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Rede famosa fecha 500 lojas de uma vez e surpreende funcionários com demissão em massa

A rede Joann anunciou o fechamento de 500 lojas nos EUA até maio de 2025, com demissões em massa e novo pedido de falência.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Supermercados

No início de 2025, uma das redes mais emblemáticas do comércio americano, a Joann, especializada em tecidos, linhas e artigos para artesanato, voltou a surpreender o mercado com um novo capítulo turbulento em sua história recente: a empresa entrou, pela segunda vez em menos de um ano, com um pedido formal de falência.

A decisão foi acompanhada de um plano agressivo de reestruturação, que inclui o fechamento de aproximadamente 500 das mais de 800 unidades da rede espalhadas pelos Estados Unidos. O anúncio pegou de surpresa milhares de colaboradores e abalou consumidores fiéis à marca, que já demonstravam preocupação com a saúde financeira da empresa.

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Impacto direto no emprego e nas comunidades locais

joann
Imagem: Ajay Suresh

Cortes começam ainda em abril

Segundo o comunicado divulgado pela Joann, cerca de um terço das lojas encerrará as atividades até o fim de abril, com os demais fechamentos previstos para ocorrer até o final de maio de 2025. Isso significa uma demissão em massa que pode atingir milhares de trabalhadores, muitos deles com décadas de vínculo com a empresa.

As lojas atingidas pelo plano de reestruturação estão distribuídas por todos os estados norte-americanos, impactando também comunidades pequenas, onde a Joann frequentemente representava uma das poucas opções de varejo especializado em costura, decoração artesanal e hobbies criativos.

A companhia ainda não divulgou um número exato de funcionários afetados, mas estima-se que os cortes devem atingir uma fração significativa dos mais de 20 mil empregados que a rede mantinha até o início do ano.

Funcionários relatam surpresa e indignação

Nas redes sociais e em entrevistas à imprensa local, diversos ex-funcionários relataram ter sido informados das demissões com pouquíssima antecedência, e muitos descobriram que suas lojas seriam fechadas apenas quando chegaram para trabalhar e encontraram os avisos afixados nas vitrines.

“Foi um choque. Trabalhei na Joann por 12 anos e não esperava que o fim fosse assim, de maneira tão abrupta”, relatou uma gerente da unidade de Ohio, que preferiu não ser identificada.

Causas da crise e segundo pedido de falência

Queda nas vendas e mudanças no consumo

O pedido de falência registrado em 2025 é o segundo em menos de 12 meses. A empresa já havia recorrido à proteção judicial contra credores em 2024, tentando conter a queda nas vendas e a escalada das dívidas, mas as medidas tomadas não foram suficientes para reverter o quadro.

De acordo com analistas do setor, a Joann enfrenta um duplo desafio: a diminuição do interesse por atividades manuais, especialmente entre as gerações mais jovens, e a concorrência com o comércio eletrônico, que oferece produtos similares a preços mais baixos.

Além disso, a inflação elevada nos Estados Unidos, somada a mudanças no comportamento do consumidor pós-pandemia, dificultou ainda mais a recuperação das margens de lucro da varejista.

Dívida acumulada e tentativa de reestruturação

Dados do processo de falência indicam que a Joann acumula dívidas superiores a US$ 1 bilhão, com credores de diferentes setores, incluindo fornecedores, fundos de investimento e proprietários de imóveis comerciais.

A nova proposta de reestruturação prevê, além do fechamento das lojas menos lucrativas, renegociação de contratos de aluguel, corte de despesas administrativas e reformulação no modelo de vendas digitais. Segundo a diretoria da empresa, a intenção é salvar a operação central da rede e manter funcionando as lojas mais rentáveis, especialmente em grandes centros urbanos.

Reação do mercado e futuro da Joann

peças de miniatura representando grupo de trabalhadores e mão retirando parte das peças, representando uma demissão em massa lojas
Imagem: izzuanroslan/ Shutterstock.com

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Analistas veem risco de colapso definitivo

Apesar do plano de recuperação apresentado, há um ceticismo crescente entre especialistas e investidores quanto à capacidade da Joann de sobreviver no médio e longo prazo. O setor varejista norte-americano tem enfrentado dificuldades similares, e casos como os das redes Bed Bath & Beyond e Sears servem de alerta para o que pode ocorrer com empresas que não conseguem se reinventar a tempo.

“Esse segundo pedido de falência é um sinal claro de que a Joann está em uma situação crítica. Ainda que parte das operações seja mantida, será muito difícil reconquistar a confiança dos consumidores e do mercado”, avaliou a consultora de varejo Lisa McGovern, da Retail Strategy Group.

Clientes reagem com tristeza

Nas redes sociais, clientes fiéis à marca lamentaram o fechamento das unidades e expressaram solidariedade aos funcionários. Muitos relataram histórias de longa data com a Joann, como aulas de costura, projetos de família e momentos de lazer ligados à cultura do ‘faça você mesmo’ (DIY).

“Cresci comprando tecidos com minha avó na Joann. Ver essas lojas desaparecerem é como perder um pedaço da memória afetiva”, escreveu uma internauta em um fórum de artesanato no Reddit.

Perspectivas para o setor de artesanato e varejo especializado

O episódio da Joann lança luz sobre uma transformação mais ampla no mercado de produtos artesanais e de varejo especializado. A mudança de perfil dos consumidores, o avanço das vendas online e os altos custos operacionais estão tornando cada vez mais difícil a sobrevivência de grandes redes físicas nesse segmento.

Ainda que o interesse por hobbies manuais continue existindo, ele se manifesta de forma diferente — muitas vezes em nichos digitais, clubes virtuais ou marketplaces menores. Para sobreviver nesse novo cenário, empresas precisarão redefinir seu posicionamento, investir em experiência digital personalizada e reduzir a dependência do modelo tradicional de grandes lojas.

Imagem: Lee Charlie / Shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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