O Itaú Unibanco (ITUB4) reafirmou sua posição como líder entre os bancos brasileiros ao divulgar um lucro líquido recorrente gerencial de R$ 11,5 bilhões no segundo trimestre de 2025.
Ações do Itaú seguem atrativas após trimestre forte, dizem analistas
Itaú registra lucro de R$ 11,5 bi no 2T25 e analistas mantêm recomendação de compra. ITUB4 sobe 2,94%, mesmo considerado elevado.
O número representa um crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período de 2024, superando as expectativas do mercado e impulsionando a valorização das ações em 2,94%, cotadas a R$ 36,74 às 10h58 desta terça-feira (06/08).
A performance, considerada “inabalável” por analistas, gerou uma reação imediata no mercado.
Mesmo com valuation elevado — após uma alta de 35% no acumulado do ano — as principais casas de análise mantiveram recomendações de compra para os papéis ITUB4, destacando a solidez do banco, sua capacidade de adaptação ao ciclo econômico e a projeção de dividendos atrativos.
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Resultados acima das expectativas

Margens, crédito e eficiência operacional
O Itaú superou a expectativa de lucro da XP Investimentos em 1,5%, graças a uma combinação de margens crescentes, expansão no crédito, maior receita com tarifas e eficiência de custos.
O ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) consolidado foi de 23,3%, um crescimento de 80 pontos-base em relação ao trimestre anterior.
Outro destaque foi a receita líquida de juros (NII) com clientes, que aumentou 3,1%.
O crescimento foi impulsionado por uma melhor composição da carteira de crédito, maior volume de empréstimos rentáveis e melhor gestão de passivos, elementos que indicam um modelo de negócios bem ajustado ao cenário atual.
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%, enquanto o custo do crédito se manteve em 2,6% da carteira — sinalizando controle efetivo de risco. A carteira total de crédito teve variação marginal, com destaque para empréstimos imobiliários e financiamentos para PMEs.
Projeções revisadas para cima
Nova estimativa para NII e impostos
A administração do Itaú revisou para cima a projeção de crescimento do NII com clientes, agora estimado entre 11% e 14% para o ano. Essa revisão indica otimismo com a evolução da carteira de crédito, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.
A alíquota efetiva de imposto também foi ajustada para cima, o que pode compensar parcialmente o crescimento do lucro líquido. Mesmo assim, analistas mantêm o tom positivo, apontando a qualidade do crescimento e a sustentabilidade dos resultados como fatores de destaque.
Reação dos analistas
XP Investimentos, Genial, JPMorgan e outros
A XP Investimentos considerou o balanço “sólido e eficiente”, reafirmando ITUB4 como sua top pick no setor bancário, mesmo com valuation elevado. A casa destaca a resiliência do modelo de negócios e a capacidade de gerar valor em qualquer ciclo econômico.
A Genial Investimentos também reforçou a recomendação de compra para o Itaú, com preço-alvo de R$ 43,80, o que representa um potencial de valorização de 22,7%. A análise destacou o bom nível de capitalização, o excesso de provisões e o espaço para ganhos de eficiência como trunfos do banco.
Já o JPMorgan ressaltou o aumento no índice CET1, que subiu 50 pontos-base para 13,1%, além da superação da expectativa de NII em 1%.
A única ressalva foi a alta na formação de inadimplência (NPL formation), que cresceu de R$ 1,7 bilhão para R$ 9,4 bilhões, influenciada por operações de refinanciamento no varejo.
O Bradesco BBI também foi enfático: “O Itaú demonstrou outro trimestre de tendências sólidas, especialmente com o crescimento do NIM (margem de juros líquida), que subiu 20 pontos-base”. O BBI manteve recomendação de outperform, com preço-alvo de R$ 44.
Carteira de crédito e gestão de risco
Crescimento seletivo com foco na rentabilidade
Apesar de não apresentar expansão agressiva na carteira de crédito, o Itaú demonstrou cautela estratégica, focando em linhas de crédito com margens mais atrativas e menor risco.
A projeção é que o crescimento da carteira fique no limite inferior da faixa estimada de 4,5% a 8,5%, o que também influencia na distribuição de dividendos.
O dividend yield estimado pelo Bradesco BBI é de 10,5%, com base nas projeções de crescimento moderado da carteira e lucro consistente.
Dividendos e retorno ao acionista
Pagamento confirmado e novas distribuições à vista
O Itaú confirmou o pagamento de R$ 0,59 por ação em proventos. Os valores incluem dividendos aprovados em agosto, além de valores já declarados em maio.
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A distribuição segue a política do banco de remunerar seus acionistas de forma consistente, algo valorizado por investidores de perfil mais conservador.
Valuation: ainda vale a pena comprar?
Ações valorizadas, mas fundamentos justificam
Mesmo com ITUB4 acumulando alta de 35% no ano, analistas não enxergam sinais de esgotamento. Para a XP, o valuation está elevado, mas ainda aceitável, considerando o crescimento do lucro, projeções revisadas para cima e o forte posicionamento competitivo do Itaú.
Além disso, as ações ordinárias ITUB3 estão sendo observadas por investidores com menor restrição de liquidez, pois apresentam descontos maiores e podem oferecer oportunidades no curto prazo.
Destaques do segundo trimestre 2025 (2T25)
| Indicador | Resultado 2T25 | Variação YoY |
|---|---|---|
| Lucro líquido recorrente | R$ 11,5 bilhões | +14,3% |
| ROE | 23,3% | +0,8 p.p. |
| Inadimplência > 90 dias | 1,9% | Estável |
| Receita líquida de juros (NII) | +3,1% | Acima das projeções |
| Carteira de crédito | Estável | Crescimento seletivo |
| CET1 | 13,1% | +50 pontos-base |
| Dividend yield projetado | 10,5% | — |
Perspectivas para o segundo semestre de 2025

Expectativas continuam positivas
Com o avanço da redução da Selic, esperada ainda para o segundo semestre, há espaço para maior demanda por crédito e, consequentemente, aumento das margens.
O Itaú está bem posicionado para capturar esse movimento, especialmente com sua exposição equilibrada a diversos segmentos e base de clientes diversificada.
Foco em eficiência digital
O banco também segue investindo em transformação digital, com avanços significativos no aplicativo, automação de processos e integração de canais. Isso gera redução de custos operacionais, melhora na experiência do cliente e ganhos em escala.
Conclusão
O desempenho do Itaú no segundo trimestre de 2025 reafirma sua posição de liderança no setor bancário brasileiro, com lucro acima das expectativas, rentabilidade elevada, solidez patrimonial e projeções otimistas.
Mesmo com ações já valorizadas, o mercado segue confiante na capacidade do banco de entregar resultados sólidos, justificar seu valuation e recompensar os acionistas com dividendos atrativos.
Para investidores em busca de segurança, previsibilidade e crescimento moderado com distribuição de lucros, o Itaú continua sendo uma das melhores opções na bolsa brasileira em 2025.
