Durante sua participação no Fórum Esfera 2025, promovido pela Esfera Brasil no Guarujá (SP), o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, fez um alerta contundente sobre o principal ponto de atenção entre investidores internacionais quando se fala do Brasil: a trajetória da dívida pública.
Juros são o maior imposto da economia brasileira, diz presidente do Itaú
Presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, alerta sobre trajetória da dívida pública e defende reformas para estabilidade e crescimento no Brasil.
Segundo ele, a deterioração fiscal e o engessamento do orçamento federal são barreiras para o crescimento sustentável do país.
“Você precisa tirar o engessamento do Orçamento e debater medidas estruturantes, que levem o país a uma agenda de muito mais estabilidade e crescimento”, afirmou o executivo.
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A dívida pública está no centro das preocupações

A questão fiscal voltou com força ao centro do debate econômico. O elevado nível de endividamento do governo brasileiro, aliado a gastos obrigatórios crescentes, tem gerado desconfiança entre investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros.
Maluhy destacou que a previsibilidade das contas públicas é essencial para a atração de capital e manutenção de um ambiente econômico saudável. “É o tema mais recorrente nas nossas conversas com investidores globais. Todos querem entender como o Brasil vai lidar com essa questão”, explicou.
Juros altos não interessam ao sistema financeiro
Contrariando a visão popular de que os bancos se beneficiam de juros elevados, o presidente do Itaú foi enfático ao afirmar que uma taxa Selic nas alturas não favorece o sistema bancário. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, um dos níveis mais altos entre países emergentes.
“Preferimos um cenário de juros muito mais baixos, mas é um mal necessário. O motor do carro está aquecido. Inflação é o pior imposto para as classes que são mais atingidas por ele”, disse Maluhy.
A fala aponta para uma realidade muitas vezes mal compreendida: juros altos inibem o crédito, reduzem o consumo e travam o crescimento econômico. Mesmo instituições financeiras acabam sendo afetadas pela redução da atividade econômica e maior inadimplência.
Inflação: o “imposto invisível” sobre os mais pobres

Outro ponto enfatizado por Milton Maluhy é o impacto devastador da inflação sobre a população mais vulnerável. Ele classificou a inflação como “o pior imposto”, especialmente porque afeta diretamente o poder de compra de quem tem renda fixa ou dependência de programas sociais.
Com os preços pressionados, principalmente de alimentos e energia, o combate à inflação acaba sendo uma prioridade macroeconômica, mesmo que isso implique, no curto prazo, na manutenção de juros altos.
A necessidade de reformas estruturais
O papel das reformas fiscais e administrativas
Para o presidente do Itaú, a saída para o cenário atual passa, necessariamente, por reformas estruturantes. Entre elas, destacam-se:
- Reforma administrativa, que visa modernizar a estrutura do setor público, cortar gastos e aumentar a eficiência;
- Reforma tributária, já em curso, que pode melhorar o ambiente de negócios;
- Desindexação e desvinculação orçamentária, permitindo maior flexibilidade na alocação de recursos públicos;
- Revisão de benefícios e subsídios, que consumem parcela significativa do orçamento da União.
Sem essas mudanças, segundo Maluhy, a dívida tende a continuar crescendo de forma insustentável, limitando a capacidade de investimento do Estado e afetando diretamente a credibilidade do país.
Fórum Esfera 2025: debate de alto nível sobre o futuro do Brasil
O evento, realizado no litoral paulista, reuniu líderes empresariais, políticos, economistas e representantes da sociedade civil para discutir os rumos do Brasil em um cenário global cada vez mais desafiador.
Pauta do encontro
- Cenário fiscal e dívida pública
- Taxa de juros e política monetária
- Inflação e controle de preços
- Investimentos privados e confiança institucional
- Caminhos para o crescimento econômico sustentável
A participação do presidente do Itaú foi um dos destaques, especialmente por traduzir com clareza a visão do mercado financeiro sobre os principais gargalos econômicos nacionais.
Investidores internacionais exigem clareza fiscal
A credibilidade do Brasil está em jogo
Segundo Maluhy, o que o investidor internacional mais busca é previsibilidade. Quando o país demonstra dificuldade em controlar seus gastos, a percepção de risco aumenta, o que encarece empréstimos, reduz investimentos e pressiona o câmbio.
Para recuperar essa confiança, ele defende que o país adote um compromisso claro com o equilíbrio das contas públicas, inclusive com mecanismos automáticos de correção, como metas fiscais realistas e revisão periódica das despesas obrigatórias.
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O Brasil pode crescer mais com estabilidade
Apesar do tom de alerta, Milton Maluhy também mostrou otimismo com o potencial do país, desde que se adote uma agenda mais estruturada e responsável no campo fiscal.
Ele apontou que o Brasil possui:
- Mercado interno robusto
- Recursos naturais abundantes
- Sistema financeiro avançado
- Ambiente de inovação crescente
Mas ressaltou que, sem estabilidade fiscal, todas essas vantagens ficam comprometidas.
O papel do setor privado na retomada do crescimento
O presidente do Itaú também destacou que o setor privado tem papel fundamental na retomada do crescimento econômico, mas que precisa de ambiente propício para investir.
“O setor privado está disposto a investir, gerar empregos e contribuir com o desenvolvimento. Mas precisa de segurança jurídica, regras claras e previsibilidade fiscal. Sem isso, não há planejamento de longo prazo”, afirmou.
A importância de tirar o “engessamento” do orçamento

Milton Maluhy também enfatizou que o orçamento federal está engessado, com boa parte das despesas sendo obrigatórias e indexadas. Isso significa que o governo tem pouca margem de manobra para investir em áreas estratégicas ou reagir a crises econômicas.
Uma possível saída, segundo ele, seria a revisão constitucional de vinculações e indexações, o que permitiria ao governo redirecionar recursos de acordo com as prioridades do momento, sem comprometer a responsabilidade fiscal.
Considerações finais
A fala do presidente do Itaú Unibanco no Fórum Esfera 2025 traz à tona temas cruciais para o futuro do Brasil. Ao destacar a trajetória preocupante da dívida pública, Milton Maluhy Filho reforça a urgência de se promover reformas estruturais profundas, que permitam ao país retomar um caminho de crescimento sustentável e inclusivo.
Ao mesmo tempo, ele desmonta o mito de que os bancos se beneficiam dos juros altos, e lembra que inflação descontrolada e orçamento rígido são entraves ao desenvolvimento. A mensagem é clara: sem responsabilidade fiscal, não há investimento duradouro, nem prosperidade para a população.
Para os investidores, empresários e cidadãos atentos ao futuro do Brasil, as palavras de Maluhy soam como um chamado à ação: é hora de debater reformas com seriedade, promover transparência nas contas públicas e construir um ambiente de confiança.
