Em meio a transformações significativas no mercado financeiro global, o Itaú Unibanco projeta uma tendência de valorização para o bitcoin e outros criptoativos no médio e longo prazos. A análise foi feita por Guto Antunes, head da Itaú Digital Assets, durante encontro com jornalistas realizado nesta terça-feira (1º).
Expectativa do Itaú é de valorização das criptomoedas a médio e longo prazo
Executivo do Itaú Digital Assets afirma que a tendência para o bitcoin é positiva no médio e longo prazos. Veja mais!
A declaração surge em um momento em que a maior criptomoeda do mundo, o bitcoin, apresenta forte volatilidade, mas também mostra sinais consistentes de amadurecimento — especialmente com o avanço da adoção institucional e o surgimento de novos produtos financeiros baseados em ativos digitais, como os ETFs da BlackRock.
“O cripto ainda é muito volátil, mas tende a ser menos ao longo do tempo, com as instituições entrando”, afirmou Antunes. “A entrada de grandes gestores de ativos, como a BlackRock, já tem um efeito de catalisador sobre o varejo.”
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Bitcoin: panorama recente e movimentações de preço
Alta no curto prazo, queda no acumulado do ano
Nesta terça-feira, o bitcoin era cotado a US$ 85.098,81, com alta de 3% no dia, mas ainda acumulando queda de 12% no ano de 2025. O desempenho vem após um forte rali em 2024, quando a moeda digital se valorizou mais de 120%, encerrando o ano como um dos ativos de melhor desempenho do planeta.
No início de janeiro de 2025, o bitcoin chegou a renovar sua máxima histórica intradia, alcançando impressionantes US$ 109.071,86.
A recente correção, segundo analistas, reflete um movimento de realização de lucros, somado à instabilidade macroeconômica global no primeiro trimestre de 2025.
Adoção institucional: o principal motor do próximo ciclo de valorização
Grandes gestoras impulsionam confiança e liquidez no setor
A entrada de gestoras como a BlackRock, responsável por trilhões de dólares em ativos, no mercado cripto é apontada como um divisor de águas para o setor. A criação e distribuição de ETFs de bitcoin e outros ativos digitais por grandes instituições tem sido fundamental para atrair investidores institucionais e popularizar o mercado entre o varejo.
“No curto prazo, existe risco, sim, principalmente em relação ao mercado como um todo. Mas no médio e longo prazos, vemos boas perspectivas por conta da adoção institucional”, reforçou Guto Antunes.
A maior liquidez, o aumento da transparência regulatória e o desenvolvimento de infraestrutura de custódia segura são fatores diretamente ligados ao avanço institucional, e têm contribuído para reduzir a percepção de risco associada às criptomoedas.
A posição do Brasil no cenário global de ativos digitais
Regulação avançada e tecnologia colocam o país como referência
O executivo do Itaú também destacou que o Brasil já é reconhecido como uma liderança global na agenda de ativos digitais. O país vem se destacando por sua regulação evolutiva, por uma infraestrutura bancária moderna e pela crescente adoção de criptoativos, tanto por investidores individuais quanto por instituições.
Entre os fatores que fortalecem a posição brasileira no mercado cripto, estão:
- O marco legal das criptomoedas aprovado no Congresso;
- A atuação do Banco Central com o Drex (real digital);
- A integração entre bancos tradicionais e plataformas de blockchain;
- A oferta crescente de produtos de investimento em criptoativos, com segurança e respaldo institucional.
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Banco oferece bitcoin e ethereum com custódia própria
Em linha com essa tendência, o Itaú Unibanco passou a oferecer bitcoin e ethereum para negociação dentro da plataforma de investimentos Íon, inicialmente para clientes selecionados. Ao longo de 2024, o serviço foi ampliado para toda a base de correntistas com acesso ao aplicativo do banco.
Todos os ativos são custodiados dentro da estrutura do próprio Itaú, reforçando a segurança das operações e a confiança dos clientes.
Apesar de evitar detalhes sobre os planos futuros, Guto Antunes deixou claro que o banco está comprometido com o desenvolvimento de soluções em ativos tokenizados, o que inclui desde investimentos fracionados até representações digitais de imóveis, títulos e moedas.
“Estamos construindo, dentro do banco, uma ponte segura entre o sistema financeiro tradicional e o universo digital dos criptoativos”, afirmou o executivo.
O que são ativos tokenizados?
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Os ativos tokenizados são representações digitais de ativos reais, como ações, imóveis, contratos ou títulos públicos. Essa tokenização permite fracionar, negociar e custodiar ativos de maneira mais eficiente e com menor custo, utilizando a tecnologia blockchain.
A unidade Itaú Digital Assets lidera essa frente dentro do banco e trabalha para integrar os benefícios dos criptoativos ao ambiente financeiro regulado, como:
- Transações mais rápidas e seguras;
- Liquidação instantânea de operações;
- Acesso a investimentos antes inacessíveis a pequenos investidores;
- Transparência com registros públicos em blockchain.
Regulação: um pilar para a maturidade do mercado
Clareza regulatória atrai investidores e reduz riscos
Outro ponto destacado por Antunes é o avanço global da regulação das criptomoedas, com posicionamentos mais favoráveis de grandes economias, como os Estados Unidos, que têm flexibilizado o enquadramento de ativos digitais e aprovado ETFs em plataformas tradicionais.
Esses movimentos reduzem a incerteza jurídica, ajudam a evitar fraudes e promovem um ambiente mais seguro para empresas e investidores.
No Brasil, o avanço do Banco Central com o Drex, e as diretrizes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre ativos digitais, criam uma base sólida para a inovação no setor.
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Perspectiva é de valorização com entrada de novos investidores
Apesar da volatilidade recente e da queda acumulada no primeiro trimestre, o cenário traçado por grandes instituições — incluindo o Itaú — é de continuidade na valorização do bitcoin ao longo de 2025, com base em:
- Maior demanda institucional via ETFs e fundos regulados;
- Crescimento da adoção global;
- Regulação mais clara;
- Redução da oferta com o próximo halving do bitcoin, previsto para abril;
- Busca por proteção contra inflação e desvalorização cambial.
Analistas internacionais apontam que, se o fluxo de capital institucional continuar forte, o bitcoin poderá buscar novas máximas ainda em 2025, acima dos US$ 110 mil.
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital
