Itaú investe R$ 500 milhões em fundo de corporate venture capital
Itaú cria fundo de R$ 500 mi para investir em startups e acelerar inovação em serviços financeiros.
Por Fernanda Ramos
Em um movimento estratégico para fortalecer seu ecossistema de inovação, o Itaú Unibanco lançou oficialmente o Itaú Ventures, um fundo proprietário de corporate venture capital (CVC) com capital comprometido inicial de R$ 500 milhões. A iniciativa, anunciada nesta segunda-feira (16), marca uma nova fase de investimentos diretos em startups, com foco em áreas que reforçam o core business do banco, como pagamentos, crédito, seguros, inteligência artificial e cibersegurança.
Com a meta de alocar R$ 250 milhões nos próximos dois anos, o Itaú Ventures nasce da consolidação da experiência do banco no setor de capital de risco, iniciada com o Kinea Ventures, fundo que atuava com a mesma proposta. A nova estrutura busca ampliar a integração entre o banco e startups inovadoras, fortalecendo a geração de valor tanto para o Itaú quanto para seus clientes.
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Segundo o banco, o fundo terá tíquetes de investimento a partir de R$ 20 milhões e foco em startups brasileiras e latino-americanas. A seleção de empresas será orientada por áreas com potencial de transformar o setor financeiro, como user experience, infraestrutura digital, serviços financeiros e segurança de dados.
“O Itaú Ventures nasce com o aprendizado de cinco anos de operação do Kinea Ventures. Entendemos como extrair valor real desse modelo e agora damos um passo além, com mais proximidade estratégica e operacional com o banco”, destacou Philippe Schlumpf, superintendente do Itaú Ventures.
Equipe dedicada e integração ao núcleo de negócios
Diferente de estruturas de CVC externas ao negócio principal, o Itaú Ventures está diretamente vinculado à Diretoria de Negócios Proprietários do banco e contará com uma equipe especializada exclusivamente na gestão do fundo. Essa decisão reflete a intenção do banco de estreitar o relacionamento com empreendedores e acelerar a adoção de tecnologias que dialoguem com os desafios e oportunidades enfrentadas pelo setor financeiro.
“Nosso mandato é claro: investir em soluções que tenham sinergia com o Itaú e que possam gerar valor direto para nossos clientes. Vamos atuar lado a lado com as áreas de negócio para identificar oportunidades e acelerar a inovação”, complementou Schlumpf.
Governança ágil e autonomia preservada
Apesar de estar institucionalmente ligado ao Itaú Unibanco, o novo fundo preserva a autonomia que marcou sua fase anterior. A governança e os processos decisórios continuam independentes, com o objetivo de garantir a agilidade necessária para atuar no dinâmico ecossistema de startups.
“Preservamos a flexibilidade e a agilidade que sempre foram marcas do fundo, agora com o reforço institucional do Itaú Unibanco”, afirmou Fernando Chagas, diretor de Negócios Proprietários do banco.
Essa independência é considerada estratégica, já que o mercado de venture capital exige rapidez para identificar e fechar negócios com startups promissoras, muitas vezes em estágio inicial de desenvolvimento.
De olho no futuro do sistema financeiro
A criação do Itaú Ventures reflete um movimento crescente entre grandes instituições financeiras de todo o mundo: a busca por parcerias com startups inovadoras como forma de manter a competitividade e atender às novas exigências dos consumidores digitais.
O fundo mira em empresas que desenvolvem soluções disruptivas, com potencial para escalar e transformar processos internos, melhorar a experiência do cliente e ampliar a segurança e eficiência das operações bancárias.
Além disso, o Itaú pretende ampliar sua presença como investidor ativo no ecossistema de inovação da América Latina, contribuindo para o amadurecimento das startups da região e posicionando-se como um parceiro estratégico para negócios com alto potencial de crescimento.
Startups como parceiras estratégicas
Mais do que aplicar recursos financeiros, o Itaú Ventures pretende atuar como um catalisador de inovação colaborativa. As startups selecionadas poderão se beneficiar não apenas do investimento, mas também da expertise do banco, acesso a dados, infraestrutura tecnológica e, eventualmente, à sua ampla base de clientes.
A ideia é criar um ciclo virtuoso: o Itaú ganha com a incorporação de soluções de ponta, e as startups têm a oportunidade de acelerar seu crescimento com suporte institucional robusto.
Transição do Kinea Ventures: uma nova fase
Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock
O Itaú Ventures representa a evolução natural do Kinea Ventures, que atuou por cinco anos com o objetivo de identificar e impulsionar startups estratégicas. Agora, com o novo fundo, a instituição reforça o compromisso de tornar a inovação uma parte orgânica do seu modelo de negócios.
A iniciativa também reforça a posição do Itaú como uma das principais instituições financeiras interessadas em tecnologias emergentes e modelos de negócios ágeis, essenciais para enfrentar os desafios impostos por fintechs, big techs e novos hábitos de consumo.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.