Itaú BBA recomenda oito FIIs de papel em cenário de juros e inflação
Em meio ao cenário econômico de juros elevados e uma inflação ainda resistente, o Itaú BBA reforçou sua recomendação de compra para oito fundos imobiliários de recebíveis, popularmente conhecidos como FIIs de papel.
Segundo análise divulgada pelo banco, esse tipo de ativo segue atrativo para investidores que buscam renda recorrente, especialmente diante das projeções para a Selic e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os próximos trimestres.
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Fundos recomendados pelo Itaú BBA
A carteira de fundos recomendada pelo Itaú BBA é composta por:
- HGCR11
- KNCR11
- KNIP11
- KNSC11
- MCCI11
- RBRR11
- RBRY11
- VCJR11
De acordo com o relatório, todos esses FIIs mantêm bons níveis de distribuição de dividendos e exibem uma relação risco-retorno atrativa, especialmente quando comparados com alternativas mais conservadoras, como a renda fixa tradicional.
“Notamos a evolução do dividend yield dos FIIs de papel ao compararmos o primeiro semestre de 2025 com o segundo semestre de 2024”, afirma o banco.
FIIs de papel ganham protagonismo no IFIX
Outro ponto destacado pelo Itaú BBA é o crescimento expressivo da participação dos FIIs de papel no IFIX, o principal índice de fundos imobiliários da B3. De acordo com os dados, os fundos de recebíveis já representam 38% do índice, ante cerca de 30% no fim de 2020.
Esse avanço acompanha o amadurecimento do mercado de crédito imobiliário brasileiro, impulsionado pelo aumento das emissões de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e por uma regulação mais consolidada e transparente.
Além disso, o banco destaca que os FIIs de papel contribuíram para democratizar o acesso a ativos de crédito antes restritos a investidores qualificados.
Contexto econômico favorece o segmento
Boa parte das carteiras dos FIIs de papel é composta por CRIs indexados ao IPCA ou CDI, o que os torna diretamente sensíveis ao comportamento dos indicadores macroeconômicos.
Com a Selic mantida em 15% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e uma inflação projetada em 5,2% para 2025, o Itaú vê o cenário como favorável para esse segmento de fundos.
“Como vantagem deste tipo de fundo, destacamos a diversificação dos riscos através de portfólios com inúmeros CRIs indexados a diferentes taxas”, destaca o relatório da instituição.
A casa ainda projeta que a Selic deve se manter nesse patamar ao longo de 2025, com cortes apenas em 2026, encerrando o próximo ano em 12,75%.
Panorama dos fundos indicados
Confira abaixo a composição dos fundos destacados pelo Itaú BBA, segundo o peso de CRIs indexados ao IPCA e CDI, além da relação Preço/Valor Patrimonial (P/VP):
| Fundo | P/VP | CRIs IPCA | CRIs CDI |
|---|---|---|---|
| HGCR11 | 0,96 | 85% | 9% |
| KNCR11 | 1,02 | 3% | 99% |
| KNIP11 | 0,95 | 99% | 1% |
| KNSC11 | 0,99 | 58% | 41% |
| MCCI11 | 0,91 | 80% | 2% |
| RBRR11 | 0,94 | 90% | 3% |
| RBRY11 | 0,96 | 16% | 61% |
| VCJR11 | 0,86 | 80% | 7% |
A diversidade nas indexações é um diferencial importante no atual cenário. Fundos como KNCR11, com quase totalidade dos CRIs indexados ao CDI, tendem a performar bem com a manutenção da Selic em patamar elevado. Já aqueles com maior peso em CRIs atrelados ao IPCA, como o KNIP11 e o RBRR11, ganham quando a inflação se mantém persistente.
Oportunidade para o investidor pessoa física
O Itaú BBA também ressalta que os FIIs de papel representam uma excelente oportunidade para o investidor pessoa física acessar ativos de crédito privado com maior segurança e liquidez.
Com cotas negociadas na B3, os fundos permitem aplicações a partir de valores relativamente baixos, além de contar com isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos mensais para pessoas físicas.
Riscos e atenção ao cenário
Apesar do otimismo, o banco alerta que a oscilação dos indicadores macroeconômicos pode impactar a rentabilidade dos fundos. Uma eventual queda mais acentuada da Selic ou a desaceleração da inflação, por exemplo, poderia pressionar os rendimentos distribuídos.
Além disso, o investidor deve observar fatores como:
- Qualidade dos CRIs na carteira
- Diversificação dos emissores
- Gestão ativa do portfólio
- Nível de inadimplência das operações
O Itaú BBA mantém visão positiva para os fundos imobiliários de papel em 2025. Com um cenário de juros elevados, inflação persistente e forte distribuição de dividendos, o segmento continua atrativo para quem busca renda mensal com moderação de risco.
O banco reforça, no entanto, a importância de uma análise criteriosa antes da escolha dos ativos, levando em conta perfil de risco, objetivos financeiros e horizonte de investimento.
Com informações de: MoneyTimes