ofertas organizadas da menor para a maior taxa
Após o envio da solicitação, os bancos e instituições financeiras cadastrados apresentariam suas propostas dentro do próprio aplicativo. As ofertas apareceriam ordenadas da menor para a maior taxa de juros, permitindo comparações rápidas e transparentes entre os custos.
A lógica é estimular uma concorrência saudável entre os bancos, para que o segurado obtenha melhores condições e tenha maior autonomia. Nesse sistema, não haveria intermediação de correspondentes bancários, o que eliminará a cobrança de comissões que alimentam o modelo atual de prospecção agressiva.
Parceria com Febraban e ABBC para modelagem
Segundo Waller, o instituto já iniciou conversas com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e com a ABBC (Associação Brasileira de Bancos) para testar a viabilidade da medida. “Isso teria que ser feito diretamente com os bancos ou com as instituições financeiras, e não com correspondentes bancários, para evitar esse tipo de assédio”, destacou.
O INSS pretende lançar uma nova instrução normativa nos próximos meses detalhando o funcionamento da ferramenta e dos critérios para adesão. Embora ainda esteja em fase de estudo, a sinalização é de que o projeto deve avançar rapidamente por conta da urgência do tema.
Proteção aos segurados e combate ao assédio comercial
Público “hipervulnerável” exige políticas específicas
Durante a entrevista, Waller afirmou que o objetivo central da medida é criar um ambiente mais seguro, menos invasivo e mais eficiente para quem precisa contratar crédito consignado. Ele classificou o público atendido pelo INSS como “hipervulnerável” e reforçou que muitos segurados dependem de rendas modestíssimas e enfrentam dificuldades adicionais.
“A gente tem uma renda média de R$ 800. São pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas que estão doentes, pessoas que perderam algum parente próximo. Eles têm que ser cuidados, não podem ser vistos como vítima”, declarou.
O presidente também afirmou que as abordagens abusivas exploram fragilidades emocionais, cognitivas e financeiras dos segurados, motivo pelo qual o tema se tornou prioridade interna.
Medidas já adotadas pelo INSS para conter abusos
Embora o leilão ainda esteja em estudo, o INSS já implementou uma série de ações para reduzir o assédio comercial envolvendo crédito consignado. Entre as principais medidas estão:
1. Obrigatoriedade de adesão ao “Não Perturbe”
O instituto determinou que todas as instituições financeiras interessadas em operar com consignado para beneficiários do INSS precisam aderir à plataforma “Não Perturbe”, que bloqueia ligações indesejadas. A regra veio acompanhada de sanções: pelo menos 20 instituições que se recusaram a aderir foram descredenciadas.
2. Biometria como único meio de desbloqueio
Outra mudança importante foi a definição da biometria como o único método válido para desbloqueio de benefícios com finalidade de contratação de empréstimo. Antes, o processo podia ser feito apenas com login e senha, considerados frágeis e suscetíveis a fraudes e indução de contratação.
Além de trazer mais segurança, a medida dificulta práticas como o desbloqueio remoto sem consentimento do segurado, um dos problemas mais recorrentes no mercado de consignados.
3. Rigor no credenciamento de bancos e redução do número de instituições
O INSS ampliou o rigor no credenciamento de instituições financeiras aptas a operar com consignado. Critérios como reclamações, nível de assédio e conduta comercial passaram a ser considerados. Como resultado, o número de instituições credenciadas caiu de 87 para 54.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A redução ajuda a filtrar o mercado, eliminando bancos e financeiras com histórico negativo na relação com aposentados e pensionistas.
4. Fim do desbloqueio manual e combate à venda casada
O instituto também extinguiu o desbloqueio manual de benefícios. Auditorias internas revelaram que a prática facilitava liberações indevidas, muitas vezes sem conhecimento do segurado.
Além disso, o INSS reforçou o combate à venda casada de produtos financeiros, proibindo que instituições condicionem a concessão do consignado à contratação de seguro prestamista ou serviços adicionais. A prática era comum e aumentava o custo final dos empréstimos, muitas vezes sem plena ciência do consumidor.
Próximos passos e expectativas
Modelo deve fortalecer concorrência e transparência
Caso o leilão de consignados seja implementado, especialistas apontam que o sistema poderá:
- Reduzir custos do crédito
- Dar transparência às taxas
- Aumentar autonomia do segurado
- Diminuir drasticamente o assédio
- Reduzir fraudes por terceiros
- Organizar o mercado com base em conduta e competitividade
Para o INSS, a proposta também contribui para modernizar mecanismos de proteção social na área financeira, alinhando tecnologia e regulação.
Lançamento de normativa deve ocorrer em 2026
Waller indicou que a nova instrução normativa deve ser divulgada nos próximos meses, sugerindo que o novo modelo pode ganhar forma ainda em 2026. Embora a adesão dos bancos seja vista como um desafio, a presença de Febraban e ABBC na modelagem indica que o setor financeiro acompanha de perto o projeto.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
Informacoes Atualizadas 2026:
