Roberto Justus, empresário e figura conhecida do universo da comunicação, marcou mais um capítulo em sua trajetória empresarial ao inaugurar a nova megafábrica de pré-moldados da SteelCorp, sua construtech especializada em Light Steel Frame (LSF). Com 16.000 m², a unidade, localizada em Cajamar, na Grande São Paulo, representa um salto significativo na capacidade de produção da empresa, que passa a produzir entre 10 mil e 12 mil casas por ano, ante 900 unidades anteriormente.
Justus avança e abre megafábrica de pré-moldados após desentendimento com Reag
Roberto Justus inaugura megafábrica de LSF após distrato com Reag, mirando casas populares e expansão do mercado de construção modular.
O evento de inauguração, no entanto, teve um protagonista ausente: a gestora Reag, antiga sócia da empresa, que encerrou a participação de 30% na SteelCorp após envolvimento em investigações da Operação Carbono Oculto, responsável por apurar fraudes e lavagem de dinheiro ligadas ao PCC no setor de combustíveis.
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Distrato com a Reag e posicionamentos oficiais

A separação entre SteelCorp e Reag foi formalizada por meio de distrato, sem detalhes públicos sobre os termos financeiros. A empresa de Justus afirmou, em comunicado, que mantém gratidão pela parceria inicial, mas que os fatos recentes tornaram impossível a continuidade da sociedade.
“Somos gratos por terem se tornado sócio no momento inicial, mas hoje não temos mais sociedade depois de tudo o que aconteceu.”
A Reag, por sua vez, adotou um tom cordial:
“Foi realizado o distrato da operação, na qual atuava na gestão e administração do fundo, anteriormente firmada com a SteelCorp. Agradecemos imensamente pela confiança e parceria ao longo do período.”
Estrutura societária da SteelCorp
Antes do distrato, Justus detinha 52% da companhia. Daniel Gispert, com 24 anos de experiência na construção civil e atual presidente da empresa, possui 15%, enquanto Marcelo Pieruzzi, responsável pelo braço financeiro, detém 3%. A fatia restante, antes da saída da Reag, era de 30%. Ainda não há informações oficiais sobre a nova distribuição acionária após a compra da parte da gestora.
SteelCorp e o mercado de Light Steel Frame
O mercado brasileiro de construção civil movimenta cerca de R$ 2,3 trilhões, mas o uso de estruturas em LSF ainda é incipiente, representando menos de 1% do total de obras, segundo dados do setor. Para Daniel Gispert, o potencial de crescimento é gigantesco:
“Se conseguirmos aumentar a participação do nosso material em apenas 1% do mercado, estamos falando em bilhões de reais de expansão potencial.”
Benefícios do Light Steel Frame
O LSF apresenta vantagens significativas frente à construção tradicional:
- Redução de resíduos: até 90% menos resíduos no canteiro de obras, já que as estruturas chegam prontas da fábrica.
- Consumo de água: apenas 1% do utilizado em construções convencionais.
- Tempo de obra: redução em até 50%, com montagem mais rápida e eficiente.
- Custo total: menor que o método tijolo a tijolo, devido à produção padronizada e otimização logística.
Além de casas populares, as estruturas podem ser usadas em prédios comerciais, galpões industriais e grandes obras públicas.
Projetos de destaque
A SteelCorp já marcou presença em projetos de grande visibilidade no país. O estádio Nabi Abi Chedid, do RedBull Bragantino, está sendo reconstruído totalmente com LSF, tornando-se o primeiro estádio do Brasil com essa estrutura integral. A Arena MRV, em Belo Horizonte, também contou com LSF em setores específicos, como camarotes e fachada, demonstrando a flexibilidade da tecnologia para obras de diferentes portes.
Foco em casas populares e programas habitacionais

Apesar do potencial de construção de arranha-céus e prédios comerciais, a estratégia de curto e médio prazo da SteelCorp será concentrada na produção de casas populares. Isso inclui participação no programa Minha Casa, Minha Vida, que possui orçamento de R$ 151,8 bilhões para 2025.
“Projetos customizados impactam a linha de produção. Nossa prioridade será a produção sequenciada de casas, otimizando custos, mão de obra e processos logísticos”, explica Gispert.
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A fábrica de Cajamar, classificada como 4.0 e automatizada, recebeu investimento de R$ 45 milhões, com capacidade de produção ampliada em 10 mil m² em relação à planta anterior, localizada em Cotia. Essa expansão deve viabilizar o alcance da meta de receita de R$ 1,5 bilhão projetada para 2026, após fechamento de 2025 com metade desse valor.
Expansão internacional e impacto de tarifas
A SteelCorp também possui operações na Flórida, nos Estados Unidos. Segundo Gispert, tarifas adicionais aplicadas pelo governo americano a produtos brasileiros não impactam significativamente os negócios:
“Com as tarifas, o custo da matéria-prima até reduziu no Brasil, beneficiando a operação nacional e internacional.”
O foco da empresa em expansão internacional está alinhado à estratégia de se consolidar como líder em construção modular e LSF na América Latina, aproveitando o know-how adquirido em projetos de grande escala no Brasil.
Oportunidade de mercado e futuro da construção modular
Com menos de 1% do mercado atualmente ocupado por LSF, há espaço para crescimento exponencial no Brasil. Especialistas apontam que a industrialização da construção civil é tendência global, permitindo obras mais rápidas, eficientes e sustentáveis.
“Estamos apenas no início de uma revolução na construção. Casas populares em larga escala, edifícios comerciais e estádios mostram que o LSF pode transformar a maneira como construímos no país”, conclui Gispert.
A entrada de Roberto Justus no setor de construção modular reforça uma aposta estratégica em inovação, eficiência e sustentabilidade, consolidando a SteelCorp como uma das empresas promissoras no mercado de LSF, enquanto o setor tradicional ainda se mantém majoritariamente baseado em métodos convencionais.
Imagem: Freepik

