Governo propõe IR fixo de 17,5% para investimentos — veja o que muda!

A equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma nova medida provisória com impacto direto no bolso de investidores, bancos e empresas de apostas esportivas. A proposta mais relevante prevê a substituição do modelo atual de Imposto de Renda (IR) sobre aplicações financeiras, que varia entre 15% e 22,5%, por uma alíquota fixa de 17,5%.

A mudança surge como alternativa ao aumento do IOF, anunciado em 22 de maio e posteriormente revisto diante da pressão do mercado financeiro e do Congresso Nacional. A nova proposta tenta equilibrar arrecadação e pacificar setores insatisfeitos com as medidas anteriores.

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Imagem: Freepik e Canva

Acordo entre governo e Congresso para viabilizar novo pacote fiscal

Na noite de domingo (9/6), líderes do Congresso e integrantes da equipe econômica se reuniram para discutir alternativas viáveis à elevação do IOF. O objetivo é garantir o cumprimento da meta fiscal de déficit primário zero para 2025, sem comprometer setores-chave da economia.

A proposta de IR fixo sobre investimentos é vista como mais equilibrada em relação à escalada de alíquotas do IOF, especialmente após o anúncio do congelamento de R$ 31,3 bilhões em despesas federais. Com isso, o governo espera ampliar a arrecadação sem gerar novos ruídos junto ao mercado.

Como funciona hoje a tributação sobre investimentos financeiros

Atualmente, os investimentos em renda fixa são tributados com base na tabela regressiva do Imposto de Renda, que funciona da seguinte forma:

Prazo do investimentoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Ou seja, quanto mais longo o prazo da aplicação, menor o imposto devido. A proposta do governo pretende substituir esse modelo por uma alíquota fixa de 17,5%, eliminando os incentivos ao investimento de longo prazo.

O que muda com o IR fixo de 17,5%

Vantagens e desvantagens da proposta

Vantagens para o governo:

  • Aumenta a arrecadação de forma linear;
  • Simplifica o sistema tributário;
  • Reduz a complexidade de cálculo para investidores.

Desvantagens para o mercado:

  • Pode desestimular aplicações de longo prazo (com IR hoje de 15%);
  • Reduz o diferencial entre renda fixa e produtos isentos como LCI e LCA;
  • Cria nova insegurança sobre mudanças repentinas nas regras de investimento.

A medida é vista como um movimento de recalibração tributária, na tentativa de reduzir distorções e ao mesmo tempo manter um nível de arrecadação compatível com as metas fiscais.

Tributação sobre produtos isentos também está no radar

O governo também propôs a cobrança de uma alíquota de 5% sobre produtos hoje isentos de Imposto de Renda, como:

  • Letras de Crédito Imobiliário (LCI)
  • Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)
  • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI)
  • Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

A taxação incidiria apenas sobre novas emissões a partir de 2026, em respeito ao princípio da anterioridade orçamentária. Ou seja, os investidores que adquirirem esses produtos antes da entrada em vigor da nova regra manterão a isenção.

Objetivo é corrigir distorções no sistema financeiro

O governo argumenta que a isenção generalizada sobre esses produtos distorce o mercado e reduz a progressividade da tributação. A cobrança de uma alíquota mínima permitiria alinhar incentivos, sem eliminar a atratividade dos papéis para o investidor pessoa física.

Apostas esportivas (“bets”) também entram na conta

Outro setor atingido pelas propostas do governo é o de apostas esportivas online, popularmente conhecidas como “bets”. A ideia é elevar a alíquota de impostos sobre essas empresas de 12% para 18%.

A proposta gerou reação imediata do setor, que publicou um manifesto contrário à medida, argumentando que o aumento compromete a sustentabilidade do negócio e pode favorecer operadores ilegais. O governo, por sua vez, justifica a decisão com base na equidade tributária e na necessidade de novas fontes de receita.

Recuo do IOF será formalizado por Medida Provisória

A nova MP, que deverá ser apresentada após o retorno do presidente Lula de viagem à Europa, trará formalmente o recuo nas medidas anteriores de aumento do IOF. Entre os itens que serão revistos estão:

  • Redução do IOF sobre crédito para empresas;
  • Redução de 80% na tributação sobre operações de risco sacado;
  • Redução de IOF sobre seguros de vida do tipo VGBL;
  • Isenção de IOF no retorno de investimentos estrangeiros diretos no país;
  • Alíquota mínima para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICs).

Outras medidas para compensar a arrecadação

O governo também propôs, como parte do novo pacote:

  • Padronização tributária no sistema financeiro;
  • Ampliação da compensação entre ganhos e perdas no mercado financeiro;
  • Revisão de isenções fiscais, estimadas em R$ 800 bilhões;
  • Combate a abusos na compensação de créditos tributários;
  • Regulação tributária de criptoativos.

No entanto, nem todas essas medidas obtiveram apoio dos líderes partidários. Algumas foram descartadas ainda durante a reunião de domingo e não devem ser incluídas na versão final da MP.

Haddad fala em reunião histórica e mira equilíbrio fiscal

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Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a reunião com o Congresso como “histórica” e afirmou que o governo seguirá com diálogo para encontrar soluções sustentáveis e socialmente justas para a crise fiscal. Segundo ele, a estratégia é construir consenso em torno de uma política tributária mais racional, que reduza privilégios e aumente a eficiência da arrecadação.

O que esperar a partir de agora

A Medida Provisória deve ser apresentada oficialmente nesta semana e seguirá para apreciação do Congresso. Com o cenário político dividido e sensível a pressões populares e do setor privado, é possível que o texto passe por ajustes e concessões ao longo do processo legislativo.

Ainda assim, o recado está dado: o governo Lula está determinado a buscar alternativas ao aumento do IOF e a equilibrar as contas públicas em 2025, mesmo que para isso precise mexer em áreas sensíveis como o mercado financeiro e os investimentos isentos.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital