O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegou a um dos maiores volumes de pedidos pendentes dos últimos anos.
📌 DESTAQUES:
INSS acumula quase 4 milhões de pedidos pendentes, incluindo benefícios, revisões e ações judiciais.
Segundo dados de maio de 2025, o órgão soma 3,906 milhões de requerimentos em espera, número que inclui pedidos iniciais, revisões, recursos administrativos e até ordens judiciais ainda não cumpridas. O cenário evidencia os sérios desafios estruturais enfrentados pela Previdência Social no Brasil.
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O retrato da fila: quem está esperando?
Do total registrado, 2,562 milhões de requerimentos ainda não passaram por análise inicial. Esta é a chamada fila oficial, composta por solicitações de aposentadorias, pensões, auxílios por incapacidade e benefícios assistenciais, como o BPC/Loas, pago a idosos de baixa renda a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
Outras demandas também engrossam a lista:
- 715 mil pedidos de seguro-defeso, destinado a pescadores artesanais durante o período da piracema.
- 285 mil revisões solicitadas por segurados.
- 208 mil recursos administrativos pendentes.
- 136 mil decisões judiciais ainda sem cumprimento.
Segundo o advogado Diego Cherulli, do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), o cenário atual reflete uma falha estrutural:
“O INSS fica rodando em círculos e criando novos meios de se enrolar com processos”.
Greve dos peritos contribuiu para o caos
Entre agosto de 2023 e abril de 2024, os médicos peritos do INSS realizaram uma greve parcial, com cerca de 10% da categoria aderindo à paralisação. Durante esse período, houve redução significativa nos atendimentos, o que agravou ainda mais a fila de espera.
A motivação principal foi a anulação, por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), de um acordo firmado em 2022 que havia reduzido a produtividade exigida dos peritos em 40%. O TCU considerou que essa medida causava prejuízo ao interesse público por aumentar o estoque de processos e os prazos de espera.
A paralisação terminou em abril de 2024 após novo acordo entre o Ministério da Previdência Social (MPS) e a Associação Nacional dos Médicos Peritos Federais (ANMP), possibilitando o retorno integral de cerca de 300 médicos peritos ao serviço.
Fila cresceu 62,7% em menos de um ano
De junho de 2023 a abril de 2024, a fila de análise do INSS apresentou um crescimento alarmante de 62,7%, refletindo os efeitos acumulados da greve, da alta demanda por benefícios e da falta de estrutura interna.
Em março de 2024, o número de segurados em espera bateu 2,7 milhões, o maior da gestão Lula até aquele momento. A tendência de alta se manteve até maio.
Procurado para comentar o que está sendo feito para reverter o cenário, o INSS não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Atestmed: solução ou mais um problema?
Uma das medidas adotadas para acelerar a concessão de benefícios foi o uso do Atestmed, sistema que permite o envio digital de atestados médicos, eliminando a necessidade de perícia presencial. No entanto, a eficácia da ferramenta tem sido contestada.
Com a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, o prazo máximo de concessão via Atestmed foi reduzido de 180 para 30 dias, o que, na visão de especialistas, pode sobrecarregar ainda mais o sistema.
“A mudança vai gerar uma onda de novos pedidos e requerimentos de prorrogação com maior frequência, o que tende a aumentar ainda mais o número de processos”, alerta Diego Cherulli.
A ANMP também critica o sistema, apontando que ele não substitui de forma adequada a perícia presencial.
“A redução do prazo para análise via Atestmed, de 180 para 30 dias, reconhece o fracasso dessa ferramenta, que não substitui a avaliação médica presencial”, afirmou a associação.
Falta de profissionais e deficiências tecnológicas
Outro fator que contribui para a lentidão nos processos é o déficit de peritos médicos, causado por aposentadorias e exonerações não acompanhadas de novos concursos públicos.
A ANMP defende que o governo adote medidas emergenciais, como:
- Implementação de reconhecimento biométrico para validar a identidade dos segurados;
- Otimização do sistema de agendamento de perícias;
- Aproveitamento mais eficiente da mão de obra já disponível no INSS.
A entidade afirma que, sem esses avanços, a fila tende a crescer ainda mais, prejudicando principalmente os segurados em situação de maior vulnerabilidade.
Impacto para os segurados
Na prática, a demora afeta milhões de brasileiros que aguardam respostas para pedidos essenciais. Muitos vivem sem nenhuma fonte de renda durante meses, o que compromete o sustento familiar e a dignidade dos cidadãos.
A fila no INSS não é apenas um problema burocrático: é uma questão social urgente. Atrasos em aposentadorias, auxílios e pensões agravam situações de pobreza e aumentam a pressão sobre outras políticas públicas, como os programas de assistência social.
Fila exige medidas urgentes
O cenário de 3,9 milhões de pedidos acumulados evidencia que o INSS precisa de ações estruturais imediatas. Além da realização de novos concursos públicos, é fundamental investir em tecnologia, melhorar a gestão dos processos e reavaliar ferramentas como o Atestmed.
A Previdência é um dos pilares da proteção social no Brasil e não pode funcionar com tamanha morosidade. O desafio é grande, mas é possível superá-lo com organização, investimentos e vontade política.
Com informações de: EXTRA
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