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Juiz autoriza avanço de processo bilionário da Celsius contra a Tether por venda abrupta de BTC

Juiz dos EUA permite que processo de US$ 4 bilhões da Celsius contra a Tether siga em frente, por acusação de liquidação forçada de 39.500 BTC. Entenda os detalhes.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Tether

Um juiz de falências nos Estados Unidos decidiu que a Celsius Network pode prosseguir com seu processo contra a Tether, envolvendo cerca de US$ 4 bilhões em Bitcoin. A medida rejeita parcialmente o pedido da Tether para encerrar o caso, autorizando o desenvolvimento judicial das principais alegações contra a emissora da stablecoin USDT.

A ação sustenta que, em junho de 2022, a Tether executou uma liquidação forçada de mais de 39.500 BTC, muito além do permitido pelo prazo contratual de 10 horas, a preços consideravelmente abaixo do valor de mercado — cerca de US$ 20.656 por unidade.

Este conflito reúne temas centrais para o futuro dos mecanismos de empréstimo colateralizado em cripto, envolvendo jurisdição transacional, boa-fé comercial, transferência fraudulenta e direitos de credores em falência.

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O que motivou o processo?

Empréstimo com garantia em Bitcoin

Antes do colapso, a Celsius tomou emprestado USDT da Tether em troca de collateral em BTC. O preço do Bitcoin despencou, e o acordo exigia aportes adicionais ou liquidação parcial em até 10 horas.

Venda antecipada sem aviso

A Tether, segundo a Celsius, vendeu toda a garantia — 39.542,42 BTC — antes do prazo, “fechando” US$ 812 milhões da dívida. A alegação é de que a negociação ocorreu a valores subótimos e direcionou os recursos aos próprios endereços da Bitfinex.

Danos estimados

A Celsius afirma que, levando em consideração o valor atual do Bitcoin, a liquidação forçada causou mais de US$ 4 bilhões em prejuízo.

Aspectos jurídicos e aceitação da justiça americana

A Tether contestou a jurisdição, pois está registrada nas Ilhas Virgens Britânicas e em Hong Kong. O juiz, porém, entendeu que havia elementos suficientes nos EUA — comunicações, contas bancárias, pessoal — para justificar o uso da legislação americana.

A corte rejeitou o pedido completo da Tether, mantendo as principais alegações: quebra de contrato, transferências fraudulentas e transferências preferenciais passíveis de reversão sob o Código de Falências dos EUA.

Contexto do episódio

Bitcoin
Imagem: Michael Wensch / Domínio Público

Colapso da Celsius e pedido de falência

A Celsius entrou em colapso em junho de 2022 e entrou com falência Chapter 11 em julho daquele ano. Após reestruturação de 18 meses, a empresa saiu da falência em janeiro de 2024.

Relação anterior entre as partes

Antes da falência, a Celsius havia solicitado empréstimos de USDT junto à Tether, utilizando Bitcoin como garantia – chegando ao pico de US$ 2 bilhões em empréstimos.

Acusações da Celsius: quebras contratuais e transferências suspeitas

A Celsius argumenta que a Tether operou de forma incompatível com o dever de boa-fé, liquidação antecipada sem aviso e à margem do contrato.

Segundo a acusação, a Tether teria priorizado suas próprias dívidas, em prejuízo dos demais credores, configurando transferência preferencial e podendo ser revertida pelo tribunal de falências .

Defesa da Tether: contrato válido e “shakedown”

A Tether afirma que agiu dentro do acordo — tinha direito à liquidação se Celsius não cumprisse aportes. Alega que houve pedido da Celsius e que a venda foi correta, não fraudulenta .

Chama o processo de “shakedown”, acusando a Celsius de tentar transferir suas perdas à Tether — defendendo que jamais seriam os únicos prejudicados.

Implicações para o mercado cripto

Precedente em contratos colateralizados

Se a Celsius vencer, pode estabelecer precedente que garante direitos contratuais de prazo, proteções no acordo colateralizado e critérios claros de liquidação em empréstimos cripto.

Regulação de stablecoins em debate

O caso pode influenciar políticas públicas, pois expõe a necessidade de regulamentação das stablecoins — com maior transparência, gestão de risco e uso de garantias com clareza jurídica .

Confiança no ecossistema financeiro descentralizado

Clareza legal pode favorecer a confiança dos investidores em empréstimos e centralização seletiva de risco, reforçando o desenho regulatório de criptoempreendimentos.

Próximas etapas do processo

Audiências e discovery

Com a aceitação das principais alegações, o tribunal permitirá intercâmbio de documentos, depoimentos e análise de provas contábeis, estruturais e contratuais.

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Possibilidade de acordo extrajudicial

Apesar da contundência da Celsius, a Tether pode buscar acordo para evitar maiores danos à reputação, embora a palavra “shakedown” sugira postura agressiva .

Operações da Tether e confiança no futuro

Paolo Ardoino descarta IPO

O CEO Paolo Ardoino afirmou que a empresa não planeja abertura de capital, mesmo estimativas que projetam valor de até US$ 500 bilhões.

Expansão da presença em ativos digitais

A Tether adquiriu significativa participação na Twenty One Capital de Jack Mallers, tornando-se uma das maiores corporações detentoras de BTC — transferindo cerca de 37.230 BTC (+US$ 3,9 bilhões) .

Cenário pós-decisão: o que está em jogo

Para a Celsius

Se a Tether for declarada culpada de violação contratual e transferência fraudulenta, a recuperação de BTC ou compensações pode reforçar sua reestruturação e pagamento aos credores.

Para a Tether

Adiantar liquidações fora do prazo pode implicar sanções contratuais, bloqueios de recursos ou danos reputacionais, especialmente se for fixado precedente jurídico em benefício de credores em falência.

Para o mercado cripto

A decisão pode consolidar a ideia de que plataformas devem respeitar cláusulas claras de garantias, fortalecendo confiança no ecossistema de empréstimos colateralizados e reforçando a governança da stablecoin.

Conclusão: entre contratos, jurisdição e confiança

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O avanço da ação judicial da Celsius contra a Tether por liquidação forçada de BTC — com decisão americana permitindo a continuidade — reflete um episódio decisivo na construção dos contornos legais do mercado cripto. Entre:

  • contratos colateralizados;
  • tempo de liquidação;
  • boa‑fé comercial;
  • transferência fraudulenta;

— se define muito mais que um litígio: discute-se a estrutura jurídica que dará respaldo ou fragilidade aos modelos de crédito em criptoativos. O resultado determinará regras para crédito, garantias e liquidações e definirá parâmetros regulamentares, beneficiando credores e provedores até o próximo ciclo no mercado cripto.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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