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Juros são o maior imposto da economia brasileira, diz presidente do Itaú

Presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, alerta sobre trajetória da dívida pública e defende reformas para estabilidade e crescimento no Brasil.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
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Durante sua participação no Fórum Esfera 2025, promovido pela Esfera Brasil no Guarujá (SP), o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, fez um alerta contundente sobre o principal ponto de atenção entre investidores internacionais quando se fala do Brasil: a trajetória da dívida pública.

Segundo ele, a deterioração fiscal e o engessamento do orçamento federal são barreiras para o crescimento sustentável do país.

“Você precisa tirar o engessamento do Orçamento e debater medidas estruturantes, que levem o país a uma agenda de muito mais estabilidade e crescimento”, afirmou o executivo.

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A dívida pública está no centro das preocupações

Itaú
Imagem: Joa Souza / shutterstock.com

A questão fiscal voltou com força ao centro do debate econômico. O elevado nível de endividamento do governo brasileiro, aliado a gastos obrigatórios crescentes, tem gerado desconfiança entre investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros.

Maluhy destacou que a previsibilidade das contas públicas é essencial para a atração de capital e manutenção de um ambiente econômico saudável. “É o tema mais recorrente nas nossas conversas com investidores globais. Todos querem entender como o Brasil vai lidar com essa questão”, explicou.

Juros altos não interessam ao sistema financeiro

Contrariando a visão popular de que os bancos se beneficiam de juros elevados, o presidente do Itaú foi enfático ao afirmar que uma taxa Selic nas alturas não favorece o sistema bancário. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, um dos níveis mais altos entre países emergentes.

“Preferimos um cenário de juros muito mais baixos, mas é um mal necessário. O motor do carro está aquecido. Inflação é o pior imposto para as classes que são mais atingidas por ele”, disse Maluhy.

A fala aponta para uma realidade muitas vezes mal compreendida: juros altos inibem o crédito, reduzem o consumo e travam o crescimento econômico. Mesmo instituições financeiras acabam sendo afetadas pela redução da atividade econômica e maior inadimplência.

Inflação: o “imposto invisível” sobre os mais pobres

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Imagem: Reprodução

Outro ponto enfatizado por Milton Maluhy é o impacto devastador da inflação sobre a população mais vulnerável. Ele classificou a inflação como “o pior imposto”, especialmente porque afeta diretamente o poder de compra de quem tem renda fixa ou dependência de programas sociais.

Com os preços pressionados, principalmente de alimentos e energia, o combate à inflação acaba sendo uma prioridade macroeconômica, mesmo que isso implique, no curto prazo, na manutenção de juros altos.

A necessidade de reformas estruturais

O papel das reformas fiscais e administrativas

Para o presidente do Itaú, a saída para o cenário atual passa, necessariamente, por reformas estruturantes. Entre elas, destacam-se:

  • Reforma administrativa, que visa modernizar a estrutura do setor público, cortar gastos e aumentar a eficiência;
  • Reforma tributária, já em curso, que pode melhorar o ambiente de negócios;
  • Desindexação e desvinculação orçamentária, permitindo maior flexibilidade na alocação de recursos públicos;
  • Revisão de benefícios e subsídios, que consumem parcela significativa do orçamento da União.

Sem essas mudanças, segundo Maluhy, a dívida tende a continuar crescendo de forma insustentável, limitando a capacidade de investimento do Estado e afetando diretamente a credibilidade do país.

Fórum Esfera 2025: debate de alto nível sobre o futuro do Brasil

O evento, realizado no litoral paulista, reuniu líderes empresariais, políticos, economistas e representantes da sociedade civil para discutir os rumos do Brasil em um cenário global cada vez mais desafiador.

Pauta do encontro

  • Cenário fiscal e dívida pública
  • Taxa de juros e política monetária
  • Inflação e controle de preços
  • Investimentos privados e confiança institucional
  • Caminhos para o crescimento econômico sustentável

A participação do presidente do Itaú foi um dos destaques, especialmente por traduzir com clareza a visão do mercado financeiro sobre os principais gargalos econômicos nacionais.

Investidores internacionais exigem clareza fiscal

A credibilidade do Brasil está em jogo

Segundo Maluhy, o que o investidor internacional mais busca é previsibilidade. Quando o país demonstra dificuldade em controlar seus gastos, a percepção de risco aumenta, o que encarece empréstimos, reduz investimentos e pressiona o câmbio.

Para recuperar essa confiança, ele defende que o país adote um compromisso claro com o equilíbrio das contas públicas, inclusive com mecanismos automáticos de correção, como metas fiscais realistas e revisão periódica das despesas obrigatórias.

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O Brasil pode crescer mais com estabilidade

Apesar do tom de alerta, Milton Maluhy também mostrou otimismo com o potencial do país, desde que se adote uma agenda mais estruturada e responsável no campo fiscal.

Ele apontou que o Brasil possui:

  • Mercado interno robusto
  • Recursos naturais abundantes
  • Sistema financeiro avançado
  • Ambiente de inovação crescente

Mas ressaltou que, sem estabilidade fiscal, todas essas vantagens ficam comprometidas.

O papel do setor privado na retomada do crescimento

O presidente do Itaú também destacou que o setor privado tem papel fundamental na retomada do crescimento econômico, mas que precisa de ambiente propício para investir.

“O setor privado está disposto a investir, gerar empregos e contribuir com o desenvolvimento. Mas precisa de segurança jurídica, regras claras e previsibilidade fiscal. Sem isso, não há planejamento de longo prazo”, afirmou.

A importância de tirar o “engessamento” do orçamento

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Imagem: SewCreamStudio/shutterstock.com

Milton Maluhy também enfatizou que o orçamento federal está engessado, com boa parte das despesas sendo obrigatórias e indexadas. Isso significa que o governo tem pouca margem de manobra para investir em áreas estratégicas ou reagir a crises econômicas.

Uma possível saída, segundo ele, seria a revisão constitucional de vinculações e indexações, o que permitiria ao governo redirecionar recursos de acordo com as prioridades do momento, sem comprometer a responsabilidade fiscal.

Considerações finais

A fala do presidente do Itaú Unibanco no Fórum Esfera 2025 traz à tona temas cruciais para o futuro do Brasil. Ao destacar a trajetória preocupante da dívida pública, Milton Maluhy Filho reforça a urgência de se promover reformas estruturais profundas, que permitam ao país retomar um caminho de crescimento sustentável e inclusivo.

Ao mesmo tempo, ele desmonta o mito de que os bancos se beneficiam dos juros altos, e lembra que inflação descontrolada e orçamento rígido são entraves ao desenvolvimento. A mensagem é clara: sem responsabilidade fiscal, não há investimento duradouro, nem prosperidade para a população.

Para os investidores, empresários e cidadãos atentos ao futuro do Brasil, as palavras de Maluhy soam como um chamado à ação: é hora de debater reformas com seriedade, promover transparência nas contas públicas e construir um ambiente de confiança.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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