A proposta de isenção do Imposto de Renda (IR) para brasileiros com rendimentos mensais de até R$ 5 mil avança no Congresso Nacional e deve ser votada até o início do recesso parlamentar, em 16 de julho de 2025.
Isenção do IR: veja tudo sobre a proposta que será votada em julho
Proposta de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil será votada até julho. Saiba como isso pode impactar milhões de brasileiros.
O texto é visto como uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e promete beneficiar cerca de 10 milhões de contribuintes, especialmente da classe média.
O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, foi escolhido como relator da proposta e garantiu que o relatório final será entregue até o dia 27 de junho, respeitando o calendário acordado com a nova presidência da Casa, hoje ocupada por Hugo Motta (Republicanos-PB).
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Entenda a proposta de isenção do IR

A proposta busca atualizar a faixa de isenção do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) para quem recebe até R$ 5.000 por mês. Atualmente, estão isentos apenas aqueles que ganham até R$ 2.112.
Tabela com progressividade até R$ 7 mil
Além da isenção direta, o projeto prevê uma progressividade gradual da tributação até a faixa de R$ 7 mil mensais, o que, na prática, reduz significativamente a carga tributária para um público maior da classe média, ao mesmo tempo em que mantém a arrecadação dos rendimentos mais elevados.
Compensações fiscais: quem pagará a conta?
Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal, toda renúncia de receita precisa ser compensada. A estimativa é que o governo federal deixaria de arrecadar bilhões com essa nova isenção.
Para equilibrar as contas, o Ministério da Fazenda propõe tributar mais as faixas superiores de renda, o que deve provocar embates com setores influentes do Congresso, como empresários e grandes proprietários rurais.
Por que a proposta ganhou força agora?
Com a popularidade em queda após crises políticas e econômicas, o governo Lula aposta em medidas de impacto direto na renda do cidadão, e a atualização da tabela é vista como um gesto simbólico e efetivo de alívio financeiro.
Além disso, o ambiente político na Câmara tem sido mais colaborativo. O presidente da Casa, Hugo Motta, vem reforçando a importância do respeito ao trâmite regimental, valorizando a análise pelas comissões temáticas antes de votação em plenário.
O papel de Arthur Lira na relatoria
A escolha de Arthur Lira como relator gerou reações positivas até mesmo entre parlamentares da oposição. Apesar de sua gestão anterior ser marcada por votações aceleradas, desta vez ele defende um processo transparente e dialogado, conforme demonstrado em suas falas ao tomar o cargo da relatoria:
“Ninguém neste plenário é contra ou será contra a isenção para quem recebe até R$ 5 mil, com justiça tributária e social”, afirmou.
Lira também ressaltou a importância de envolver a equipe técnica da Fazenda para ter a certeza de um texto equilibrado.
Impacto para os contribuintes
Quem será beneficiado?
Com a nova tabela, cerca de 10 milhões de brasileiros deixarão de pagar Imposto de Renda. Isso representa uma parcela significativa da força de trabalho formal do país, majoritariamente concentrada nas grandes cidades e centros urbanos.
Exemplo prático
Hoje, um trabalhador que recebe R$ 4.800 paga aproximadamente R$ 267 por mês de IR. Com a isenção, esse valor será integralmente economizado, resultando em um ganho líquido de mais de R$ 3 mil por ano.
Entraves e pressões políticas
Apesar do clima favorável, há pressões de grupos organizados para que o limite de isenção seja ampliado ainda mais, beneficiando quem ganha acima de R$ 7 mil. Esse movimento é visto com preocupação pelo governo, pois colocaria em risco a sustentabilidade fiscal da proposta.
O lobby dos mais ricos
Setores como bancos, agronegócio e grandes empresas têm pressionado parlamentares para suavizar a tributação das faixas superiores, dificultando o plano do governo de “fazer os mais ricos pagarem a conta”.
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Lula quer mostrar compromisso com a classe média
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A isenção até R$ 5 mil foi uma promessa de campanha de Lula e aparece como uma das prioridades econômicas no Congresso em 2025. O presidente já havia defendido publicamente a correção da tabela como um ato de justiça social.
Hugo Motta prega equilíbrio fiscal
Segundo o presidente da Câmara, a proposta deve avançar com respeito à responsabilidade fiscal, para não causar desequilíbrio nas contas públicas:
“Com Lira na relatoria e Rubens Pereira Jr. na presidência da comissão, teremos equilíbrio e responsabilidade”, declarou Motta.
Guimarães relembra estagnação da tabela
O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), lembrou que a tabela ficou oito anos sem correção, o que levou ao aumento da carga tributária sobre os assalariados:
“Essa isenção é uma promessa e uma cobrança justa. Representa o início da reforma da renda”, afirmou.
O que esperar nas próximas semanas

Cronograma da votação
- Até 27 de junho: Apresentação do relatório por Arthur Lira
- Até 16 de julho: Votação da proposta no plenário da Câmara
- Segundo semestre: Tramitação no Senado Federal, caso aprovada na Câmara
Possibilidade de mudanças no texto
Durante o trâmite na comissão especial, os deputados poderão dar ideias de emendas ao projeto original. A expectativa é de intenso debate técnico e político, especialmente em torno das formas de compensação fiscal.
Conclusão: avanço esperado, mas com desafios
A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil representa um dos maiores avanços sociais no sistema tributário dos últimos anos. Com amplo apoio político e articulação eficaz entre governo e Congresso, a proposta tem chances reais de ser aprovada antes do recesso parlamentar.
Contudo, o equilíbrio fiscal e a resistência de grupos economicamente poderosos ainda representam desafios importantes. O sucesso da medida dependerá da capacidade do relator, Arthur Lira, de conciliar justiça tributária com responsabilidade fiscal.
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