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Uber e iFood anunciam que irão divulgar localização de devedores; entenda a medida

Empresas como Uber, iFood, Amazon e Mercado Livre são acionadas pela Justiça para localizar bens e devedores em processos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Uber procon

O Poder Judiciário brasileiro vem adotando medidas inovadoras para enfrentar os desafios na fase de execução judicial, especialmente na localização de devedores e identificação de seus bens. Diante das dificuldades impostas por estratégias digitais utilizadas para ocultar patrimônio e dificultar citações, plataformas tecnológicas como Uber, iFood, Mercado Livre e Amazon passaram a ser acionadas judicialmente para fornecer dados relevantes sobre seus usuários. Essa medida representa um avanço significativo na busca por efetividade das decisões judiciais.

De acordo com informações do Banco Mundial, o Brasil recupera apenas 18,20 centavos de cada dólar em processos judiciais, índice bem inferior à média global de 36,90 centavos. Esse baixo desempenho ocorre principalmente devido à crescente adoção por parte dos devedores de mecanismos digitais como carteiras virtuais, criptomoedas, fintechs e serviços sem endereço fixo, complicando consideravelmente o rastreamento de bens e ativos financeiros.

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Imagem: Leonidas Santana/ shutterstock.com

Por que as empresas de tecnologia estão sendo acionadas judicialmente?

A decisão de recorrer às empresas tecnológicas como aliadas na execução judicial está baseada na necessidade crescente de localizar indivíduos e seus patrimônios, frequentemente ocultos por meio de plataformas digitais e serviços virtuais. A citação válida, procedimento obrigatório para a continuidade do processo judicial, muitas vezes torna-se inviável diante das estratégias de ocultação adotadas pelos devedores.

Plataformas tecnológicas tornaram-se estratégicas porque concentram informações atualizadas sobre seus usuários, incluindo endereço, histórico financeiro e formas de pagamento, frequentemente não disponíveis nas bases de dados governamentais.

Informações obtidas de plataformas como Uber e iFood

Uber e iFood, especificamente, têm se mostrado fontes eficazes de informações em razão da constante atualização dos dados cadastrais de seus usuários. Ambas as plataformas possuem registros detalhados que podem fornecer dados precisos sobre localização atual, movimentações financeiras e patrimônio, ajudando a Justiça na execução de dívidas.

Participação de Amazon e Mercado Livre

Amazon e Mercado Livre também têm desempenhado papel fundamental por conterem amplos registros de dados comerciais e financeiros dos usuários, permitindo o rastreamento de bens materiais adquiridos por meio das plataformas.

Apoio legal e jurisprudencial para uso dessas informações

A jurisprudência recente dos tribunais, especialmente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), tem validado a utilização dessas medidas consideradas atípicas, desde que os métodos convencionais tenham se esgotado.

Fundamentação na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)

A utilização desses dados respeita as disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), conforme entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) expresso no Tema 1.137. Essa regulamentação permite que as informações sejam requisitadas judicialmente, garantindo a segurança jurídica e a proteção dos dados pessoais.

Limitações dos sistemas tradicionais e ampliação do alcance investigativo

Apesar da existência e ampla utilização dos sistemas oficiais como o Sisbajud e o Infojud, esses mecanismos possuem limitações quanto ao rastreamento de determinados ativos financeiros, como títulos de capitalização, previdência privada e instituições em recuperação judicial. Nestes casos específicos, o apoio das empresas de tecnologia amplia significativamente o escopo das investigações.

Complementaridade das fontes de informações

Enquanto os sistemas tradicionais têm limitações, as plataformas digitais fornecem informações mais atualizadas e detalhadas, permitindo um rastreamento mais eficiente e preciso dos bens e da localização dos devedores.

Exemplos práticos da aplicação judicial dessas medidas

Homem batendo com malhete justiça
Imagem: mojo cp / Shutterstock.com

Recentemente, decisões judiciais têm ganhado destaque pela aplicação de medidas inovadoras, utilizando dados das plataformas digitais.

Caso emblemático de suspensão em redes sociais

Um exemplo recente ocorreu em Goiás, onde uma decisão judicial determinou a suspensão da conta de uma loja no Instagram, que possuía quase 30 mil seguidores, como forma de pressionar pelo pagamento de uma dívida. Essa decisão exemplifica a extensão das medidas possíveis e a disposição do Judiciário em utilizar novos instrumentos para garantir a efetividade da execução judicial.

Utilização de dados de consumo e financeiros

Outra estratégia adotada tem sido a solicitação judicial de dados financeiros e de consumo online diretamente das empresas tecnológicas, permitindo identificar bens e patrimônio que não constam nos sistemas tradicionais.

Impactos da medida para o Judiciário e para a sociedade

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A adoção dessas práticas tecnológicas traz importantes impactos positivos para o Judiciário e para a sociedade brasileira em geral.

Aumento na eficiência judicial

A possibilidade de acessar dados detalhados e atualizados diretamente das plataformas digitais aumenta a eficiência do processo judicial, reduzindo o tempo gasto em buscas convencionais e acelerando a recuperação dos valores devidos.

Maior segurança jurídica

Ao contar com mecanismos claros e respaldados pela jurisprudência para obtenção dessas informações, o Judiciário oferece maior segurança jurídica tanto para os credores quanto para as empresas tecnológicas envolvidas.

Incentivo ao cumprimento voluntário das obrigações

Com a maior eficácia das ações judiciais, espera-se também um aumento na conscientização e no cumprimento voluntário das obrigações financeiras pelos cidadãos e empresas.

Perspectivas futuras para o uso dessas tecnologias

uber ônibus
Imagem: Freepik

Diante do sucesso inicial e da validação jurisprudencial dessas práticas, é esperado que a utilização de empresas tecnológicas para localização de bens e devedores seja ampliada e se torne uma prática comum em todo o país.

Evolução tecnológica e judicial

Com o avanço contínuo das tecnologias e o reconhecimento de sua utilidade pelo Poder Judiciário, é provável que surjam novas formas de colaboração entre empresas privadas e o sistema judicial, sempre com a preocupação de proteger os direitos fundamentais e a privacidade dos cidadãos.

Imagem: Sundry Photography / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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